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Professor faz apelo nas redes e alunos se comovem

Marcos Antônio da Silva está com dificuldades de se sustentar desde o fechamento do Colégio Alub

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Tatiana Py Dutra
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Por quase 30 anos, salas de aula, estudantes e dúvidas sobre questões espinhosas da Química fizeram parte da rotina do professor Marcos Antonio da Silva, 50. Até o ano passado, quando a crise financeira do Colégio Alub, onde lecionava, se aprofundou.

Antes que a escola fechasse as portas, funcionários e corpo discentes tiveram os salários atrasados

“Ano passado, a gente recebeu 7 salários e deixou de receber os outros 7. Recebemos até abril. Depois, de junho e agosto”, conta Marcão, como é chamado pelos alunos.

Nem o orçamento apertado fez o professor perder a esperança de ver o Alub funcionando novamente. Ele costumava ficar na porta da escola, dando satisfações aos pais dos alunos. Mas aconteceu o pior, Não só o Alub encerrou as atividades, como pelo menos outras cinco instituições do DF, deixando cerca de 800 profissionais desempregados.

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“Naquela época, já pensei: ‘Em 2020, quem conseguir trabalhar terá sorte’. Mas quando chega 2020, vem a crise da pandemia”, comenta o mestre.

Além de um mercado de trabalho encolhido, Marcão também precisaria superar o fato de ser um profissional desempregado inserido dentro do grupo de risco. Ele é diabético, hipertenso e tem dois infartos no currículo médico – dois deles, ocorridos no local de trabalho.

Crise afetou casamento

O histórico médico tornou seu currículo e experiência menos atraentes, e hoje, o professor que dava mais de 40 horas semanais, trabalha 10. A crise financeira contaminou a vida pessoal, e o casamento de mais de 20 anos acabou. Abatido pela falta da companheira e das duas filhas, meses atrás Marcão mudou-se para a casa da mãe, e seguiu na saga por recolocação no mercado de trabalho. Sem sucesso.

“Já procurei emprego como auxiliar de almoxarifado, porteiro… Mas toda a vez que você vai pegar uma função mais básica e tem mais escolaridade, dizem não. Isso dá um desespero. O que era facilitar, acaba sendo um empecilho”, lamenta.

Foi nesse contexto que Marcão decidiu postar um desabafo nas redes sociais:

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“Estou com as noites e as tardes livres. Se alguém souber de pessoa que necessite de um ajudante de serviços gerais, vigia, balconista, estoquista e pudesse me indicar, eu ficaria agradecido”, escreveu.

O retorno carinhoso de ex-alunos e colegas tem acalentado o professor. Até vaquinha online foi feita para ajudar o professor a pagar suas despesas. Mas o que ele mais precisa ainda não conseguiu: uma oportunidade de emprego que lhe permita continuar lecionando suas 10 horas semanais.

“Eu fiz uma entrevista para porteiro, mas para trabalhar eu teria de largar as aulas. Eu tenho ainda força para trabalhar e a obrigação de continuar transmitindo conhecimento. Não é certo eu pegar o conhecimento que eu ganhei e guardar só para mim”, diz.

O professor diz que conhece outros professores demitidos que estão em situação pior do que a dele. E apela para que as escolas particulares os admitam para contratos emergenciais.

“Tenho amigos que tiveram que vender tudo, foram despejados. Deem oportunidades para os desempregados da rede particular”, diz.

Interessados em ajudar o professor Marcão podem entrar em contato pelo WhatsApp: (61) 99919-9337.

Saiba Mais

Em outubro de 2019, a suspensão da prestação de serviços oferecidos pelas escolas da Rede Alub de Educação passou a ser investigado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Os alunos ficaram sem aulas porque os professores entraram em greve por falta de pagamento.

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O recredenciamento do colégio foi indeferido, em julho de 2019, e a instituição não poderia continuar a funcionar.




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