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“Foi um milagre”, diz homem que ajudou no socorro em Vicente Pires

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Jéssica Antunes
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“Na hora, não pensei que o carro poderia desabar. Tinha que dar a vida pelo outro e conseguir resgatá-los foi um milagre”, desabafou John Lopes, o homem que mobilizou moradores para fazer um cordão humano e retirar o casal de idosos que estava no carro engolido por uma cratera em Vicente Pires.

O incidente na Rua 3, próximo à EPTG, assustou moradores, passantes e toda a população do Distrito Federal no início da tarde de terça-feira (22). O estudante, de 21 anos, saía de casa quando se deparou com a cena e se surpreendeu com a atitude dos cidadãos. “As pessoas estavam todas filmando, tirando foto. Pensei que não tinha ninguém dentro, quando vi que os dois estavam lá, tinha que fazer alguma coisa”, relata Jhon. Junto do técnico automotivo Cleyton dos Santos, 28, ele fez uma corrente humana para resgatar as vítimas.

“Depois de 30 segundos da retirada dos idosos, o carro caiu. O buraco foi tampado há menos de dez dias. O governo cavou, colocou manilha, mas não se preocupou com a enxurrada”, reclama Cleyton.

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Cleyton dos Santos, técnico automotivo que auxiliou no resgate das vítimas. Foto: Matheus Albanez/Jornal de Brasília.

A cratera aberta no meio de Vicente Pires e responsável por engolir um carro ocupado por dois idosos era mais que previsível. A cidade foi erguida irregularmente com obras improvisadas e recebe intervenções de infraestrutura quase dez anos depois da oficialização da área como região administrativa. Entre lama e poeira, máquinas e operários, os moradores enfrentam transtornos que surgem diariamente. O governo culpa ligação clandestina, mas admite não ter controle das irregularidades.

Foram quase cinco minutos de tensão. Osvaldo da Silva, 76 anos, dirigia a caminhonete com a esposa, Maria Marluce Pereira, 73, no banco do carona. “Chovia forte e a água estava muito alta. Quando parei, vi que a força da enxurrada era muita. Pisei fundo, mas o carro já começou a descer no buraco”, conta.

Naquela rua, o asfalto foi retirado para as obras de infraestrutura. Na sexta, uma van escolar atolou poucos metros à frente. “Estamos trabalhando com galerias de esgoto e captação de águas pluviais. Em função das chuvas que estão se intensificando, não tivemos tempo de refazer o asfalto nesse ponto”, afirmou o administrador regional Charles Guerreiro.

Osvaldo da Silva, vítima do incidente em Vicente Pires. Foto: Matheus Albanez/Jornal de Brasília.

Culpa de quem?

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Para o GDF, a culpa do incidente é de uma erosão provocada por uma ligação não registrada de água e esgoto, encontrada no início da execução. “Ela foi isolada, mas teve lançamento irregular que sobrecarregou a rede e provocou erosão”, afirma o secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos, Antônio Coimbra.

Ele admite que há outros pontos com redes obscuras na cidade, mas seriam impossíveis de identificar e controlar. “Teríamos que furar toda a cidade”, justifica. Assim, não descarta que ocorra outras vezes. Segundo a pasta, a rede será interligada ao sistema de drenagem “para solução definitiva do problema”.

Pista bloqueada sem prazo

De acordo com a coordenadora de Ações de Risco e Desastre da Defesa Civil Solange Ribeiro, a área vai ficar isolada por tempo indeterminado por questão de segurança a pedestres e veículos. De forma emergencial, britas preencheram o buraco para evitar aumento da erosão.

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“Os motoristas devem ficar tranquilos para trafegar nas pistas que recebem intervenções do governo. E é seguro, mas são necessários cuidados com chuva,como não enfrentar enxurradas”, alertou a servidora.

A empresa responsável pela obra de infraestrutura na região vai arcar com os prejuízos. Ela foi notificada para resolver o problema, mas não há prazo definido para a conclusão do reparo.

A Polícia Civil deve investigar as causas e responsabilidade do incidente.

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Ponto de vista

Engenheiro civil patologista de edificações, pavimentações e barragens, Dickran Berberian aponta problemas na compactação do solo sobre as galerias de água pluviais. “Solos vermelhos do Centro-Oeste apresentam problema congênito. No solo seco, tem boa resistência, mas perde quando saturado com a água”, diz. De acordo com ele, na argila fofa, a água tem poder de destruição. “O prognóstico não é dos melhores porque nada impede que outras apareçam, até mesmo porque as chuvas só começaram”, afirma. Agora, nada pode ser feito, a não ser isolar o corredor sob a escavação para impedir novos incidentes. Depois, ele recomenda que as camadas sejam recompactadas em 20cm.




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