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Grupo lucrou milhões com dados de contracheques de servidores federais

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Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

Três homens de 36, 37 e 38 anos são suspeitos de obter informações de contracheques de servidores federais pelo sistema do Ministério do Planejamento para criar documentações falsas e, em seguida, aplicar golpes em bancos. O trio foi preso temporariamente nesta semana pela Polícia Civil no Distrito Federal e em Goiânia (GO). A lista dos crimes cometidos é vasta: falsidade ideológica, falsidade documental, uso de documento falso, invasão de dispositivos informáticas, estelionato e lavagem de dinheiro. Apesar de não haver um valor final, a PCDF acredita que o esquema lucrou milhões, tendo em vista que em único empréstimo eles conseguiram R$ 500 mil.

O grupo é alvo da corporação pela segunda vez. Em setembro do ano passado, a Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf) deflagrou a operação Hermes, pela qual identificou um lucro de pelo menos R$ 1,8 milhão em golpes de uma única instituição financeira. Os homens, porém, são investigados há um ano e meio.

Segundo a delegada Isabel de Moraes, diretora da Difraudes da Corf, nas duas operações cerca de 1,7 mil cartões clonados foram apreendidos. O grupo atuava em todo o território nacional. “Eles invadiam o Sigepe, o sistema de dados do Ministério do Planejamento, e conseguiam dados de servidores federais, principalmente auditores. Depois, faziam documentações falsas e iam até as instituições bancárias e pediam empréstimos de altos valores: de R$ 300 mil a R$ 500 mil”, explica.

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Segundo a delegada Isabel de Moraes, mais de 1.700 cartões foram apreendidos. Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília

Como o salário dos servidores é alto, o grupo não causava nenhuma desconfiança. Com os empréstimos em mãos, eles dispersavam os valores para contas físicas e jurídicas. Inclusive, o grupo chegou a criar empresas de nutrição, como lojas especializadas em vendas de suplemento, lojas de roupas infantis e empresas de fachadas para lavar o dinheiro, onde injetou o capital.

“Os documentos eram muito bem elaborados e bastante enganadores. A Corf passou a investigar depois que uma das instituições financeiras percebeu que se tratava de um golpe. Quando a gerente foi fazer uma cobrança, o servidor, que era um auditor fiscal, não reconheceu o empréstimo e eles descobriram que tinham sido vítimas de um golpe”, afirma Isabel.

Alta complexidade

A forma de atuação do grupo chama a atenção da Polícia Civil. Para a delegada, a associação criminosa vive do crime. “Eles trabalham com o crime há bastante tempo. É possível afirmar isso por conta da complexidade, da forma como eles agem. O esquema criminoso é muito perfeito e complexo. Não é para quem entrou no crime agora, não é para amador”, alerta a delegada Isabel de Moraes.

Entre os documentos apreendidos estão: títulos de eleitor, carteiras de trabalho, CPFs e carteiras de identidades. Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília

Presos temporariamente

Dois dos três homens são conhecidos da Polícia Civil. Frank Oliveira Garcia, de 36 anos, já estava preso. Na época da primeira da operação, em setembro, ele foi preso em flagrante em São Luís (MA). Na capital maranhense, ele ficou um tempo no presídio de Pedrinhas e depois foi transferido para a capital.

Ítalo Gomes Carneiro Lamounier, 37 anos, havia sido preso temporariamente na primeira operação. Mas foi solto 30 dias depois. Agora, homem foi preso em um apartamento de alto padrão em Águas Claras.

Em Goiânia, Antônio Carlos da Silva Júnior, 38 anos, também foi preso em um residencial de classe alta. Antes de a polícia chegar, ele confessou que ateou fogo em documentos falsos. No entanto, agentes ainda conseguiram apreender 15 cartões “black” – destinados a clientes que movimentam altos valores. A suspeita é de que ele tenha participado somente na administração do dinheiro e definia para quais empresas os empréstimos seriam repassados.

As investigações continuam para identificar se há mais vítimas entre servidores e instituições bancárias, além de apurar de que forma os homens conseguiam invadir o sistema do Ministério do Planejamento. A polícia não descarta a possibilidade, mas alega que, por enquanto, não há indícios de servidores que ajudaram.

Ministério desconhece operação

Por nota, o Ministério da Economia afirmou que não foi notificado oficialmente sobre a investigação. Por isso, “não é possível se manifestar”. “O ministério reafirma que o sistema é seguro e mantido pelo Serpro, que aplica as melhores práticas de segurança da informação do mercado”, esclareceu.

Confira a explicação da delegada de como o grupo agia: 


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