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Pandemia reduz número de vítimas fatais no trânsito da capital

Pandemia teria contribuído para a redução do tráfego de carros e motos pelas ruas da capital

Olavo David Neto

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A pandemia do novo coronavírus esvaziou as ruas em diversos cantos do mundo. Na capital não seria diferente, e o resultado é a maior queda de registros de acidentes nos anos 2000. Segundo dados do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran/DF), houve quedas superiores a 80% em acidentes fatais nas ruas do DF em 2020, se comparadas ao ano anterior. Além da pandemia, as ações de conscientização dos órgãos de controle ajudaram a reduzir os óbitos nas vias do Planalto Central.

Em 2020, foram 93 vítimas fatais em acidentes automotivos no primeiro semestre. No mesmo período do ano passado, o Distrito Federal já registrara 146 mortes no trânsito. Destacam-se os óbitos de 21 pessoas entre 30 e 39 anos, mesmo índice de falecimentos do mês do Carnaval – e último antes da crise de saúde pública. São consideradas vítimas fatais no trânsito pessoas que faleceram até 30 dias depois do acidente consumado. Assim, os números mais recentes são os de junho.

Diretor-Geral adjunto do Detran na capital, Gustavo Amaral atenta que o número de mortes não corresponde, exatamente, a acidentes ocorridos sob a jurisdição do Distrito Federal. “Esse índice representa todos as vítimas fatais nas vias do DF, seja do DER [Departamento de Estradas e Rodagem], ou da PRF [Polícia Rodoviária Federal]. Nas vias do DF, foram 28 mortes”, explica Amaral. De acordo com o gestor, há participação crucial da pandemia nos números, mas o órgão não deixou de trabalhar.

Neste cálculo, a região central de Brasília aparece como área de trânsito mais hostil. De acordo com os números do Detran, registraram-se sete mortes, duas delas na W3 Norte e Sul, duas em estacionamentos e uma na Ponte JK. Taguatinga vem em segundo lugar, com quatro óbitos, seguida por Ceilândia, com três. Conforme contou o diretor-geral adjunto ao Jornal de Brasília, as ações se realizaram com foco em alguns públicos distintos. “No retorno dos bares enviamos equipes aos estabelecimentos para conscientização da população, em ações da Lei Seca”, argumenta.

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A importância dos entregadores de aplicativo cresceu exponencialmente na pandemia. Com mais motos em circulação nas ruas, o número de motociclistas mortos chegou a 28 até junho deste ano. Em comparação com o todo o ano de 2019, há redução de um terço das mortes.“Outra ação foi com os motoristas de aplicativo, com conscientização a respeito do uso da seta e da preferência por vias de menor fluxo, por exemplo”, afirma o diretor.

Um dos indicativos que as mortes são de entregadores, segundo Amaral, é o período do óbito. “São mortes no período vespertino ou matutino, então vemos que as pessoas que trabalham com a moto estão influenciando os dados, sim”, explica. As novas ações do Detran, comenta o diretor, voltarão-se à prevenção específica para a categoria, como a análise mais profunda dos falecimentos. “Vamos individualizar os números para entender melhor quem são esses condutores, onde moram e onde trabalham”, completa.

Assim, segundo ele, será possível mapear os locais com maior incidência de acidentes envolvendo motociclistas que se utilizam do veículo para garantir o sustento.

Autoescolas sofrem com baixa novos protocolos

Foto: Vitor Mendonça/ Jornal de Brasília

Os processos nos Centros de Formação de Condutores (CFC) foram prejudicados com a chegada da covid-19 à capital. Já em 16 de março as atividades foram suspensas nos CFCs, e cerca de 10 mil candidatos que aguardavam apenas os exames, fossem teóricos ou práticos, tiveram as avaliações desmarcadas. A estimativa é do Sindicato das Auto e Moto Escolas e Centros de Formação de Condutores Classes “A”, “B” e “AB” (Sindauto/DF).

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Vice-presidente da entidade, Ivonete Reis aponta que os estabelecimentos do gênero sofriam desde 2019, em decorrência das ações do Executivo federal a respeito dos processos para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Com a pandemia, porém, veio o abatimento. “Não temos vazão para os processos abertos, pois as bancas de avaliação do Detran, realizadas mensalmente, não abrange 20% dos candidatos”, queixa-se a sindicalista, que entende a posição do órgão estatal em limitar o número de testes aplicados.

Segundo Reis, à possível compreensível limitação se sobressaltam algumas opções. “Há o auditório do Detran, que pode receber cerca de 300 pessoas devidamente distanciadas e protegidas”, argumenta. Para Amaral, o órgão não pode assumir riscos em nome da comodidade. “Nós estudamos algumas alternativas e essa veio à tona, sim, mas qualquer medida tomada agora tem de garantir a segurança dos servidores e dos candidatos. Não adianta só pensar em abrir”, rebate o diretor-Geral adjunto.

Ainda sem estimativa de retomada da normalidade administrativa, Ivonete lamenta a falta de demanda em função dos processos ainda em aberto. “Não podemos receber novos alunos, e com isso não temos como pagar nossos funcionários, que voltaram gradualmente após a suspensão dos contratos”, diz a gestora da Autoescola Catedral. “O que a gente quer é uma definição para cumprir contratos em vigência”, finaliza Reis.




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