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Marizelli: rosas para uma heroína

Colegas de corporação e centenas de outras pessoas despedem-se da bombeira, tragicamente morta ao combater no domingo um incêndio em Taguatinga

Lindauro Gomes

Publicado

em

Fotos: Vitor Mendonça/Jornal de Brasília
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Adeus digno de uma heroína

Sob chuva de pétalas, funeral de Marizelli Armelinda Dias reuniu familiares, colegas e autoridades

Vítor Mendonça
redacao@grupojbr.com

Centenas de pessoas se reuniram na tarde de ontem para prestar homenagens à soldado bombeira militar Marizelli Armelinda Dias, 31 anos, que morreu em serviço no último domingo. A oficial estava em uma ocorrência de combate a um pequeno incêndio de vegetação em Taguatinga quando um eucalipto caiu em cima de uma fiação. Ambos atingiram a bombeira que, com a descarga elétrica, faleceu.

Diante do sepultamento, a mãe de Marizelli, Conceição Aparecida Dias, mostrou a força da filha na luta pelos objetivos de vida, que parece ser herdada da mãe. “Ela deu a vida pelo trabalho. Estou triste e sinto a perda, mas fico, ao mesmo tempo, muito alegre porque foi feliz e realizou o sonho dela”, disse, com firmeza. “E realizou um sonho meu também, porque queria que ela fosse uma servidora pública. O sonho dela e da família era que fosse bombeira”, completou.

Mariza Dias, irmã de Marizelli, discursou palavras de gratidão à equipe de salvamento, que tentou reanimá-la, mas sem sucesso. “Agradeço do fundo da minha alma por todos que tentaram salvá-la. Minha mãe também agradece muito a todos”, expressou.

Sobre a conduta da irmã, Mariza engrandeceu a facilidade em fazer novas amizades e a alegria com que via a profissional chegar em casa após a jornada de trabalho. “Ela amava cada um de vocês. Tenham certeza que tinha vocês no coração. Ela ficou pouco tempo nos bombeiros, mas as amizades que ela fez ficaram para sempre”, afirmou.

Autoridades lamentam

A cerimônia do velório de Marizelli aconteceu no 2° Grupamento de Bombeiro Militar, em Taguatinga, com início às 14h. O corpo da oficial havia chegado ao local por volta das 12h30. Durante a honraria à soldado, discursaram o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF), Carlos Edmilson Ferreira dos Santos, e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, acompanhado da primeira-dama, Mayara Noronha. Também prestou condolências o secretário de Segurança Pública, Anderson Torres.

Essa é a nossa missão: vida por vidas”, expressou o comandante-geral. Nas palavras do governador, o serviço oferece riscos, mas enalteceu a corporação brasiliense.

“Temos uma das corporações mais bem preparadas do país e estamos empenhados para sempre oferecer a todas as corporações as condições de trabalho”, disse o chefe do Executivo local.

Marizelli foi ovacionada e recebeu homenagens dos colegas, que jogavam pétalas de rosas brancas e vermelhas enquanto seguiam no cortejo para o funeral, no cemitério de Taguatinga. A bombeira foi levada sobre um dos caminhões da corporação, acompanhada de sete oficiais. Colegas da segurança pública como Detran, Polícia Civil e Militar também estavam presentes. Um coro de lamentos pela perda da profissional ecoou durante a solenidade.

“Estava sempre de bem com a vida”, “muito simpática e atenciosa”, “sorridente e com muita energia.” eram algumas das fases que se faziam presentes em conversas com conhecidos, familiares e amigos próximos da soldado. Uma familiar, que não quis se identificar, informou que, na semana anterior, a família havia feito um churrasco “para celebrar a vida”.

No cemitério, helicópteros do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil e Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF), prestaram homenagem com quatro chuvas de pétalas.

Saiba Mais

O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) ainda não se pronunciou sobre o contexto de combate ao fogo no local. Ao que tudo indica, de acordo com fontes do Jornal de Brasília, os eucaliptos da área poderiam já estar desgastados diante de outros pequenos incêndios ocorridos no local, mas que, por vezes, tais desgastes são imperceptíveis.

Não é descartada também a possibilidade de incêndio subterrâneo como fator agravante.


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