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Operação In corruptionem: investigadores encontram atestados médicos na casa de Ruby

A servidora está proibida de manter contato com vítimas e testemunhas, além de não poder frequentar unidades de saúde do DF, salvo para atendimento médico

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Da Redação
redacao@grupojbr.com

Para complementar as investigações do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e da Polícia Civil, na manhã desta sexta-feira, 5 de julho, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão contra a servidora da Secretaria de Saúde Ruby Lemos, sendo três em residências frequentadas por ela e um no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), seu local de trabalho. Ela foi levada à delegacia para prestar esclarecimentos.

“O crime praticado pela servidora é extremamente grave. São fatos delituosos perpetrados na rede de saúde pública do DF, extremamente precária e fortemente demandada por inúmeras pessoas, que tem no SUS a única forma de tratar suas enfermidades”, reforça o promotor de Justiça Clayton Germano. Ele enfatizou que há muitos servidores da Secretaria de Saúde (SES) que trabalham de maneira séria e comprometida, porém fatos como esses mancham a imagem do SUS perante a sociedade.

Em uma das casas, foram encontrados blocos de documentos da Secretaria de Saúde como atestado médico, de comparecimento e receita comum e de controle especial, além de carimbos de três médicos. Será investigada a venda de atestados, de receitas falsas e a participação de outras pessoas no esquema criminoso. O telefone pessoal de Ruby foi encontrado debaixo do colchão e também foi apreendido.

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A Justiça também determinou medidas cautelares contra a servidora, como o pagamento de fiança no valor de R$ 9.980, a proibição de manter contato com vítimas e testemunhas e de frequentar unidades de saúde do DF, salvo para atendimento médico. O descumprimento pode ensejar a decretação de prisão.

Segundo Germano, a cobrança de vantagem indevida para a realização de cirurgia aos pacientes que estão internados em condições precárias e com forte sofrimento físico e psíquico, em virtude da demora na prestação da assistência médica, demonstra a necessidade das medidas adotadas. Ele lembrou que pessoas que foram abordadas pela servidora, mesmo aquelas que pagaram alguma quantia para conseguir uma cirurgia, devem procurar o Ministério Público ou a Polícia Civil. Esses depoimentos serão muito importantes para as investigações. Ele lembra que as pessoas foram vítimas e não vão responder por nenhum crime.

Saiba mais

A Ouvidoria do MPDFT recebeu uma denúncia anônima de que servidora do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) entrava em contato com pacientes para oferecer celeridade nas cirurgias mediante pagamento. A notícia informava, inclusive, que Ruby teria ameaçado vítimas e testemunhas. As informações foram repassadas à Polícia Civil, que abriu inquérito para apurar os fatos.

A Polícia Civil chegou a ouvir a vítima citada na denúncia anônima feita ao Ministério Público e confirmou que em setembro de 2017 precisou fazer uma cirurgia na rede pública de saúde. Depois de 15 dias de espera, foi procurada por uma servidora com as características da Ruby, que afirmou ser possível adiantar a cirurgia por R$ 5 mil.

Diante de novas denúncias divulgadas pela imprensa, em maio de 2019, a Polícia Civil identificou outra vítima. O contato foi feito com o irmão de um paciente abordado por Ruby. Entretanto, ele não quis comparecer à delegacia para dar depoimento por temer represálias, mas mandou mensagens trocadas com a servidora.

Ruby exerceu o cargo em comissão de supervisor de emergência do HRT entre 27 de fevereiro de 2017 e 11 de fevereiro de 2018. No período de 20 de março de 2018 a 1º de janeiro de 2019, ela foi requisitada para a Câmara Legislativa do DF (CLDF). Este ano, voltou novamente ao cargo em comissão no HRT, quando surgiram novas denúncias nos veículos de comunicação.

Com informações do MPDFT. 


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