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Espaço Cultural Renato Russo é reaberto após cinco anos

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Beatriz Castilho
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Desde 2013 o espaço que divide ao meio a W3 Sul permanece fechado. Foram cinco anos movidos pela promessa de reforma e a incerteza de reabertura. Inicialmente marcada para ser entregue em março de 2017, a reabertura do Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul) foi adiada, várias vezes, por atrasos e mudanças no projeto e, finalmente, aconteceu neste sábado (30), permitindo que os brasilienses – tentem – respirar aliviados.

A fiação elétrica, estrutura predial e falta de acessibilidade foram motivos para a interdição do prédio cultural, feito pelo Ministério Público e Corpo de Bombeiros. No mesmo ano que foi fechado, o local recebeu uma pontada de esperança com o anúncio de obras de reativação.

Inicialmente a reforma foi cotada em R$ 5,6 mi. E, de acordo com a a Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal, terminou em R$ 6,2 mi, por conta da compra de equipamentos cênicos. Além da diferença de valores, houve mudança da fonte de financiamento, “Era da Terracap e depois foi negociado financiamento com o Banco do Brasil”, aponta a assessoria do órgão, em nota.

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A alteração de fonte foi apontada pela Secretaria como um dos motivos pela demora da entrega das obras. Foram várias previsões de entrega e, sem surpresa, adiamentos. A primeira, proposta nos projetos iniciais, era de entregar o local no terceiro mês do ano passado.

A parte interna sofreu alterações, mas nada que desvinculasse a essência da velha construção. O Espaço conta com biblioteca, espaço multiuso, sala de cinema, salas de teatro, galpão e mezanino. De acordo com a Secretaria de Estado de Cultura, houve mudança na modernização de equipamentos, substituição de todo o piso e teto, além de toda a estrutura hidráulica e elétrica.

Uma das adições prometidas pelo governo ainda não foi realizada, que é a criação de um memorial para o músico que intitula o local, a previsão é de ser entregue em agosto deste ano. Quando questionada sobre a homenagem, a Secretaria pontua “será a segunda parte da reforma. Por enquanto será reaberto o piso inferior, com os teatros, galerias, cineteatro, biblioteca, foyer e sala multiuso”.

História

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Em 1970, a W3 Sul abrigava um contexto um pouco diferente da realidade atual. Com uma maior movimentação comercial, o prédio da quina da 508 contava com um galpão vazio, que virou um representativo palco, espaço e cenário para a cara artística que nascia na cidade.

O professor emérito, e um dos fundadores do departamento de cênicas da Universidade de Brasília, João Antônio de Lima Esteves foi um dos pioneiros desse cenário. Ele conta que juntamente com um grupo de artistas, encontraram no vazio Galpão do local um universo para o teatro que borbulhava na recém capital.

“O cenário foi a estrutura do Galpão. Utilizamos toras de madeira da Novacap que ficavam em um depósito. O lugar foi extremamente utilizado, era nosso local, todos os grandes diretores de hoje passaram”, conta João.

Formalmente, o Espaço foi inaugurado em 75, e em 77 foi adicionado o Centro de Criatividade, espaço para aulas, ensaios e oficinas. Nove anos depois, o local passou por obras que criaram, dentro do ambiente, uma ponte entre a avenida frontal (W3), com os  fundos (W2), e só em 93 que houve a reabertura – já com o novo nome.

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Com as idas e vindas do local (fechamento dos anos 80/90 e de 2013), João aponta que a produção artística teve uma queda, mas se adaptou na busca de novos espaços. “Nós somos artistas e não queremos de fazer arte. Começamos então a utilizar espaços menores, mas demorou para atrair público”.

E se (re)adaptar constitui em um processo demorado. “Hoje até temos casas cheias em alguns espaços, mas ainda não temos a qualidade técnica que poderíamos ter com um espaço bem equipado”, afirma o veterano.

Além de retomar a movimentação do Renato Russo, é importante, para o professor emérito, pensar na importância do local. “Todos os teatros têm seus fantasmas, e os daquela época já se foram, [com a reabertura] é um reinício importante que a população vai comemorar. O jeito vai ser tomar posse dele logo no momento de inauguração, para chamar de seu e fazer para que volte a ter fantasmas”, conclui.

Passado e futuro

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Em 2009, o espaço ganhou uma nova cara. As paredes brancas da fachada ganharam cores e movimentos assinados por grafiteiros da cidade. Com a reforma, voltaram à cor inicial, se tornando novas telas para serem preenchidas no evento de inauguração. No sábado, Curujito, Mudof, Odrus, Siren, Toys e Vanz assinam, ao vivo, a nova arte do local.

Não é só o spray que marca presença. Para dar largada na utilização do local, a mostra coletiva Onde Anda a Onda ficará em cartaz durante 45 dias, movimentando a parcela de artes visuais. Além disso, artistas da cidade estarão na reabertura, como a cantora brasiliense Ellen Oléria, o cineasta Vladimir Carvalho, diretor de teatro Hugo Rodas e o artista Renato Mattos.

Em Abril deste ano, uma consulta pública foi realizada para questionar sobre o uso do espaço. “A Organização da Sociedade Civil que será parceira da secretaria no projeto de programação e ativação do espaço. O chamamento público para seleção da OSC já foi feito e está em processo de seleção”, afirma a Secretaria, em nota. Enquanto a programação não entra em ação, o órgão anuncia, no evento de estreia, as próximas movimentações do local.




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