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Infestação de pulgas e bichos-de-pé atinge campus da UnB no Gama

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Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

Bichos-de-pé e pulgas trocaram o campo pelo campus da Universidade de Brasília (UnB) no Gama. Estudantes, professores, técnicos e seguranças que vão aos laboratórios têm pegado os parasitas e relatam que o problema se prolonga há pelo menos um mês. A direção da instituição, por outro lado, alega que a situação é recente e que providências foram tomadas.

Victor Hugo Arnaud, 24 anos, é um dos estudantes que foram infectados pelos bichos. Durante a semana, ele vai com frequência ao laboratório que fica afastado das salas de aula. Os espaços são contêineres que ficam suspensos por uma base de concreto. Ali, o estudante acredita que pulgas, carrapatos e bichos-de-pé se reproduzem, já que há um vão.

“Quando vi que tinha pego, imaginei que tinha sido aqui na faculdade, já que é um ambiente propício para o bicho-de-pé por conta da poeira. Alguns cachorros moravam embaixo dos contêineres e levantei essa hipótese de que, por não ter mais cachorro, os bichos ficaram sem hospedeiros, migraram para cima e nos pegaram”, sugere o estudante.

No laboratório, cerca de 15 estudantes ajudam nos projetos. A infestação atingiu pelo menos dez. “Esse surto começou há duas semanas. Eu tive no pé e outro, por incrível que pareça, no queixo. Uma menina pegou na mão, mas a maioria pegou no pé”, aponta o estudante de engenharia de software.

Com tantos casos em um só laboratório, o resultado foi suspender as atividades. “Não tinha condições. Para não ter mais casos, tiramos dinheiro do nosso bolso para dedetizar o laboratório”, alega Arnaud. O estudante relata ainda que foi feita uma queixa na direção do campus e na Secretaria de Saúde.

O estudante de engenharia aeroespacial Pedro Henrique Beghelli, 23 anos, é o único entre os amigos que pegou o bicho-de-pé. Ele descobriu na terça-feira que estava com o parasita. “Eu recebi mensagem de um amigo sobre a infestação. Quando fui olhar, estava com um ponto preto”, conta.

Ele não chegou a sentir coceiras, mas se preocupa com a possibilidade de surgirem outras doenças. “A princípio não me preocupa, afinal é só um bicho-de-pé. Tem que saber de onde veio, se é dos cachorros e gatos, porque pode haver algo mais grave”, alerta.

Receio

Quem ainda não foi atingido está receoso. O estudante de engenharia de software Daniel Teles, 23 anos, é um deles. “Estou preocupado. A sorte é que, como está no final do semestre, posso faltar algumas aulas. Quero ir só quando for preciso”, afirma. “A gente não consegue ver a olho nu, então piora”, completa. De acordo com ele, há pelo menos um mês as pulgas e bichos-de-pé foram identificados.

O estudante conta que professores tentaram solucionar o problema, mas não obtiveram resposta. “Estava conversando com uma professora que pegou e ela disse que foram até a Reitoria conversar. Mas a resposta foi que, como não tinha reclamação por parte dos alunos, não iriam fazer nada”, critica.
A solução encontrada foi cada um resolver à sua maneira. “Alguns professores estão dedetizando os laboratórios com dinheiro próprio. Só sabe o que está acontecendo quem pega ou quem conhece alguém”, diz Teles.

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Ontem, um dia após a reportagem do JBr. entrar em contato, a direção do campus do Gama da UnB divulgou comunicado à comunidade acadêmica informando que vai agilizar a dedetização. Em entrevista, porém, alegou que não há motivos para alarde, por ser um caso recente. “Recebemos relato de uma professora há uma semana. Eram três a cinco estudantes com bicho-de-pé, e já solicitamos à prefeitura uma dedetização com urgência”, assegura o vice-diretor do campus, Sandro Haddad.

De acordo com o vice-diretor, em fevereiro houve uma limpeza em todo o campus. “Estamos dentro do calendário de dedetização, mas como tivemos esses casos, a gente solicitou uma atenção especial nos contêineres”, acrescenta. Questionado sobre a presença de cachorros e a proximidade com a mata, Haddad afirmou que a instituição já tentou fazer com que os animais saíssem de perto. “Alguns alunos dão comida e eles acabam ficando. Não temos competência para pegar os cachorros e tirar daqui. Além disso, estamos construindo um terceiro prédio. Às vezes, por ter tirado o mato, as pulgas e bichos-de-pé migraram para cá”, argumenta. Ele garante que a instituição está tomando providências. “A UnB não está ignorando o caso. Infelizmente é um processo burocrático”, conclui. A assessoria da universidade informou que a Prefeitura está fazendo pregão para contratar as dedetizações. A Secretaria de Saúde informou que só faz inspeção caso a prefeitura solicite.

Ponto de Vista

A proximidade com a mata pode ser um possível causador da proliferação das pulgas e bichos-de-pé. É o que aponta a infectologista Joana D’arc Gonçalves, da Aliança Instituto de Oncologia. “São artrópodes que se alimentam do sangue de mamíferos. Caso não encontrem algum de pequeno porte, como uma capivara, eles vão para os seres humanos”, explica. “Não é comum encontrar em região urbana, mas, com a expansão, a proximidade favorece esse vetor”, completa. De forma direta, os artrópodes podem causar quadros de alergia. “Uma escoriação na pele, irritação. Mas, além disso, nas patas eles podem levar outros vetores, vírus e bactérias, e isso pode causar um quadro mais grave, como uma infecção ou sepse”, afirma. Para prevenir, a infectologista diz que é preciso usar sapatos fechados com meias e controlar o ambiente. “Nesse caso, é preciso oferecer uma boa condição sanitária. Quando há um ambiente com infestação é preciso ser controlado com a dedetização”, finaliza.


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