Raphaella Sconetto
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Enquanto os registros de estupros, as tentativas de homicídio e os roubos a transporte coletivo aumentaram no mês passado, crimes contra o patrimônio e homicídios baixaram na capital federal. Os dados foram apontados ontem pela Secretaria de Segurança Pública.
As ocorrências de estupro continuam a crescer. Em agosto foram registradas 82 ocorrências e, em comparação ao mesmo mês do ano passado, houve aumento de 30,2% – quando foram 63 casos. Ou seja, a cada dia do mês passado, as delegacias registraram quase três casos.
Os estupros de vulneráveis seguem no topo da lista. Das 82 ocorrências, 56 foram contra crianças até 14 anos, pessoas com algum tipo de deficiência ou quando a vítima não consegue oferecer nenhuma resistência. Em 98% dos estupros de vulneráveis, a vítima e o autor tinham algum tipo de vínculo, sendo que 96% ocorreram em locais fechados, dificultando a ação da polícia.
Para o secretário de Segurança, Edval Novaes, o aumento dos registros se deu por conta do incentivo do governo ao registro do boletim de ocorrência. “Várias campanhas têm sido feitas no sentido de que a população, em especial as mulheres, façam o registo. Esse é um apelo que a gente renova aqui: independentemente do crime, tem que ser registrado, ou fisicamente nas delegacias ou pela internet, na delegacia virtual”, aponta.
Crimes que apresentaram queda de janeiro a agosto
- Roubo a pedestre
– 2016: 26.417
– 2017: 25.375- Roubo de veículo
– 2016: 3.647
– 2017: 3.320- Roubo em comércio
– 2016: 1.956
– 2017: 1.451- Roubo em residência
– 2016: 616
– 2017: 583- Furto em veículo
– 2016: 9.000
– 2017: 8.336
Assassinatos
As tentativas de homicídio também tiveram alta. Em agosto de 2016 foram 74 tentados, contra 80 neste ano – aumento de 8,1%. Por outro lado, os homicídios consumados tiveram uma queda de 33,3% nas ocorrências – 48 no ano passado e 32 em agosto de 2017 – e redução de 37,3% das vítimas.
“Não temos ainda uma explicação cabal para a redução dos homicídios e o aumento dos tentados. Mas, sem dúvida alguma, o socorro melhor por parte do Corpo de Bombeiros, por parte da rede de saúde, e a ineficácia do meio, ou seja, o aumento nas tentativas com arma branca, são um conjunto de fatores que pode levar a isso. Mas não temos um diagnóstico correto”, alega Novaes.
Os crimes contra o patrimônio também registraram queda. Quando comparado com o mesmo mês de 2016, a diminuição foi de 546 ocorrências. Houve redução nos índices de todos os crimes do grupo, o que inclui roubos a pedestres, de veículos, em transporte coletivo, em comércio e em residência, além de furto em veículo.
Sensação de segurança
Segundo pesquisa encomendada pela Secretaria de Segurança, a sensação de insegurança de pessoas no bairro que residem durante o dia caiu ligeiramente: passou de 80,3%, em 2016, para 79,7% neste ano. As pessoas estão mais seguras também em ficarem sozinhas em casa, já que a sensação de insegurança diminuiu de 31,8% para 25%.
“Essa pesquisa foi feita antes da aquisição das novas viaturas da Polícia Militar, então essa redução não se deve necessariamente a isso. Uma série de outras coisas estão sendo planejadas, porque a sensação de segurança vai muito além de ações da polícia, mas também de outros fatores como a poda de árvores, vigilância, iluminação pública, e que vamos trabalhar em conjunto com outros órgãos do governo”, levanta Eval Novaes.
Os bons resultados, segundo ele, são fruto de ações conjuntas. “É um trabalho feito por todas as forças de segurança para que a gente possa estar no local e na hora que normalmente esses crimes acontecem. Analisando estatística, o histórico da criminalidade, para que o policiamento possa ser aplicado exatamente onde o crime está acontecendo”, conclui.