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Cidades

Estelionatário oferece dinheiro e cartões falsos

Delegado da Corf alerta que proposta vantajosa não passa de um golpe

Olavo David Neto

Publicado

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Usuário de grupos de Whatsapp vêm sendo surpreendidos há dias com uma oferta curiosa e ilegal: por algumas centenas de reais, cartões clonados, carteiras de motorista e de identidade e até notas fiscais fraudulentas podem ser compradas com o anunciante. O responsável, identificado como Nelson Azevedo, afirma ser de São José do Meriti, Zona Oeste do Rio de Janeiro, e tem na descrição do perfil empresarial no aplicativo de mensagens apenas a Barra da Tijuca como endereço da suposta instituição. Nos anúncios, preços tabelados e a promessa de entrega via Sedex de cédulas de reais e documentos falsos.

A reportagem entrou em contato com Nelson fingindo ser um potencial comprador das falsificações. Pelo aplicativo, ele detalhou os serviços prestados, mas se esquivou de perguntas a respeito da legalidade do negócio. “Aqui nosso trabalho funciona realmente, camarada”, diz o suposto estelionatário.

Pode ficar despreocupado. Tenho referência de clientes, tenho comprovante de pagamento de clientes, de hoje mesmo”, completa, afirmando a “total garantia” para o comprador.

Com suposto interesse numa carteira de habilitação da categoria “B” e no pacote de notas frias, o JBr. questionou o negociante a respeito da probabilidade do documento ser descoberto pelas autoridades.

Estelionatário-Nelson Azevedo: Foto:reprodução whatsapp

“As CNHs, camarada, são emitidas diretamente pelo Detran, sem precisar fazer aulas, nem provas, [nem] prontuário. Tudo certinho”, assegura.

A reportagem insistiu em saber se tudo era feito dentro da lei. “É, sim. Consta no sistema normalmente”, afirmou Nelson. “E passa por qualquer território nacional”, exclamou.

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Tanto o anúncio quanto o estelionatário expuseram que não há necessidade dos testes básicos para obtenção da carteira de motorista, nem qualquer outro tipo de comprovação de capacidade para guiar carros, motocicletas, ônibus e até caminhões. O único procedimento é repassar aos “intermediários” os números de RG e CPF, nome dos pais, uma assinatura num papel em branco, uma foto 3×4 e outra da impressão digital. Pelos anúncios divulgados via grupos indiscriminados de WhatsApp, um conjunto de comprovantes falsos custa entre R$ 200 e R$ 1.000.

Com elas, o comprador poderia alegar gastos de R$ 1.000 a até R$ 12 mil. Tudo com a garantia do próprio vendedor. “[São] Notas boas, de qualidade, idênticas às originais”, diz o comerciante. Questionado novamente se os papéis são falsificados, ele respondeu afirmativamente. As notas fiscais seriam enviadas no dia seguinte à solicitação, enquanto a documentação de trânsito levaria oito dias para ser viabilizada. Tudo enviado via Sedex, o serviço rápido dos Correios, com código de rastreamento e comprovantes.

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Crimes contra consumidor

De posso da conversa, O Jornal de Brasília procurou a Coordenação de Repressão aos Crimes Contra Contra o Consumidor, à Propriedade Imaterial e Fraudes (Corf) da Polícia Civil (PCDF). O coordenador, Wisllei Salomão, garantiu que a ação de Nelson Azevedo é um golpe, e que o possível comprador jamais receberia os produtos.

“A pessoa acredita na proposta, é atraída pela vantagem e não tem mais notícia quando transfere o dinheiro”, disse o agente. “Cabe lembrar que é ‘ladrão roubando ladrão’, pois comprar materiais dessa procedência também é crime”, acrescenta.

Mesmo assim, indicou que, caso a negociação se efetuasse a transação, Nelson seria enquadrado nos artigos 289 (“falsificar (…) papel-moeda de curso legal no país”, pelas notas frias), 297 (“falsificar, no todo ou em parte, documento público”, pela CNH) e 298 (“falsificar (…) documento particular”, pela clonagem de cartões) do Código Penal brasileiro. Somadas, as penas máximas chegam a 22 anos de prisão, mais multa nos três casos.

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