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Golpe no Facebook lesa pessoas e empresas

Grupo Prince$$ Company, que chegou a ter 500 mil integrantes, forjava sorteios de passagens e outros produtos e serviços que eram sempre ganhos pelas próprias administradoras

Publicado

em

Foto: João Pedro Rinehart

Grupo de sorteios sob suspeita

Empresários que se dizem lesados vão à polícia prestar queixa contra a página Prince$$ Company

Olavo David Neto e João Pedro Rinehart
redacao@grupojbr.com

Empresários, empreendedores e membros acusam o grupo Prince$$ Company, no Facebook, de praticar estelionato virtual, forjando e direcionando sorteios dentro da comunidade em favor da proprietária, Camila Martins Ferraz.

De acordo com a denúncia, a administradora da página, que chegou a ter 500 mil membros antes de ser desativada, propunha contratos para quem quisesse anunciar um produto ou serviço no grupo, cobrando valores que iam de R$ 500 a R$ 2600, além de manipular os sorteios para que Camila e moderadoras da página ficassem com os prêmios.

Num dos áudios obtidos com exclusividade pelo Jornal de Brasília, Camila aparece falando com uma suposta beneficiada sobre o medo de ser desmascarada. “O negócio que eu tenho medo é de alguém da sua família falar para alguém, ou para a própria noiva, que pagou por essa festa, por mais que o valor seja super mínimo, que isso dá cadeia para a gente“, diz Camila.

Uma das empresas lesadas pelo Prince$$ Company é a El Turismo. “Fizemos parceria com o grupo envolvendo os nossos serviços turísticos em troca dos serviços de divulgação. Fiz um depósito de R$ 500, além de oferecer uma viagem com tudo incluso com direito a acompanhante para a ganhadora de um concurso plus size que já tinha vencido no ano passado”, explica Dayana do Carmo, proprietária da agência de viagens. “Depois de remarcar por várias vezes a viagem, Camila disse para não contemplar mais a vencedora. Fechei, então, seis meses para divulgar um pacote para Arraial do Cabo e ela pediu duas vagas para sortear no grupo. Descobri que ela já tinha as ganhadoras marcadas, sendo que o sorteio nem havia acontecido ainda.”

De acordo com denúncias de outros empresários, que preferiram não se identificar, a empreendedora costumava ficar com parte dos produtos de sorteios para si e, quando questionada, excluía a pessoa do grupo e passava a fazer ameaças. “Ela me mandou mensagem dizendo que ia me destruir e varrer do ramo das bolsas personalizadas em Brasília“, relata uma empreendedora. “Não satisfeita, ela ligou para o meu pai dizendo que eu iria presa e que ele deveria ir atrás da guarda do meu filho.” Além do ataque individual, segundo as denúncias, as moderadoras do grupo empreendiam uma difamação digital em massa, com comentários negativos sobre as empresas em avaliações de qualidade.

Esquema organizado

Tudo era organizado via mensagem e o grupo tinha “consultoras” que vendiam planos de marketing digital. Camila oferecia um certo número de postagens semanais na rede em troca de quantia em dinheiro e permuta de serviços ou produtos. Caso aceitasse, o contratante também recebia a proposta de oferecer uma quantidade de serviços ou produtos para a dona do grupo. Dessa forma, Camila disponibilizaria parte desses para um sorteio a ser realizado no Prince$$ Company.

Em nota, Camila nega as acusações. “Trabalhávamos de forma que causasse impacto aos nossos parceiros para se fazerem conhecidos. E assim, seguia sempre sucesso; tanto que tínhamos parceiros há mais de ano que renovavam fielmente.”

Sobre as denúncias, Camila afirma que as permutas eram remunerações ao seu trabalho de marketing pelo grupo. “Eu não cobrava para postar, eu cobrava para eu e minha equipe de marketing darmos destaque.”

Ganhadoras eram sempre moderadoras

A parceria com a empresa El Turismo rendeu a Camila uma viagem a Caldas Novas, em Goiás, no final de fevereiro. Em 12 de abril, outra excursão ao interior goiano, desta vez com os filhos. A terceira irritou a contratante. “Era tudo incluso, comida, hotel, e ela ainda queria ingresso para show”, comenta Wesley, proprietário. Questionada, Camila ofereceu um pacote à empresa para celebrar o aniversário do filho dos proprietários com 60 convidados numa casa de festas. Logo o número se reduziu a 30, e a festa jamais aconteceu.

Apenas depois das denúncias que a El Turismo publicou na internet o proprietário soube que a proposta de Camila envolvia mais uma permuta irregular, desta vez com a Magic Fest, que disponibilizara o espaço para um sorteio no grupo. Os questionamentos dos donos da Magic batiam com as reclamações de outros anunciantes.

“Todo mundo dizia que as ganhadoras eram sempre moderadoras do grupo. Estava tudo combinado”, denuncia Dayana, sócia da El Turismo.

Até o momento, 12 empresas procuraram os advogados Lalesca Maria e Matheus Martins, do escritório Bispo e Martins, para entrar com processos judiciais. “A gente vai abordar os crimes contra a honra”, disse Lalesca. “Vamos atuar no quesito de direito privado. As ações penais públicas ficam a cargo do Ministério Público”, completou a advogada. A assessoria do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) não confirmou se há movimentação no órgão contra a Prince$$ Company ou qualquer integrante do grupo.


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