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Pai da irmã de criação de Rhuan busca recomeço com a filha após tragédia

Em relato exclusivo, Rodrigo conta como resgatou a filha, que tinha sido sequestrada pela mãe, Kacyla, e acabou assistindo ao assassinato de Rhuan

Foto: Arquivo pessoal

Ana Karolline Rodrigues
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Quinze dias após a filha de 8 anos presenciar um crime bárbaro, cometido contra o irmão de criação, Rhuan Maycon, 9 anos, Rodrigo Oliveira, 29 anos, pai de G., passa a viver um novo capítulo de sua vida: a pedido da criança, os dois voltaram para Rio Branco, no Acre, no último sábado (15), onde viverão juntos com a família dele a partir de agora. No dia 7 de dezembro de 2014, foi a última vez que Rodrigo esteve presente com a filha antes de Kacyla Priscyla Santiago Damasceno, 28 anos, fugir com a menina. Mais de quatro anos depois, no dia 3 de junho de 2019, ele finalmente conseguiu descobrir o paradeiro da filha e conquistou uma reaproximação.

Para o servidor público, “desespero” é a palavra que definiu aquilo que sentiu no momento em que descobriu que a mãe de G. havia fugido com a menina. “Ela tinha ido anteriormente para uma casa de abrigo da mulher, porque tinha alegado que o ex-marido dela a ameaçou de morte e então não tivemos mais contato com ela. Aí, já no início de 2015, quando fomos lá na casa de abrigo, disseram que ela não estava mais lá”, contou ao Jornal de Brasília.

“Foi um desespero, a gente tentou ajuda na Defensoria Pública, na Vara da Infância, mas todos os meios legais que tínhamos para trabalhar, a princípio, foram em vão. Foi um processo de anos de busca”, afirmou. “Ela fugiu para várias cidades e eu descobri que ela estava no DF quando aconteceu essa situação do Rhuan, que a avó dele me ligou e me comunicou. Imediatamente, eu viabilizei as passagens para ir encontrá-la”, disse.

Após o assassinato de Rhuan, irmã de criação vai morar com o pai
foto : arquivo pessoal

Difícil reaproximação

Em 31 de maio, Rhuan Maycon, 9 anos, foi assassinado e esquartejado pela própria mãe, Rosana Auri da Silva Candido, 27 anos, em Samambaia Norte. O crime foi realizado pela mulher com apoio da companheira, Kacyla, mãe de G. Segundo as investigações, a menina presenciou o assassinato.

Desde o crime e com a prisão da mãe, G. foi encaminhada para um abrigo, onde passou a fazer acompanhamento com apoio de psicólogos, assistentes sociais e conselheiros tutelares. Segundo a conselheira que acompanhou, Cláudia Regina Carvalho, desde o dia 4 de junho, a criança se encontrava diariamente com o pai no local para a equipe proporcionar uma reaproximação entre os dois.

“O próprio pai teve a iniciativa de mostrar fotos dela pequena para recordá-la, os anos que ela viveu com ele e fomos mostrando o pai amoroso que ele era para ela. Mostramos fotos dele ensinando ela a andar de bicileta, brincando. Foi com essa dinâmica que conseguimos essa aproximação”, disse.

“Nós reunimos, então, especialistas e percebemos que ela já estava realmente tendo um vínculo com ele, já chamava ele de pai, já abraçava, já beijav. Nós não esperávamos que ela fosse ter esse vínculo tão rápido com ele, mas com esse pedido dela, ficamos felizes da vida. Ela teve uma festinha de despedida, foi um momento muito mágico no sábado”, contou.

Segundo Cláudia, a equipe esteve presente 24 horas com a criança, trabalhando também para que G. compreendesse que não iria mais morar com a mãe. Além disso, os profissionais trabalharam com ela a alienação parental provocada Kacyla na criança.

“A princípio, ela dizia que a mãe não era culpada, que não tinha feito nada. Mas depois, com o pai, ela já não tocava mais no assunto, já estava consciente que a mãe estava presa. A gente passou isso de forma que ela pudesse ir tendo a consciência de que a mãe iria ficar aqui em Brasília”, explicou.

Para a conselheira, a volta de G. para o Acre com o pai é uma resposta positiva ao trabalho da equipe. “Não foi fácil trabalhar neste caso tão brutal, mas juntos obtivemos êxito. Ouvir a menina dizer ao pai que o amava e que agora gostaria de morar com ele no Acre foi emocionante, foi a certeza que juntos somos capazes”.

Para Rodrigo, os primeiros momentos de aproximação com a filha foram difíceis, mas agora, tendo a criança com ele e com a família paterna, o sentimento que fica é de “vitória”. “No início foi complicado, mas com o trabalho que foi feito, com a ajuda que tive dos conselheiros, foi muito gratificante. Deus abriu as portas, Deus abençoou e conseguimos a vitória. Temos o apoio do estado do Acre aqui para acompanhá-la e logo logo vamos colocar ela em uma escola. Agora, ela está  ótima, já se dá bem com a minha esposa. Estamos muito felizes”, comemorou o pai.

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