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Pandemia: Águas Claras alheia ao vírus

É comum ver praças cheias e pessoas nas ruas na 3ª região com maior número de infectados no DF

Vítor Mendonça

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em

Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília
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Apesar da preocupação da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF), das recomendações do Ministério da Saúde (MS) e da extensão dos prazos da quarentena coletiva estipulada pelo governador Ibaneis Rocha na última quarta-feira (1º), parte da população brasiliense, ainda que em menor quantidade, permanece nas ruas. Em Águas Claras, terceira localidade com maior número de casos confirmados para a covid-19, é possível ver, em quase todas as vias, alguma atividade sendo feita fora de casa.

Na última sexta-feira (3), em um dos parques de convivência da cidade, com estruturas para crianças e adultos praticarem alguma atividade, a aglomeração era evidente. Sem o devido cuidado de higienização recomendado pelos órgãos de saúde nacionais e internacionais, pelo menos 15 meninos e meninas brincavam de pega-pega e adultos mantinham contato próximo entre famílias. Moradores do prédio vizinho ao parque observavam das janelas a movimentação.

No mesmo dia, em frente à Estação Arniqueiras, a Polícia Militar, juntamente com o DF Legal – antiga Agefis – abordaram vendedores ambulantes que expunham roupas em manequins, acessórios e equipamentos eletrônicos. Pacificamente os itens foram removidos e os comerciantes dispersados. Ao lado, civis passeavam com cachorros e utilizavam aparelhos de ginástica ao ar livre. Do outro lado da pista, em uma praça comercial, skatistas praticavam manobras e pais levavam os filhos pequenos para correrem no pátio externo.

Embora haja risco de contaminação, todos têm justificativas para sair de suas residências, sejam elas corridas e caminhadas para manter as atividades físicas ou passeios com filhos pequenos e animais de estimação para dar-lhes um alívio ao confinamento; outros vão e vêm do trabalho ou fazem compras de mercado. Águas Claras ainda mostra vida fora das quatro paredes dos apartamentos.

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O casal Igor e Mariana Corrêa, de 34 e 30 anos, respectivamente, declara que o apartamento em que vivem é “pequeno demais” para realizar alguma atividade física caseira. “Temos que manter a saúde em forma. Estamos fazendo caminhada dia sim, dia não, durante uns 45 minutos”, declara Igor. “Certas coisas nós até conseguimos fazer em casa, mas os serviços do prédio estão todos fechados, não podemos usar a academia”, acrescenta.

De acordo com o consultor de negócios, no residencial onde vivem foram estabelecidas regras de convívio nas delimitações, e os dois dizem se cuidar para evitar provável contaminação. “Lá só se pode ter o máximo de três pessoas no elevador. Dentro de casa, mantemos a higiene com as coisas que compramos na rua e com o resto da casa”, afirmou.

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Fábio Mota, 44, alegou ter precisado levar Dexter, seu Golden Retriever, para passear. A dificuldade de manter um cão de grande porte dentro do apartamento é um dos motivos para sair, mas, segundo ele, toma as precauções necessárias de distanciamento entre as pessoas. “No meu prédio a recomendação é que apenas uma pessoa por vez desça no elevador, a não ser que seja da própria família. Tento sair nos horários de pouco movimento e fico onde menos gente passa. Normalmente desço umas 6h30, mas quando vejo o fluxo aumentar, já subo de novo.”

A problemática para ele, no entanto, é o que o cão Dexter pode atrair. “Passou um pai e um filho por aqui agora há pouco e fica difícil dizer para não se aproximarem. Quando vi, o garotinho abraçou ele [Dexter]. Mas chegando em casa dou uma limpada nos pelos e concentro esforço nas patas, que lavo com água e sabão”, contou. E, no trajeto que fizeram ao entrar, o procedimento é passar um pano com desinfetante. “É chato, mas é uma rotina que tem que ter”, disse.

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“Temos que colaborar com  o Ministério da Saúde”

O idoso Raimundo Oliveira, 71, é deficiente físico e utiliza uma cadeira de rodas elétrica para se locomover. O aposentado precisa manter-se em movimento para “não enferrujar”, segundo ele. “Minhas aulas de fisioterapia tiveram de parar por conta do coronavírus, estou no grupo de risco”, afirmou. Em uma praça em frente ao prédio onde mora, ele desceu para se alongar melhor e aliviar as dores que sente na coluna.

O ex-comerciante, embora tenha ressalvas sobre permanecer dentro de casa, entende que é necessário manter o cuidado com a saúde e toma medidas para se proteger. “Me sinto sufocado, mas fico dentro do apartamento porque não há outra alternativa. Sempre estou usando uma máscara, é realmente necessário. Obedeço as recomendações passadas pela Saúde”, declara. Sobre a angústia de ficar em quarentena, Raimundo é otimista: “É uma maré que vai passar cedo ou tarde. Temos que colaborar com o Ministério da saúde. Uma hora passa.”

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Pesquisa

Uma pesquisa do Google, no entanto, indica que o Distrito Federal e os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina foram as unidade da Federação em que a população menos saiu de casa nos últimos dias. A permanência nas residências aumentou em 20% nas três regiões, 3 pontos percentuais acima da média nacional e o maior índice do país. O estudo esclarece, entretanto, que os dados apresentados não representam o comportamento literal da cidade.

No Distrito Federal, os lugares de maior redução de movimento populacional são os de recreação, com queda de 68%, tendo como segundo colocado os parques, que registraram atividade 63% menor que a usual. O trânsito caiu em 56%, e a ida ao trabalho teve queda de 36%, seguida das locomoções para farmácias, com redução de 28%.

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