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Isolamento rigoroso despenca na capital

Especialistas culpam ‘flexibilização desordenada’ por aumento da covid-19

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Mayra Dias
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“A única explicação que nós temos para o aumento do número de casos é o comportamento das pessoas”, afirma o médico infectologista Hélio Bacha. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Covid-19), mostraram que, no Distrito Federal, a proporção da população rigorosamente isolada caiu de 23% para 8% entre julho e novembro deste ano.

O levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que acompanhou famílias brasilienses ao longo da pandemia, registrou que, no último mês, o número de pessoas que restringiram ao máximo o contato social foi de 142 mil, o menor do ano. Em julho, quando a análise começou a ser registrada, a quantidade era de 312 mil brasilienses. Para o virologista da Universidade Federal de Santa Maria, Eduardo Flores, essa flexibilização é precoce. “Não é o momento de flexibilizar. Não passamos da primeira onda e já estamos reconhecendo uma segunda”, ressalta o profissional.

Os resultados constataram que a redução do isolamento ocorreu em todas as faixas etárias. Contudo, os grupos que mais cederam foram os das crianças de 0 a 13 anos, e dos idosos. O total de jovens em isolamento passou de 35,3% para 25,6% entre outubro e novembro, enquanto o das pessoas em idade avançada caiu de 20,4% para 14,5% nesse mesmo intervalo. “O grupo mais vulnerável é o dos idosos.

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Eles têm maior tendência a desenvolver doenças graves e, eventualmente, virem a óbito. Jamais deveriam relaxar o distanciamento”, explica o virologista.

Para os especialistas, a decisão de afrouxar as medidas de isolamento neste final de ano irá resultar em um retorno da elevação do número de infecções. “Isso, com certeza, irá resultar em um maior número de casos, de ocupações de leitos e, assim como ocorreu no início da pandemia, haverá uma saturação do sistema de saúde”, diz Eduardo Flores. Na avaliação de Hélio Bacha, tal comportamento seria reflexo da não efetiva fiscalização. “O que está havendo nas últimas semanas é uma flexibilização desordenada. As pessoas não são capazes de se manterem em isolamento se o sinal estiver verde para se reunirem. Na Europa, por exemplo, há policiais especiais para punir quem se reúne. No Brasil, nada acontece, pelo contrário, as autoridades assumem postura de tranquilidade enquanto tudo pega fogo”, explica o profissional.

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Dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) mostram que, adolescentes e idosos correspondem aos grupos que mais tiveram alta nos casos da doença nos primeiros 15 dias do mês de dezembro. Entre os dias 1º e 15 o aumento do número de casos na faixa etária de 11 a 19 anos foi de 5,5%, a mesma para pessoas de 60 a 79 anos. Os números foram, respectivamente, de 624 e 884 infectados.

Entre pessoas de 70 a 79 anos, houve 420 novos casos. “Isso é reflexo da desinformação presente no país”, afirma Eduardo Flores. “As pessoas com menor nível cultural, com menos acesso à informação, estão acreditando que a ‘gripezinha’ acabou, e estão vendo as autoridades validarem esse comportamento”, completa o virologista.

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“Temos que ser racionais”

Na avaliação dos profissionais, o melhor a se fazer, nesse momento, é manter as regras de distanciamento o máximo possível. “Temos que ser racionais. Quem precisa manter a atividade econômica tem que sair de casa, mas mantendo o distanciamento, e quem não precisa ir para a rua, não deve sair. Se for necessário fazer algo fora de casa, use máscara e mantenha distância adequada dos outros”, enfatiza o pesquisador da Universidade de Santa Maria. Eduardo relembra ainda que, o isolamento, hoje, é a medida mais segura contra o vírus. “O vírus só circula entre pessoas, e para ele circular elas devem estar perto umas das outras. Por isso deve-se ficar isolado. Quem vai à rua, transmite”, finaliza.

 




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