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Idosa maltratada pela própria filha vem a óbito no HRT

Leila Maria Marçal, 69 anos, foi encontrada em péssimas condições de higiene, sem dentes e com diversas feridas — uma delas deixava o pulmão à mostra

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Por Camilla Germano e Willian Matos
redacao@grupojbr.com

A idosa de 69 anos, cuja filha cometia maus-tratos, veio a óbito na noite de quarta-feira (15). Após a Polícia Civil (PCDF) realizar o resgate, Leila Maria Marçal foi levada para o Hospital Regional de Taguatinga (HRT), mas não resistiu aos ferimentos. A morte foi confirmada ao Jornal de Brasília.

Após uma denúncia feita pelo médico chefe da equipe do Núcleo de Atendimento Domiciliar (NRAD) do Hospital Regional de Taguatinga, na última terça (14), Leila Maria foi encontrada dentro de sua residência, em Taguatinga, em péssimas condições. A vítima vivia junto com a filha, Flávia Marçal, 38, que foi presa em flagrante e autuada nos crimes de omissão de socorro, exposição de perigo e apropriação do dinheiro mensal que a mãe recebia no valor de R$ 3,9 mil.

Leila Maria vivia em estado vegetativo há cerca de 10 anos. O Estado fornecia alimentação e fraldas.Porém, a aposentadoria no valor de R$ 3.900 reais era utilizada pela filha para benefício próprio.

O estado em que os policiais encontraram a casa era de abandono. De acordo com os policiais, a vítima estava em situação de “cadáver vivo”, de acordo os policiais no local. A idosa não tinha dentes, estava muito magra e desnutrida, trajando apenas uma fralda suja de urina e fezes, e estava coberta com um lençol velho. Além disso, ela tinha diversas feridas (escaras) abertas pelo corpo, inclusive uma delas com exposição do pulmão, razão pela qual foi levada pela ambulância para o Hospital Regional de Taguatinga (HRT), tendo o médico informado que iria se submeter a uma cirurgia imediatamente devido à gravidade da ferida.

De acordo com a delegada, no final do ano passado houve uma primeira denúncia anônima, sobre maus tratos contra a vítima, mas que quando a perícia chegou no local não identificou nada anormal nas condições em que a vítima estava. Além disso, o Núcleo de Atendimento Domiciliar (NRAD) do Hospital Regional de Taguatinga, responsável pela denúncia de terça-feira, fazia visitas frequentes na casa e não tinha notado nada anormal nos cuidados da vítima anteriormente.

Depoimento

Em depoimento à Polícia Civil, Flávia informou que usava o dinheiro que a mãe recebia para comprar roupas e, recentemente, um celular. Além disso, ela afirmou colocar o dinheiro em uma poupança para fazer um funeral digno para a mãe. A conta, no momento, só tem R$ 50.

“O que nos surpreendeu foi a frieza com que ela falou sobre usar o dinheiro para fazer o funeral para a mãe, como se ela não tivesse entendendo as questões de humanidade e cuidados com a mãe”, afirmou a delegada-chefe da Decrin, Angela Maria dos Santos.

Além disso, quando questionada sobre a possibilidade de contratação de uma cuidadora para a mãe, Flávia afirmou que não contratou ninguém porque sempre vê notícias de maus tratos a idosos com esses tipos de serviços.

Liberada após fiança

Flávia foi presa em flagrante e foi autuada nas penas dos Artigos 97, 99 e 102 do Estatuto do Idoso (Lei n. 10.741/03). Ela foi liberada mediante a fiança de R$ 2,5 mil ainda na terça (14). “As penas, infelizmente, são muito curtas. Cada uma entre seis meses e um ano. Todas sujeitas a fiança. Encaminhamos a denúncia para o Ministério Público e o caso segue em investigação”.


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