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Cidades

Oficinas de crochê ajudam na melhora de pacientes

Com o tempo, as pessoas assistidas percebem o quanto estão estabilizadas e, nesse processo, recuperam a autoestima, perdida há anos

Aline Rocha

Publicado

em

Foto: Breno Esaki/Secretaria de Saúde
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Da Redação
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Um método terapêutico, que gera impactos positivos na saúde, ao som de uma música tranquila e em um ambiente aconchegante, pacientes com transtornos mentais dedicam parte de seus dias à arte do crochê, na Oficina Criativa do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) do Riacho Fundo I, no Instituto de Saúde Mental (ISM). Ao contrário de que aparenta, a atividade não é apenas um passatempo.

Enquanto traçam as linhas para confeccionar panos de prato e tapetes, os pacientes conversam entre si e com a equipe multidisciplinar que os supervisiona. No meio do processo, socializam e expõem suas questões mais difíceis aos profissionais de saúde. Com o tempo, as pessoas assistidas percebem o quanto estão estabilizadas e, nesse processo, recuperam a autoestima, perdida há anos.

É o caso de Maria Aparecida Nascimento, de 49 anos. Quando chegou ao Caps, em julho, apresentava sintomas de Transtorno de Ansiedade Generalizado e síndrome do pânico. Logo depois que começou a “crochetar” e interagir com outras pessoas, percebeu o quanto progrediu em sua condição. “O que senti, de imediato, é que ganhei amigos e uma família nova, o que me fez ficar mais feliz”, contou.

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Hoje, extrovertida e comunicativa, Maria diz que além do crochê já aproveita a oficina para cantar e dançar também. “Não me vejo mais como uma pessoa gorda, velha, sozinha. Já sou a intrometida do pedaço, falando com todo mundo e tentando ajudá-los. Tudo porque as pessoas que trabalham aqui fazem muito mais do que o trabalho deles. Eles nos amam”, afirma.

Para a técnica de enfermagem e facilitadora da oficina, Sandra Silva, os laços entre pacientes e funcionários se formam naturalmente, com o passar do tempo. “Aqui, as pessoas fazem amizade e dão apoio um ao outro. Sempre procuramos alguma coisa para eles fazerem, dentro de suas capacidades, e acabam se surpreendendo ao descobrir o que conseguem fazer”.

Estímulos

O incentivo dado aos pacientes é um dos aspectos do espaço terapêutico, segundo a gerente do Caps do Riacho Fundo I, Lívia Cintia Costa. “Muitos vieram com a autoestima lá embaixo, achando que não conseguiam fazer as coisas, que não eram vistos. Aqui, eles são valorizados pelo que eles conseguem fazer, até nas mínimas situações”, explica.

Segundo a gerente, por causa do trabalho no local, o índice de internação dos pacientes que frequentam a oficina diminuiu, sempre com menos episódios de crise. “Eles ficam estabilizados – e isso também contribui na autoestima. Com a capacitação no crochê, percebem que podem fazer as coisas. Muitas vezes, aprendem aqui e começam a vender lá fora, o que contribui na renda deles e é muito gratificante”, destaca.

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Mas o principal, na avaliação da gerente, é fato de os pacientes se sentirem à vontade para relatar experiências das suas vidas. “Teve uma vez que uma delas quis fazer uma trança em mim e, quando fazia, me confidenciou algo muito importante, essencial na sua terapia. Muitas vezes, o tratamento no Caps começa antes da presença do médico, porque temos uma equipe multidisciplinar. Esse é o diferencial”, garantiu.

Na sua avaliação, alguns pacientes sinalizam situações durante a terapia que não conseguiriam falar em um consultório. “Essa é a grande importância das oficinas. Não é só fazer um crochê, mas vir se comunicar, falar das suas questões, socializar e receber uma escuta diferenciada”, complementa Lívia.

A oficina integra o plano terapêutico oferecido a pacientes com transtorno mental, como depressão, ansiedade e esquizofrenia. Eles passam por avaliação no Caps e, então, são indicados a fazer as atividades. Atualmente, entre dez e 15 pessoas utilizam o espaço semanalmente.

Com informações da Agência Brasília




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