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Cidades

Exaustão afeta enfermeiros

Conselho da categoria denuncia que profissionais do Hospital de Ceilândia estão sobrecarregados

Catarina Lima

Publicado

em

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O presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-DF), Marcos Wesley, disse que a entidade já fez tudo que estava a seu alcance com relação às denúncias de sobrecarga de trabalho dos profissionais que atuam no Hospital Regional de Ceilândia (HRC). “Cada enfermeiro está desenvolvendo as atividades de quatro profissionais e os técnicos chegam a fazer o trabalho de cinco. Os profissionais estão trabalhando exaustos, numa profissão em que não se pode cometer erros”, disse Wesley.

Segundo informou o presidente do Coren, a entidade já notificou o Ministério Público do Trabalho e a Secretaria de Saúde (SES). “Esperamos agora que a Secretaria tome uma providência para resolver a questão”, frisou.

A SES, por sua vez, informou que desde junho o HRC passou a atender apenas pacientes de covid-19. Ao mesmo tempo, para ampliar a capacidade de atendimento, o pronto-socorro da ortopedia e a cirurgia geral foram transferidos para os hospitais regionais de Santa Maria e de Taguatinga.

É importante destacar que os profissionais que atendem na ala destinada aos casos de covid-19 são distintos dos que atendem ao pronto-socorro adulto geral, não atuando um mesmo profissional nos dois ambientes. Para reforçar o atendimento no HRC houve a ampliação da carga horária de 138 profissionais. Além disso, o processo seletivo temporário foi realizado justamente para ampliar e reforçar o quadro de servidores nas unidades de atendimento voltados para a covid-19”, informou a Secretaria.

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Além de Wesley, outro membro do Coren que reclama da falta de profissionais no Hospital da Ceilândia é o vice-presidente da entidade, Thiago Pessoa. “Há problemas no HRC, principalmente quanto à falta de profissionais em todos os setores. Na ortopedia, em vários períodos não há enfermeiros. Na maternidade os enfermeiros precisam cobrir o centro cirúrgico”, alertou Pessoa.

Denúncias de irregularidades no HRC feitas ao Sindicato dos Enfermeiros são recorrentes. Vão desde a falta de local adequado para internação de pacientes com coronavírus e casos suspeitos, passando pela escassez de equipamentos de proteção individual (EPIs) e indo até o controle inadequado do vírus em profissionais que contraíram a doença. No dia 3 de agosto o Coren recebeu duas denúncias acerca de deficit de profissionais. Na primeira o (a) denunciante alegava que no HRC os enfermeiros estavam trabalhando abaixo do quantitativo necessário para a quantidade de pacientes. “Dois enfermeiros para cinquenta pacientes, sendo 10 entubados, o restante em cuidados intermediários”.

Na outra denúncia, o (a) profissional pedia ao Coren que fiscalizasse aquela unidade, pois de acordo com a escala de trabalho, existiam apenas dois profissionais para cuidar de todos os pacientes graves – entubados. “Enfim, eu estou digitando e chorando, pois acabei de sair de um plantão caótico, em que os pacientes estão morrendo por estarem desassistidos. Está desesperador”, relatou o (a) profissional em sua denúncia.

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“Já fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Fiscalizamos as denúncias, apontamos as irregularidades, notificamos os responsáveis, expusemos a situação na imprensa e acionamos o Ministério Público”, revela o presidente do Coren-DF, Dr. Marcos Wesley.

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“Também realizamos a doação de EPIs para os profissionais do HRC. Esperamos que o GDF faça as contratações necessárias, pois os servidores estão em uma situação desumana, os pacientes estão sem a assistência necessária e o hospital está à beira o colapso”, finaliza ele.




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