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Grileiros tinham ajuda de servidores para tomar terras. PCDF investiga

Servidores públicos avisavam aos grileiros quando e onde as autoridades iriam combater as irregularidades

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Willian Matos
redacao@grupojbr.com

Buscando desarticular organização criminosa especializada em invasão, grilagem e venda de terras públicas no Distrito Federal, composta por, no mínimo, 11 pessoas, a Delegacia do Meio Ambiente (Dema) cumpre 11 mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão na manhã desta quarta-feira (12). Atualmente, os grileiros atuavam na Granja Modelo, região do Riacho Fundo I preservada para a diversidade biológica da fauna e flora locais, bem como para a qualidade dos recursos hídricos disponíveis.

As investigações da Polícia Civil, que deflagrou a Operação Generous nesta quarta (12), dão conta que, desde o início do ano, servidores públicos repassavam informações privilegiadas à organização. Isto é, eles informavam aos grileiros quando e onde iriam acontecer operações de combate às invasões e construções irregulares, para que eles conseguissem impedir derrubadas e intervenções das autoridades. Um destes funcionários é o assessor de gabinete da deputada Telma Rufino, Rogério Barbosa Carneiro.

Granja Modelo fica às margens da BR-060, via que liga Brasília a Goiânia. Foto: Divulgação/PCDF

Além de atuar na Granja Modelo, investigações desconfiam que eles faziam parcelamento irregular do solo em outras regiões do DF. A organização tinha estrutura hierárquica bem definida, como em uma empresa. Enquanto uns elaboravam documentos falsos para afirmar que os lotes tomados eram deles, outros ficavam com a tarefa de demarcar os terrenos, construir as edificações e, posteriormente, vender os lotes.

Extorsão e ameaça

Os investigados são suspeitos de cometerem crimes de extorsão e ameaça contra quem se opusesse a negociar os lotes da forma que eles quisessem, como explica o delegado da Dema, Marcelo Cerqueira. “Foram também praticados os crimes de extorsão e ameaça contra pessoas que se sentiram lesadas com a negociação de lotes na região. Os sujeitos […] ameaçaram as pessoas que denunciaram as condutas criminosas aos órgãos públicos e à própria Polícia Civil”. Eles se apresentavam como donos das terras que são, na verdade, da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap).

Todos respondem por associação criminosa, parcelamento irregular do solo, dano ambiental, falsificação de documentos, extorsão e ameaça.

Essa organização era bastante estruturada, hierarquizada e com distribuição de tarefas, onde cada indivíduo — dentre eles um funcionário público, tinha função específica na prática das condutas ilícitas. Este servidor se valia do cargo para obter informações privilegiadas e antecipadas acerca de investidas de órgãos públicos no combate à invasão de terras no Distrito Federal.

Os sujeitos tinham por modus operandi, ainda, vender um lote a mais de pessoas diferentes, e ainda ameaçaram as pessoas que denunciaram as condutas criminosas aos órgãos públicos e à própria Polícia Civil



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