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O adeus a José Camargo

Ex- constituinte, foi um dos fundadores do MDB e eleitor de Tancredo no Colégio Eleitoral

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Uma das melhores réguas para medir o valor de uma pessoa é a avaliação dos seus posicionamentos em momentos chaves da vida.

Em 1964, quando houve o golpe militar e se instalou a ditadura no Brasil, José Camargo esteve entre aqueles que fundaram o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), o partido de oposição que se insurgiu contra o fim da liberdade democrática.

Em 1985, quando Tancredo Neves lançou-se candidato à Presidência para implodir por dentro, na eleição indireta via colégio eleitoral, a ditadura em seus estertores, novamente José Camargo estava entre os que moviam fileiras ao lado dele.

Deputado federal por São Paulo de 1971 a 1991, José Camargo morreu ontem, aos 91 anos, vítima de insuficiência cardíaca. Ele estava internado no Hospital Albert Einstein. Deixa cinco filhos.

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Fundador do Grupo Camargo de Comunicação (GCs), proprietário das rádios 89 FM, Nativa FM e Alpha FM, era também pai do conselheiro da Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Aesp), Neneto Camargo. Em nota, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) destacou sua atuação pela radiodifusão do país. “José Camargo era conhecido pelo espírito empreendedor e deixa um importante legado para a radiodifusão paulista e brasileira”.

Advogado

Autor do livro Trabalho sobre direito eleitoral em defesa do povo, José Camargo formou-se advogado em 1960 pela Faculdade de Direito de Bauru (SP). Antes de 1964, foi filiado ao Partido Social Progressista (PSP) e ao Partido Trabalhista Nacional (PTN).

Após a promulgação do Ato Institucional nº 2 (AI-2) pelo então presidente, general Humberto Castelo Branco, em outubro de 1965, que extinguiu os partidos que então existiam e implantou o bipartidarismo, Camargo optou pela oposição, tornando-se um dos fundados do MDB. Nas fileiras da oposição, elegeu-se deputado federal em 1970, para o início de uma carreira de 20 anos como parlamentar.

Novamente reeleito pelo MDB em novembro de 1978, com o início da legislatura em fevereiro do ano seguinte, passou a atuar como membro titular da Comissão de Economia, Indústria e Comércio e suplente da Comissão de Relações Exteriores. Foi também 3º secretário da Mesa da Casa e fez parte de uma missão oficial à França como representante da Câmara dos Deputados.

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Por razões políticas locais, Camargo, com a volta do multipartidarismo, optou por mudar para o PDS, partido pelo qual se reelegeu em 1982.

Em 15 de janeiro de 1985, José Camargo foi um dos dissidentes do PDS que apoiaram o candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito novo presidente da República pela Aliança Democrática, uma união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência abrigada na Frente Liberal.

Novamente reeleito deputado federal — desta vez pelo PFL de São Paulo — em novembro de 1986, assumiu sua cadeira na Câmara em fevereiro do ano seguinte, quando se iniciaram os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte (ANC). Integrou a Subcomissão do Sistema Eleitoral e Partidos Políticos da Comissão da Organização Eleitoral da Constituinte.




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