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Cidades

Na pequena Cocalzinho, um belo vinho

Brasília e região já contam com 40 produtores de uvas selecionadas

João Pedro Rinehart
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Com a proximidade do inverno, o brasiliense procura meios de se esquentar, seja nas festas juninas, com fogueiras, seja ficando em casa debaixo de cobertores. Mas, os apreciadores de vinhos já contam com produção da região, inclusive premiada, para espantar o frio.

A produção de uva tem registrado aumento nos últimos anos, e muitos produtores locais já se interessam na utilização da fruta para a bebida.

Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater/DF), já são 40 produtores que colhem, em média, 25 toneladas de uva por hectare, grande parte deles, na região de Planaltina e Sobradinho.

Apesar do crescimento do plantio de uvas, ainda são poucos que produzem o vinho, como Marcelo Souza, da Pireneus Vinhos e Vinhedos, que em 2012 teve um de seus vinhos, o Intrépido, na lista dos cem melhores vinhos tintos do mundo, por uma publicação gastronômica. Em 2017, novamente, entre os 10 melhores, ficando à frente de vinhos argentinos, espanhóis e atrás, apenas por um ponto, de um italiano.

O plantio na região é, em sua grande maioria, para a produção de uva tipo mesa, em especial a variedade Niagara rosada, mas alguns produtores já têm interesse em variações mais finas, como Cabernet Sauvignon, Syrah e Pinot Noir, visando a fermentação para chegar ao vinho.

O Serviço Nacional de Atividade Rural do DF (Senar), entrou na iniciativa juntamente com o Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa), para colaborar com o crescimento da produção de uvas e vinhos no estado. O Senar vai disponibilizar ao produtor as melhores técnicas de plantio, de acordo com a finalidade da uva a ser plantada.

O próprio produtor é quem definirá suas preferências, se vai querer trabalhar com uvas de mesa ou uvas mais finas, para a fermentação de vinhos.

Vinícolas na região e vinhedos no Lago Norte

foto : Joao Pedro Rinehart
vinhedo do Renato Borges

A presidente do Sindicato dos Floricultores, Fruticultores e Horticultores do DF (Sindifhort), Sandra Vitoriano, afirma que o Ceasa contribuirá com a distribuição das frutas, comercializando-as pelo estado e no próprio centro comercial.

O médico e proprietário da Pireneus, Marcelo Souza, produtor das uvas que geraram os vinhos Bandeiras e Intrépido, premiados, diz que, devido à falta de apoio do governo, precisou desenvolver tecnologia própria na fermentação do vinho, em Cocalzinho do Goiás, onde fez seu plantio.

Ele entrou no meio em 2010, mas apenas em 2015 “o vinhos atingiram o que gostaria de mostrar”, diz. O médico conta que foi o primeiro no centro-oeste a produzir vinhos, mas hoje já tem concorrência. Em Paraúna, 287km de Cocalzinho, a vinícola Serra das Galés já produz vinhos de alta qualidade, como o Muralha, que também entrou para listas de melhores vinhos do país.

Fora do mundo dos vinhos, Renato Borges planta uvas, pertinho do plano piloto, a apenas 18km da rodoviária, em sua propriedade na zona rural do Lago Norte. Já são 5 anos no plantio, o bancário aposentado conta que decidiu plantar três tipos de uva. Duas variedades de mesa e uma para fazer sucos, e graças ao clima favorável e a suas técnicas de irrigação e plantio. Ele conta que sempre teve apoio da Emater/DF, com dicas para melhorar sua produção.

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