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Família será prioridade de Juliano Costa Couto após deixar o comando da OAB

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Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

Juliano Costa Couto planeja focar na vida familiar e pessoal após deixar o comando da OAB. Pelo menos no ano de 2019. A consolidação da cura do câncer e a limpeza do nome, citado no escândalo da Lava Jato, também serão prioridades. Contudo, após o descanso o advogado não descarta voos na política. Em entrevista no escritório particular no sábado (24), Costa Couto falou ao Jornal de Brasília sobre as lutas da gestão para o DF e para a advocacia. Em busca de novos ventos, planeja retomar um hobby desportivo: a navegação.

Qual é o patamar da OAB hoje para o DF?
A OAB tem lutado muito e contribuído para a vida da sociedade brasiliense, inclusive em momentos contundentes. Por exemplo, foi nossa a inciativa de exigir legal trato às taxas extras cobradas pela Caesb e a Adasa, na crise hídrica, no que depois fomos acompanhados pelo Ministério Público e Defensoria. O que ensejou a celebração de um acordo. Foi nossa também a in iniciativa de entrar com uma ação civil pública exigindo que o Governo do Distrito Federal desse manutenção às edificações públicas, após a queda do viaduto. Essa liminar foi deferida, os acordos estão sendo feitos e celebrados. Fomos nós que também pedimos a queda de sigilo da operação Drácon, que afastou os dirigentes da Câmara Legislativa.

E para o advogado?
Ao mesmo tempo tivemos também um papel, quer nos parecer, importante na vida do advogado. No sentido em que, reconhecendo hoje que a advocacia majoritariamente é composta por advogados iniciantes, são 44% da nossa base, fizemos o que nós chamamos de Escritório Modelo. É uma estrutura pronta para a jovem advocacia iniciar o seu trabalho, com salas de reunião, computadores, estações de trabalho gratuitas. E também temos a Escola Superior de Advocacia (ESA), em que tentamos preparar o bacharel em Direito recém-aprovado no Exame da Ordem para o exercício da advocacia. Ensinando-o a fazer audiências, a se comportar na frente de um cliente, fazer propostas. É a advocacia na prática. A Ordem, eu entendo que tem ocupado, sim, o seu espaço. Óbvio que é uma obra inacabada. Ela sempre tem o que crescer, o que avançar. Mas eu estou satisfeito com minha gestão. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, nós estamos com uma avaliação de aprovação de 86%, o que me deixa muito feliz.

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Que legado sua gestão deixa?
O maior legado que alguém pode ter é o reconhecimento da classe. Eu, particularmente, apesar de todos os percalços que vivenciei nos últimos três anos, problemas políticos internos graves, enfrentei um câncer e uma quimioterapia no meio da gestão, enfrento uma denúncia no meu entender completamente equivocada e persecutória, mas mesmo assim saio com essa aprovação. São três pesquisas que indicam esse mesmo índice e fico muito feliz. Mas, no que tange ao aspecto institucional, nós oxigenamos a Ordem. Antigamente, para entrar em uma comissão na Ordem, para fazer parte da OAB, o advogado ou advogada tinha que ter alguém que indicasse, uma recomendação. Eu não fiz isso. Hoje, para participar da Ordem, você só tem que ter desejo e força de trabalho. Então, para entrar em uma comissão basta preencher um formulário na internet. Eu digo que Ordem não é um ônibus ou avião com lotação. A Ordem é um país. Todos que partilharem dos mesmos valores e anseios devem dele fazer parte e ser aceitos. Então, esse legado de trato democrático, de acolhimento da jovem advocacia. Na parte física e de edificações, eu tenho orgulho de ter criado duas subseções: a de São Sebastião e a do Guará. E ter edificado, feito prédio próprio para a advocacia, nas subseções do Núcleo Bandeirante, Paranoá e Samambaia . Permitindo que os advogados dessas localidades também tenham acesso à estrutura da Ordem. Além disso, reformamos muito bem o Clube do Advogado, as piscinas, iluminamos as quadras. Tenho muito orgulho do Escritório Modelo. Ampliamos o sede da seccional, inauguramos um de 240 metros quadrados, no edifício OK Office Tower, no Setor de Autarquias Sul. E inauguramos um, agora em setembro, na subseção de Taguatinga. E por último a reforma completa do prédio da Caixa de Assistência dos Advogados, presidida pelo doutor Ricardo Peres. E no prédio da OAB inauguramos um novo mezanino, o centro de inclusão digital e novas estruturas. Foi esse o legado de uma Ordem democrática, participativa e presente na vida do advogado.

