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Marido deve voltar à DP

No enterro de Noélia Oliveira, Marcos disse esperar que tudo se esclareça

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Vítor Mendonça
redacao@grupojbr.com

Aconteceu na tarde de ontem o velório de Noélia de Oliveira Rodrigues, 38 anos, morta com um tiro no rosto na noite da última sexta-feira (18). Cerca de 300 pessoas entre familiares, amigos e colegas de trabalho marcaram presença na cerimônia fúnebre da que pode ser a 27ª vítima de feminicídio no Distrito Federal.

“Os dias têm sido difíceis, estamos na ansiedade de saber quem fez essa maldade”, disse o irmão de Noélia, Egídio de Oliveira, 55, em tom de protesto. “Ela não entraria no carro de algum estranho, era uma pessoa conhecida”, completou o homem sobre quem foi o algoz do crime. A vendedora era a caçula e a terceira mulher entre 14 irmãos.

Hoje alguns familiares e o marido da vítima, Marcos Paulo Mendes Santana, considerado pela corporação como um dos suspeitos, deverão ir à 38ª delegacia de Polícia (Vicente Pires) para ter novidades e prestar maiores esclarecimentos sobre o caso. A análise pericial da criminalística da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deverá ser divulgada para os parentes de Noélia.

O viúvo de Noélia já havia prestado depoimento por cerca de três horas na noite de sexta-feira. “Esperamos que tudo seja elucidado daqui pra frente”, afirmou o homem à imprensa após o velório. “Obrigado pela atenção que têm dado”, comentou.

Entenda o caso

Noélia Rodrigues de Oliveira, de 38 anos, foi encontrada morta na Colônia Agrícola 26 de Setembro, em Vicente Pires, na manhã da última sexta-feira (18), com uma marca de tiro no rosto e sinais de luta corporal. A mulher era vendedora em uma das lojas do Brasília Shopping, na Asa Norte, área central de Brasília. A funcionária morava em Sol Nascente e costumava chegar ao trabalho por volta das 16h, com saída entre 21h45 e 22h, normalmente.

Na noite do dia anterior, quinta-feira (17), Noélia teria pego uma carona para voltar para casa; não iria de ônibus como comumente fazia. Depois das 22h, a mulher não foi mais vista. Excedendo o horário que costumava chegar em casa, entre 23h e 23h30, foi tida como desaparecida pelos familiares na madrugada de sexta-feira.

“A partir daquele momento foi só desespero para a família”, afirmou o outro irmão de Noélia, José Guedes, 48 anos. “Fomos à delegacia na madrugada, mas não conseguimos fazer o Boletim de Ocorrência. Às 9h da manhã já estávamos lá para tentar novamente”, disse. Ao saberem do corpo encontrado, o marido da vítima acompanhou as viaturas da Polícia Civil e fez o reconhecimento.

“Recebemos a notícia que tinham achado o corpo com muita tristeza. Jamais imaginamos que aquilo que aconteceu com aquela advogada [Letícia Curado] aconteceria conosco”, lamentou ainda o irmão José. “Foi um desespero, porque estávamos na expectativa de encontrá-la viva.”

A 38ª DP apura mais detalhes do caso, cujas informações devem ser divulgadas ao longo da semana.

Memória

Mãe de um jovem de 16 anos, que acompanhou o cortejo com a foto da mãe nas mãos, fruto de outro casamento, e mais uma menina de 9 anos e um menino de 5, tidos com o companheiro Marcos Paulo, a vendedora era conhecida como uma pessoa de alto astral e de comportamento prestativo com os parentes e conhecidos.

Assim descreve a amiga Maura Veloso, 44 anos, que afirma ter amizade com Noélia há mais de 10 anos. “Ela gostava de viver e estava sempre para cima, muito alegre. Sempre foi muito atenciosa e preocupada com os filhos e com marido. Era uma pessoa muito família. Infelizmente a vida foi cruel e ela se foi”, comentou.

O marido

Sobre o envolvimento de Marcos Paulo no crime, o homem se mostrou prestativo em ajudar a Polícia Civil a resolver o caso. O viúvo cedeu roupas e abriu as portas da casa, em Sol Nascente, para auxiliar nas investigações. Ainda de acordo com o irmão José Guedes, a suspeita é de que alguém a tenha matado assertivamente.

“Como a gente não vive junto, não sabemos como estava o relacionamento com o atual marido. Acho que pegaram ela pra matar mesmo, já que o tiro foi perto do olho direito. O rosto ficou deformado”, disse. “A família inteira ficou muito revoltada, esperamos que a justiça seja feita. Ela não merecia passar por tudo isso – foi muito cruel.”


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