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Motoristas de aplicativo pedem ajuda às empresas

As solicitações feitas pelos condutores incluem taxa zero durante 90 dias nas corridas, isto é, repasse de 100% das viagens durante três meses

Vítor Mendonça

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Devido à queda nas solicitações de corridas, causada pela quarentena que já dura duas semanas, motoristas parceiros pedem às empresas de mobilidade por aplicativo que ampliem negociações para mitigar os prejuízos. Junto aos trabalhadores independentes, as companhias Uber, 99 Pop e Cabify se prontificaram a comunicar medidas de higiene; as duas primeiras também oferecem auxílios financeiros caso algum parceiro seja contaminado pela covid-19.

As solicitações feitas pelos condutores incluem taxa zero durante 90 dias nas corridas, isto é, repasse de 100% das viagens durante três meses; e a antecipação de prêmio por produtividade anual, que diz respeito à bonificação pelos serviços prestados ao longo do ano. Procuradas pela reportagem, nenhuma das empresas se pronunciou quanto à segunda proposta.

De acordo com Saulo Miranda, presidente da Associação de Motoristas por Aplicativo do Distrito Federal (AMADF), as solicitações enviadas às companhias evidenciam as preocupações dos condutores. “As corridas dos motoristas caíram, em média, de 70% a 80% por dia. Antes, eram entre 30 e 50 viagens diariamente, mas hoje quase não conseguimos fazer 15”, contou o trabalhador independente. “Nossa intenção [com as propostas] é continuar trabalhando para não falhar com a sociedade também, porque somos essenciais nesse momento de calamidade pública que estamos vivendo com esse vírus”, complementou.

A possibilidade de isenção de taxas para as corridas realizadas é uma das medidas adotadas na plataforma 99 Pop, que implementou as medidas em Porto Alegre e Manaus. Em nota, a assessoria do aplicativo informou que “nos próximos dias”, o plano deve ser instaurado em outras cidades do país. “100% dos valores das viagens serão repassados para o motorista”, explicou a empresa.

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A companhia esclarece também que “está orientando sobre as medidas de prevenção da doença, além de disponibilizar um fundo para ajudar motoristas que sejam diagnosticados com a covid-19, de acordo com sua média de ganhos na plataforma”.

Assistência financeira

A Uber não confirmou tal possibilidade para os motoristas parceiros, mas esclarece que a assistência financeira para os motoristas que contraírem o novo coronavírus se dará da mesma forma. “O valor será baseado na média diária de ganhos do parceiro nos seis meses anteriores a 6 de março: caso ele esteja usando o app há menos tempo, a média vai ser baseada nos ganhos desde a primeira viagem ou entrega até o dia 6 de março de 2020”, afirmou a empresa.

Apesar de não traçar planejamentos quanto à isenção de taxas, a companhia começou a fazer repasses quanto às despesas de motoristas com materiais de higiene para esterilização, como o álcool em gel. A informação foi atestada pelo presidente da AMADF ao Jornal de Brasília, que recebeu o reembolso de R$ 20 da empresa. “Enviei uma nota fiscal e a foto do produto na sexta-feira [27] e no domingo [29] recebi uma mensagem dizendo que minha solicitação havia sido aceita e realmente o depósito foi feito”, declarou Saulo Miranda.

Quanto à Cabify, a empresa afirmou que “criou um comitê de trabalho específico para monitorar o desdobramento do coronavírus (covid-19) no país, e já ativou os seus protocolos internos de urgência para contenção da situação”. Em nota a companhia também afirmou que tem orientado os motoristas parceiros quanto aos cuidados necessários para evitar a contaminação.

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A companhia declarou também que tem feito “esforços para elaborar possíveis ações e/ou projetos que possam ter efeitos positivos neste momento difícil de quarentena nacional”. De acordo com nota enviada pela Cabify, a situação é prioridade neste momento de crise. “Entendemos que a demanda por serviços de mobilidade pode mudar e é relevante que motoristas e usuários se adaptem a esse período de quarentena”, acrescentou.

Ainda uma alternativa

Apesar da escassez de corridas, motoristas por aplicativo ainda são possibilidade para aqueles que, com pressa ou mesmo impossibilitados por alguma circunstância, não encontram outros meios de locomoção. Karina Pinato, 30 anos, por exemplo, foi a solução para três idosas na campanha de vacinação contra a gripe, realizada na última semana pelo Ministério da Saúde.

“Com uma delas, levei e ainda esperei por ali alguma outra chamada. Quando recebi uma solicitação de viagem, era ela novamente, e a levei para casa”, contou a condutora. De acordo com Karina, mesmo nesta época de poucas viagens, continua cumprindo o mesmo período de trabalho que se propôs a fazer. “Mesmo assim, tem duas semanas que não faço viagens para a Asa Sul”, detalhou. Ela segue esperando por melhores corridas.


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