Adversários alegam que faltou transparência na sua gestão.
Todos balancetes da Ordem estão disponíveis no nosso site. Todos os meses lá estão. As minhas contas foram aprovadas com louvor pelo Conselho Federal em 2016 e 2017. Inclusive estes três trimestres de 2018, eu, como um bom mineiro, já adiantei as suas auditorias. Eu tenho absoluta tranquilidade. A minha gestão é totalmente transparante. E fico absolutamente tranquilo sobre qualquer menção. E digo mais, tenho muito orgulho: eu acabei com o Baile do Advogado. Não gasto dinheiro com festas, convescotes nem com viagens. Centralizei os dispêndios da Ordem com estrutura. Trocamos 250 computadores nas salas dos advogados para que eles pudessem acessar o processo judicial eletrônico. Nós priorizamos os gastos. Desde a gestão do presidente Ibaneis, eu era diretor, nós vendemos os carros de representação.

Por que apoia Jacques Veloso?
É importante dizer que, sim, política se faz em grupo, não se faz individualmente. Veja que da gestão de Ibaneis para a minha já houve uma renovação do Conselho da Ordem de quase 50%. E agora, da minha para a de Jacques, se ele for eleito, nós teremos essa mesma renovação de 50%. O que significa dizer que da gestão de Ibaneis para a de Jacques Veloso, a manutenção do grupo é de aproximadamente 30% das pessoas. O grupo é feito muito mais por propósitos do que por pessoas. Há uma consciência da necessidade de oxigenação da Ordem. Tanto é que, nem presidente Ibaneis, quanto eu somos candidatos à reeleição. Jacques Veloso já se comprometeu a não ser. E veja, dos diretores da diretoria de Jacques ele é o único que estava na minha gestão. Os quatro demais, sendo três mulheres, são novas. A renovação no Conselho Federal da OAB é de 100% e no Conselho Seccional é de 40%. Somos um grupo que anda junto de mãos dadas. E acredito que Jacques Veloso é o advogado mais preparado para gerir e representar a advocacia nos próximos três anos. É um homem de bem, leal, jovem, mas experiente, com seus 43 anos de idade. Conhece o sistema OAB e conhece a advocacia do DF. E tem sim o meu apoio.

E o seu futuro?
Sou primeiro presidente que não sou candidato a nada. Minha família pediu resguardo, por causa da minha doença. Estarei próximo dela. Voltarei com força total a tocar o meu escritório. Tenho um filho, Gustavo Costa Couto, se formando em Direito, já aprovado no exame de Ordem. Quero estar perto dele e da minha filha Manuela, assim como de minha esposa Aline. Então, 2019 é um momento de dedicação profissional e pessoal, sem deixar de estar de perto da advocacia e da OAB, duas paixões minhas. Não pretendo ocupar nenhum cargo público, continuar consolidando a cura da minha doença e do resgate em absoluto da imagem profissional, afastando das ilegalidades e abusos cometidos contra mim. Em 2020, quem sabe? Deixa o tempo correr. Depois de dar uma respirada, vamos avaliar o quadro. Estarei mais perto da academia, voltando a minha apaixonante carreira de professor.

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Depois do descanso, pensa na política?
Não dispenso cumprir missões que a sociedade ou mesmo a advocacia apresentem. Não sou um homem de fuga. Sou um homem de enfrentamento. Hoje meu projeto é seguir no meu escritório e perto da minha família. Recebi com muita honra convites para ainda em 2018 concorrer a mandatos eletivos. Mas a minha missão era com a Ordem. Quem sabe. Se for convocado pela sociedade de Brasília, ou novamente pela advocacia, não fugirei da raia e estarei sempre à disposição.

 


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