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Motorista de aplicativo é agredida após proibir cerveja dentro do carro

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Rafaella Panceri
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Uma motorista de transporte por aplicativo foi agredida por uma passageira na noite desta quinta-feira (8) enquanto dirigia do Riacho Fundo para o Recanto das Emas. O marido da cliente teria segurado a profissional para impedi-la de se defender. Eles faziam questão de beber cerveja dentro do carro, mas a motorista proibiu. Após agredi-la, o casal foi embora sem pagar pela corrida.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga o caso e a empresa de transporte, 99, informou estar ciente do caso e ter banido a passageira da plataforma. Trabalhadores reclamam que episódios como esse são recorrentes e cobram medidas de segurança do poder público e das instituições particulares.

Com o olho roxo e os lábios cortados, a motorista I.M.C., 44, que preferiu ter a identidade preservada, passou o dia de repouso e diz sentir dores pelo corpo. Ela conta que aceitou uma corrida entre o Riacho Fundo II e o Recanto das Emas por volta das 22h dessa quinta-feira (8). O ponto de partida e o destino eram paradas de ônibus.

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Motorista teve os lábios cortados com os socos desferidos pela cliente. Foto: Arquivo Pessoal

Ao encontrar com a cliente, que estava acompanhada por três pessoas (dois homens e outra mulher), ela percebeu que o grupo estava embriagado. Como eles entraram no veículo com latas de cerveja, a motorista se posicionou contra. “Pedi para eles não beberem dentro do carro, porque poderia sujar e isso geraria a cobrança de uma taxa extra para limpeza”, lembra.

Foi quando começaram as agressões verbais. A agressora, sentada no banco do carona, começou a reclamar da atitude e a xingar a motorista. O boletim de ocorrência divulgado pela Polícia Civil dá detalhes: “chata, safada, piranha e vagabunda”. Os outros passageiros tentaram apaziguar a confusão, mas sem sucesso. “Eu pedia para eles descerem do carro e pedirem outro, mas ela se recusava. Dizia que não ia sair e me xingava”, relata I.M.C.

A passageira atacou a mulher com socos na boca, no rosto e puxões de cabelo. De acordo com o boletim de ocorrência divulgado pela PCDF, “no meio dessa confusão, o homem que estava no carro segurou a comunicante pelos braços para que ela não pudesse se defender. Além disso, os passageiros não pagaram pela viagem”.

As agressões ocorreram inclusive fora do veículo. “Em frente a um posto de gasolina. As pessoas que estavam lá ficaram apenas olhando. Meus colegas de aplicativo chegaram com uma viatura da Polícia Militar e fomos para a delegacia. Eu estava com meu nariz sangrando e a boca cortada”, narra I.M.C.

De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o caso envolve injúria, ameaça e lesão corporal. A  27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas) investiga o caso.

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O soco no olho foi o primeiro golpe dado pela agressora, que seguiu puxando os cabelos da mulher e fazendo ameaças. Foto: Arquivo Pessoal

Volta ao trabalho
Nesta semana, a motorista deve ir ao Instituto de Medicina Legal (IML) para fazer o exame de corpo de delito. “Não acredito muito nas leis. Não temos respaldo. Isso não vai dar em nada para a passageira”, lamenta. “Estou com meus braços, meu peito e minha nuca muito doloridos”, compartilha, mas diz que deve voltar a dirigir em breve. “Tenho curso superior mas não tenho trabalho. Dependo disso para colocar comida dentro de casa. Não posso parar”, afirma.

Os familiares estão abalados. “Meu filho não quer que eu saia de casa sem ter como me defender. A gente não tem segurança nenhuma. Isso poderia ter acontecido com qualquer um em qualquer lugar”, conforma. “Não é a primeira vez que sou ameaçada. Em 2016, um homem entrou no carro, bêbado, e assumiu que eu era louca, que estava levando ele para outro destino, e dava socos no painel do carro. Consegui fazer com que ele saísse do carro, mas poderia ter acontecido algo pior”, desabafa.

O presidente da Associação de Motoristas por Aplicativo do DF (Amap), Bismarck Konrad Hegermann, afirma que a medida mais comum, em casos de agressão iniciada por passageiros, é banimento. No entanto, não há medidas efetivas de segurança. “Nem para o motorista e nem para o cliente. Não sabemos como ninguém vai se comportar”, diz.

A Amap trabalha no desenvolvimento de um botão de pânico que custará entre R$ 120 e R$ 150 reais a cerca de 300 motoristas que já demonstraram interesse. “Será camuflado, dentro do carro, e fará contato com uma central de monitoramento. Se o motorista se sentir em risco, acionará o botão e ele emitirá um sinal de alerta. A central receberá um áudio de dentro do veículo e acionará as autoridades de segurança”, explica. A solução deve ficar disponível no início de 2019.

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Versão oficial
A 99 recebeu a denúncia sobre o caso de agressão e afirma ter bloqueado o perfil do responsável na plataforma.

“A 99 se solidariza com a vítima e está em contato com ela para prestar todo o apoio que for necessário. A empresa também se encontra aberta a colaborar com a polícia. O aplicativo repudia esse e quaisquer outras ocorrências de violência e está trabalhando 24 horas por dia, 7 dias por semana, para colaborar com a segurança dos usuários”, declarou, por meio de nota.

Segundo a 99, os condutores podem optar por não receber pagamento em dinheiro. A empresa afirma, ainda, que realiza treinamento para motoristas e apresenta dicas práticas de proteção. “Temos uma equipe de segurança formada por mais de 50 pessoas que cuidam exclusivamente da proteção dos usuários e fazemos mapeamento de áreas de risco, enviando aos motoristas notificações sobre zonas perigosas”, afirmou, por e-mail.

Serviço
Há um canal de atendimento exclusivo para incidentes de segurança. Pelo telefone 0800-888-8999, há promessa de auxílio imediato a usuários da 99.




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