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Cidades

Lockdown na conta da Fecomércio

Associação Comercial de Ceilândia critica desistência do hospital de campanha

Lucas Valença

Publicado

em

Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília
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Comerciantes criticam Fecomércio

Associação comercial de Ceilândia diz que desistência do hospital pode custar o lockdown

Um possível lockdown em algumas cidades satélites, estudado pelo Palácio do Buriti, tem elevado as críticas em cima da entidade representativa do comércio do Distrito Federal, a Fecomércio-DF que voltou atrás na promessa de construção de um hospital de campanha.

A região administrativa que pode vir a ter seu completo fechamento decretado pelo Governo do Distrito Federal (GDF), é a Ceilândia, região com aproximadamente 400 mil habitantes. Lembra a reportagem que, mesmo com as medidas iniciais de isolamento social decretadas, parte do comércio da cidade já vinha funcionando o que pode ter elevado o índice de contaminação da doença na região.

Agora, há uma articulação do palácio do Buriti para que se consiga a construção de um novo hospital de campanha que serviria para suprir a demanda de pacientes que resultarão da flexibilização da atividade econômica feita recentemente pelo governador Ibaneis Rocha (MDB).

O GDF anunciou, inclusive, a dispensa de licitação para a construção da unidade hospitalar deverá disponibilizar 60 leitos para a região onde o coronavírus mais avança.

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O problema é que a cobrança da nova unidade de saúde aparece depois que a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-DF) recuou da entrega do hospital de 400 leitos, acordado em salão nobre do palácio, que seria construído pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) com recursos da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Para o presidente da Associação Comercial de Ceilândia (Acic), Clemilton Saraiva, um possível lockdown “não é o caminho para controlar a atual situação”, sendo um “programa de conscientização”, em sua visão, mais efetivo para se evitar uma proliferação maior da doença.

Ele explica que o fechamento das atividades econômicas da cidade por uma medida “extrema” poderiam resultar em consequências maiores para o DF. “Um possível lockdown na Ceilândia impacta diretamente a economia do DF. Além de ser uma cidade interconectada com as demais, boa parte do DF depende de muita coisa que é produzida ou guardada na Ceilândia“, afirmou Clemilton que citou o setor atacadista como exemplo de atividade econômica com influência na cidade.

O presidente da entidade criticou, no entanto, a atuação da Fecomércio-DF junto a lojistas e comerciantes da região e lamentou um possível distanciamento da direção da Federação com relação às regiões administrativas. “Não vemos nenhuma atuação da Fecomércio aqui. Infelizmente a direcao dela é centralizada praticamente no Plano Piloto”.

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Segundo ele, o recuo na construção do hospital de 400 leitos pela entidade empresarial, pode vir a afetar diretamente a atividade econômica na Ceilândia, caso o lockdown seja decretado pelo governo.

Lockdown é considerado

O receio, portanto, é de que a abertura do comércio nas cidades, possa vir a ser afetado por um “erro de atuação da Fecomércio-DF”. “Eles já estão sendo cobrados por empresários das cidades vizinhas ao Plano Piloto. Há uma carga de pressão (em cima da diretoria), mas a Ceilândia virou um ringue nesse ponto”, ressaltou.

Um secretário procurado pela reportagem e que preferiu não se identificar, garante que o recuo na construção da unidade de saúde afetou o planejamento inicial do Buriti. Este mesmo integrante, lembrou que a Fecomércio-DF chegou a pressionar o governo para liberar a atividade econômica, chegando até a entregar uma cartilha com medidas sanitárias que poderiam ser adotadas por cada uma das atividades econômicas, o que auxiliou na decisão de liberar parte do comércio da cidade.

Só que a contrapartida acordada, que serviria para suprir justamente a possível demanda crescente no número de pacientes por conta da pandemia, foi deixada de lado pela entidade sindical.

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“É importante abrir as lojas e o comércio em geral, mas não podemos nos esquecer que enfrentamos um problema sanitário grave”, explicou.

O novo compromisso é de que a federação empresarial doe equipamentos e utensílios de saúde ao governo local.

Saiba Mais

A entrega, no entanto, ainda dependerá de um novo posicionamento da CNC.
“Sobre os equipamentos, nós estamos aguardando um parecer da CNC em relação ao assunto, confederação da qual a Fecomércio faz parte”, informou a assessoria de imprensa da Fecomércio-DF.

Em entrevista recente ao Jornal de Brasília, o presidente da Fecomércio-DF, Francisco Maia, chegou a afirmar que não tem a obrigação de doar os equipamentos já que se trata de um “ato voluntário”, mesmo que a intenção tenha sido anunciada e divulgada pela imprensa


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