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Jornal de Brasília percorre a capital e encontra mais irregularidades em obras

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Eric Zambon
eric.zambon@grupojbr.com

O trajeto que o brasiliense faz todo dia tem os mesmos defeitos há anos e as imperfeições se tornaram parte da paisagem. Com o desabamento de parte do viaduto da Galeria dos Estados, essa banalidade salta aos olhos e cada buraco ou rachadura se torna um alerta.

O Jornal de Brasília percorreu pontos similares ao viaduto que ruiu e constatou que, mesmo a olho nu, não é difícil enxergar a precariedade de algumas edificações. Na Ponte Honestino Guimarães (antiga Costa e Silva), há um rombo tão grande na estrutura de base, ao lado da Praça dos Orixás, que virou point dos habitantes noturnos. Latinhas e objetos usados de higiene são vistos no espaço.

Em um viaduto paralelo ao Conic, próximo do local do incidente de ontem, um buraco na junção entre a estrutura e a pista que leva ao Eixo W Sul preocupa. Carlos Pereira, de 34 anos, diz trabalhar no estacionamento adjacente há quase cinco anos. Segundo ele, tanto a falha quanto as rachaduras estão lá durante todo esse tempo, com reparos pontuais sendo feitos.

“Já tamparam esse buraco aí, mas abriu de novo. Faz uns seis meses que cobriram, mas ele reabriu e parece que aumenta a cada dia”, denuncia. Ele critica a manutenção para o local e para outros pontos da cidade. Morador de Santa Maria, sua reclamação é com o modo como o dinheiro é aplicado. “Parece que é má gestão. Nunca usam a coisa certa para resolver as coisas”.

Os buracos na parte de baixo da Ponte do Braghetto, que liga a Asa Norte ao Lago Norte e ao caminho para Sobradinho e Paranoá, também denotam falta de manutenção. Há quatro anos, o Jornal de Brasília fez uma reportagem no local e levou um professor da Faculdade de Engenharia da Universidade de Brasília (UnB) para avaliar as condições da construção. Mesmo à época, a constatação foi da necessidade de intervenção urgente, o que não foi feito.

A Ponte das Garças apresenta falhas menos gritantes, mas uma rachadura no ponto de encontro entre a terra e a estrutura de ligação do Setor de Clubes com o Lago Sul revela a necessidade de manutenção. Corrosões e infiltrações ocorrem aos montes, principalmente na parte inferior.

Os locais foram avaliados e resultaram em alertas após relatório feito pelo Sindicato de Engenharia e Arquitetura (Sinaenco), em 2009. À época, a entidade alertou que nove dos 11 viadutos e pontes do DF careciam de manutenção, incluindo também a estrutura da Galeria dos Estados. Quase dez anos depois, constata-se que pouco foi feito.

O descaso fica evidente quando se compara as condições de estruturas recentemente construídas ou reparadas. A Ponte JK, por exemplo, não apresenta qualquer problema aparente, bem como o viaduto Ayrton Senna e o viaduto da plataforma superior da Rodoviária de Brasília. Mesmo na parte colada ao Conic, menos conservada, a quantidade de imperfeições é muito menor em comparação com as edificações mais velhas.


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