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Mãe de Bernardo fala ao JBr: uma perversão que se manteve oculta

Em entrevista exclusiva, Tatiana conta que nada desconfiava do comportamento de Paulo Roberto, que escondeu dela o que fizera com a própria mãe há 27 anos

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Assassino escondeu crime anterior

Paulo Roberto Osório matou a mãe em 1992; ex-mulher revela ao JBr que não sabia de nada

Pedro Marra
redacao@grupojbr.com

Durante anos, a sombra da perversão manteve-se escondida. Para Tatiana da Silva Marques, Paulo Roberto Osório era um pai amoroso. Que, no passado, tivera alguma experiência traumática envolvendo sua mãe. Uma experiência que ele não revelava. Sem saber de nada, Tatiana respeitava seu silêncio. Mal podia imaginar que, na verdade, convivia com um assassino.

Ontem, a mãe do menino Bernardo, de 1 ano e 11 meses — assassinado pelo pai, Paulo Roberto Osório, na sexta-feira (29) —, Tatiana da Silva Marques, 30, revelou ao Jornal de Brasília que o ex-marido escondia dela que, em 1992, aos 18 anos, assassinou a própria mãe. Ela foi esfaqueada com uma faca de serra e em seguida enforcada por Paulo, que disse ter imaginado que era um ladrão invadindo a casa. Após o crime, ele ateou fogo no corpo . Vinte e sete anos depois, Paulo Roberto assassinou também seu filho.

“Quando namorei com ele e perguntei da mãe, ele simplesmente falou que tinha sido um fato traumático na vida dele — e que, quando se sentisse confortável, falaria. Como eu não era de ficar indagando sobre a vida dele, fiquei na minha. Eu esperei ele resolver falar. E eu não consigo ter raiva nem ódio dele. Tenho pena. Ele é doente; tem que se tratar”, conta.

Bernardo foi identificado

O corpo encontrado à beira da BR-242 na última quinta-feira (5) é realmente do menino Bernardo, assassinado pelo pai. Antes de partir de carro rumo à Bahia, Paulo Roberto dopou a criança com uma superdosagem de hemitartarato de zolpidem, remédio do qual faz uso para tratar a insônia. Na sexta, o homem deixou o corpo do filho num matagal a 1.035 km de Brasília, no povoado de Campos de São João, zona rural do Município de Palmeiras (BA).
O Instituto de Pesquisa de DNA Forense da Polícia Civil do DF (IPDNA/PCDF) confirmou a identificação do corpo por meio de exames genéticos. As amostras biológicas de Bernardo chegaram a Brasília por volta de 12h30 de sábado (7). Depois, os profissionais confrontaram o material com o DNA dos pais.

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“Nunca agrediu o Bernardo”

Tatiana também disse que nunca percebeu algum descontrole psicológico no ex-marido.
“Quando conheci o Paulo, ele não mostrou nenhuma traço de problemas mentais. Nunca teve temperamento agressivo comigo nem com o Bernardo, com quem ele era extremamente amoroso. Às vezes, a minha mãe brincava comigo dizendo que o Paulo cuidava muito mais do menino do que eu”, afirma.

Paulo foi autuado em flagrante por homicídio triplamente qualificado e ocultação do cadáver.

“No mínimo, ele é um psicopata”

Segundo o delegado-chefe da Delegacia de Repressão ao Sequestro (DRS), Leandro Ritt, o pai agiu sozinho. “O plano inicial era que o Bernardo nunca mais fosse encontrado, e que os familiares nunca mais vissem o corpo. Ele tinha o objetivo de perpetuar o sofrimento na família do Bernardo. No mínimo, ele [Paulo] é um psicopata. No depoimento, ele não apresentou reações emocionais; extremamente frio. Ele saiu apressado de casa, deixando a televisão e as luzes ligadas”, explica.

O delegado acrescenta que, às 21h20 de sexta-feira (29), Paulo passou por um radar na Ponte do Bragueto, na Asa Norte, e dirigiu pela BR-020 até Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. O pai da criança foi preso em Alagoinhas (BA) no sábado (30), mas sem o garoto.

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A coleta da amostra foi feita na cartilagem do joelho de Bernardo com trabalho organizado por Samuel Ferreira, médico-legista e diretor do IPDNA, que analisou as amostras biológicas trazidas da Bahia.

“Desenvolvemos uma metodologia que trabalha com extração de DNA em tecidos moles, mesmo já decompostos — o que possibilita uma extração de DNA ainda com qualidade boa para dar uma resposta extremamente rápida”, diz.

Entre terça (3) e quinta-feira (5), agentes do DF chegaram a vasculhar uma região de 100 km de mata próximo a Luis Eduardo Magalhães (BA) em busca de Bernardo. Como não encontraram seu corpo, os policiais voltaram para Brasília. A PCDF retomou viagem após a informação da delegacia do Estado da Bahia.


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