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Cidades

Nível dos reservatórios de água está abaixo dos 60% no DF

Publicado

em

João Paulo Mariano
Especial para o Jornal de Brasília

A falta de água ainda não é um problema para os brasilienses, mas é preciso cuidado porque, segundo a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa), os níveis dos reservatórios que abastecem 80% do DF estão em estado de atenção. Isso ocorre quando atingem menos de 60% do volume útil. Os sistemas Descoberto e Santa Maria/Torto estão com 57,3% e 59%, respectivamente.

Coordenadora de Informações Hidrológicas da Adasa, a bióloga Camila Campos explica que o DF está em um ano hidrológico – período que leva em consideração o tempo chuvoso e seco e não o ano civil – ruim. “Choveu 30% a menos que em outros períodos anteriores”, afirma a coordenadora. Ela entende que o grande problema é a seca intensa, pois, mesmo o reservatório de Santa Maria, que fica em área de preservação, está baixo.

“Se chegar em 60% quando vai chover não preocupa. Agora, 40% em julho ou agosto, período de grande seca, há muita preocupação”, diz Camila. Ela lembra que as últimas chuvas fortes ocorreram em abril e maio, Já os meses de junho e julho foram de temperaturas altas e clima seco.

Mas, vai ter racionamento ou não? “Depende do que ocorrer em relação as chuvas nos próximos meses. A gente tem simulações para cada cenário. Se não chover até novembro, entramos nos 20%. Aí é preocupante. Tudo depende das chuvas, pois não é só uma questão de bom ou mau uso da água, mas de ciclo hidrológico”.

Cuidados

A Adasa começou a observar ainda mais a situação dos reservatórios locais depois dos problemas de 2014 envolvendo racionamento em São Paulo, que passou pela pior crise hídrica dos últimos 80 anos. A população do estado mais povoado do País viu o nível do Sistema Cantareira, que beneficia quase 9 milhões de pessoas na Grande São Paulo, chegar ao limite mínimo. O sistema dependia das chuvas de verão, que não chegaram com força em 2014 e no ano anterior. Assim, os paulistanos ficaram sem água.

Para a coordenadora Camila Campos, o lado positivo do problema ocorrido em São Paulo foi que a população dos outros estados percebeu que a água não é infinita e que era preciso ter atenção. “Quem está mais atento a esse problema é quem precisa da água para o trabalho, como os agricultores. A população em geral já demora a perceber. Nós não sofremos em 2014. Mas, se não houver uma gestão bem feita e uma população participante, não dará certo”, elucida.

A bióloga lembra que é preciso manter os cuidados em casa, que muitas vezes “parecem até coisa de criança, mas são importantes”.

Nova norma vai definir restrições

Pela primeira vez, o DF terá uma resolução para avaliar e indicar os procedimentos em caso de baixa nos recursos hídricos. A norma é organizada com a participação de instituições envolvidas com a gestão da água, como a Caesb, e da população, com apoio de ONGs.

O último prazo para contribuições à resolução foi ontem e, a partir de agora, ocorrerá a analise do documento para ser elaborado um rascunho final, com previsão de publicação para a semana que vem. Essa resolução pode ser modificada conforme a necessidade.

Já está certo que, a partir de agora, haverá três estágios com ações diferentes para cada uma. Na primeira delas é quando o nível diário dos reservatórios atingir 60% do volume útil, seria o estado de atenção. Nele, a Adasa passa a intensificar as fiscalizações nas áreas de afluência dos reservatórios e são feitas ações sobre a redução do consumo.

O estado de alerta é o segundo momento e ocorre quando o nível for igual ou inferior a 40%. Aqui, já existe a necessidade da adoção de medidas para reduzir o consumo. É necessário declarar a situação critica de escassez, com possibilidade de restrição do uso e das outorgas, que são as licenças para uso da água de afluentes.

Já o momento mais grave é quando há apenas 20% do volume, que estabelece o estado de restrição de uso. Nessa fase, é declarado o regime de racionamento preventivo e se estabelecem as regras. A Adasa garante que a fiscalização nos afluentes está mais intensa.


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