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Cidades

Escs completa 18 e pede atenção

Estudantes dos cursos de medicina e enfermagem reivindicam mais investimentos para a escola

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Larissa Galli
larissa.galli@grupojbr.com

Há 18 anos, era fundada a Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs) do Distrito Federal, uma instituição de ensino superior pública, vinculada à secretaria de Saúde do DF. Com a maioridade alcançada pela escola, estudantes relatam os maiores problemas enfrentados, mas ressaltam também o orgulho de fazer parte da Escs.

A instituição oferece dois cursos de graduação na área da saúde: medicina e enfermagem. José Renato da Costa Nóbrega, de 21 anos, é estudante de Medicina na escola e atual presidente do Centro Acadêmico do curso. Ele entrou na turma de 2017 e disse ao Jornal de Brasília que percebeu algumas pioras na faculdade desde então. “A estrutura física piorou um pouco. Temos salas com buracos no teto, ar condicionado que não funciona e uma estrutura precária quando chove, mesmo nas partes mais novas da faculdade”, relatou.

Em relação aos corpo docente, ele contou que existe um clima de insegurança na escola. “Embora muitos tenham entrado, vivemos uma constante insegurança em relação a estabilidade deles. Muitos desistem de entrar pela baixa gratificação e não temos um quadro próprio da faculdade até hoje, o que dificulta bastante a segurança deles na Escs”.

Conforme explicou o diretor da Escola, Dr. Ubirajara Picanço, o corpo docente e o corpo administrativo da escola são formados por profissionais cedidos pela SES-DF. Segundo informações da direção, a faculdade conta com 212 professores, sendo 134 da medicina e 78 da enfermagem.

Pela primeira vez, o diretor da escola pôde ser escolhido por meio de uma eleição com a participação dos estudantes. Mas José Renato lamenta que a direção da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), que é a mantenedora da faculdade, continue sendo formada por indicação política do Secretário de saúde. “Corremos o risco de entrar uma pessoa que não entende como as coisas funcionam e que não percebe as reais necessidades da faculdade. Por sorte, temos um artigo no regimento que fala que pelo menos a direção da Escs só pode ser ocupada por algum professor, caso contrário poderia ser qualquer pessoa”, explica José Renato.

Segundo informou a secretaria de Saúde em nota, “a ESCS/FEPECS tem autonomia administrativa e financeira, com dotação orçamentária própria, repassada pelo Governo do Distrito Federal”. Ainda de acordo com a SES-DF, além dos servidores, o prédio da sede, na asa norte, e a Escola de Enfermagem, em Samambaia, também são cedidos pela pasta.

José Renato também pontuou que existem constantes reclamações sobre atraso nas bolsas de auxílio estudantil e criticou a ausência de um restaurante universitário para os estudantes. A respeito da biblioteca da faculdade, José Renato destaca que houve uma reforma recente e que a estrutura está boa, mas conta que o local fica fechado fora do horário de aula, que vai de 8h às 18h. “Também não temos atualização de livros nem wifi disponível para estudos”, completa.

Enfermagem

No campus de Samambaia, onde se concentram os estudantes de enfermagem, os problemas se estendem ainda para a segurança dos alunos. Segundo a presidente do centro acadêmico do curso, Gabrielly Nunes, de 22 anos, muitos dos estudantes já foram assaltados no caminho para a parada de ônibus. Além disso, quem estuda no campus de Samambaia também têm dificuldades com a estrutura do campus.

“Nosso campus era pra ser provisório, mas estamos lá há 9 anos. Esse campus é mantido e muito do que foi construído foi graças aos nossos discentes e ao corpo administrativo que se empenha em manter um espaço agradável para todos […] Além disso, a biblioteca é muito pequena, o espaço interno também, não há manutenção de equipamentos e muitas salas não tem ar condicionado. Quando chove, a água inunda o espaço, chegando até às salas e tornando o estacionamento um lugar cheio de lama”, detalha. “Muitos estudantes desistem do curso quando veem as condições as quais estamos sujeitos”, completa.

A prioridade de investimentos para os estudantes de enfermagem deve ser a união entre os campus. “Mas sabemos que para isso seria necessária uma reforma, ampliação ou então um novo local para criação de um campus definitivo em conjunto. Essa integração seria muito importante para ambos os cursos, para criar uma unidades na ESCS”, afirma Gabrielly.

Educação voltada para o SUS

Grande parte da carga horária dos estudantes da Escs acontece dentro dos hospitais públicos do DF. “Os hospitais acabam sendo nossas salas de aula, e isso pede ainda mais investimentos da secretaria de saúde para que o local seja adequado”, explica José Renato. Segundo ele, esse contato desde cedo com os hospitais é um diferencial da escola. “Aprendemos logo no início a ver o paciente como um ser que está inserido em um meio social e isso é um fator que predispõe a saúde dele. Nossa formação na Escs é muito humanista e essa metodologia é o nosso maior trunfo”, orgulha-se.

Apesar das dificuldades, a Escs promove os três pilares da educação superior: ensino, pesquisa e extensão. “Realizamos pesquisas e produzimos informações para e sobre hospitais da secretaria por todo o DF”, ressaltam os estudantes. Além da graduação, a escola também oferece cursos de mestrado, doutorado e residência médica e multiprofissional.

Segundo o diretor Dr. Ubirajara, 767 alunos estão matriculados na graduação, enquanto 1570 residentes cumprem mensalmente 471 mil horas de assistência. “Anualmente, isso soma mais de 5 milhões de horas em serviço na rede pública de saúde do DF”, detalha. Junto com os 94 estudantes de mestrado e doutorado, a Escs possui 2.431 pessoas em treinamento em 2019.

Saiba mais: 

De acordo com informações do CA de medicina, nesses 18 anos, a Escs formou mais de mil médicos e enfermeiros. “E os profissionais são de excelência. Escutamos esse feedback dos médicos que acompanham nosso serviço, com elogios e destaque para a nossa formação humanista”, afirma José Renato.

O estudante ainda explica que a missão principal da escola é formar profissionais para a para atuarem no Sistema Unificado de Saúde (SUS). “Muitos dos profissionais formados pela Escs voltam para a saúde pública e inclusive para a saúde do DF, então a gente consegue dar um retorno significativo para a população”, pontua.

José Renato lamenta que a instituição não receba a atenção necessário do governo. “Ficamos tristes com o descaso com a saúde pública no Brasil como um todo. Isso afeta diretamente a nossa formação; e também com o descaso com a educação pública. Sabemos que existe um movimento para minar as instituições de ensino superior públicas e isso prejudica muito a gente. Mas seguimos na luta. A Escs é marcada por muitas lutas”, relata.


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