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Cidades

Escassez de antidepressivos afeta pacientes

Associação Brasileira de Psiquiatria denuncia que imipramina e lítio não estão sendo fornecidos na rede pública

Lucas Neiva

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em

Foto: Lucas Neiva/ Jornal de Brasília
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No último dia 4, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) emitiu uma nota oficial alertando sobre o desabastecimento no mercado brasileiro de dois dos medicamentos considerados mais importantes no combate aos transtornos de humor: o cloridrato de Imipramina e o carbonato de Lítio. Os dois remédios eram distribuídos nos sistemas público e privado, e a ABP alerta que são substâncias necessárias na prevenção ao suicídio.

De acordo com Antônio Geraldo da Silva, médico psiquiatra e presidente da ABP, a falta desses remédios chega a afetar milhões de brasileiros. O caso mais grave segundo ele é a falta do carbonato de lítio, utilizado no tratamento de depressões graves e na prevenção a recaídas no tratamento do transtorno bipolar.

“Não há substituição segura, principalmente por quesitos de proteção dos próprios pacientes”, afirma.

A ABP afirma que as duas substâncias só eram produzidas em laboratórios privados, mas que a produção delas em laboratórios governamentais seria muito barata, e que nenhuma dessas medicações possui patente. “Se produzidos pelo governo, custariam centavos para a comercialização”, informam na nota.

A falta dos dois medicamentos não passou despercebida pelos pacientes. Marisa Miranda, estudante universitária de 21 anos, utiliza o carbonato de lítio desde outubro de 2019 para tratamento da ansiedade e depressão, mas não o encontra disponível desde janeiro. Ela já havia procurado por substitutos antes. “No período de 2019 em que fiquei sem lítio, testei outros remédios. Nenhum trouxe resultado”, declara.

A falta do medicamento também é percebida desde janeiro pela estudante universitária Maria Luísa Colusso, de 23 anos, que utiliza o carbonato de lítio há quatro.

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“Fico tremendo, não consigo comer direito e fico emocionalmente desequilibrada”, afirma sobre o efeito da falta da medicação.

Na nota, a ABP solicita esclarecimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a falta desses produtos no mercado, mas o presidente afirma não ter recebido retorno. “Cobramos da Anvisa um posicionamento sobre a situação e estratégias para enfrentamento do problema. (…) Não houve nenhuma resposta até o momento”, afirma.

Procurada pela reportagem, a Anvisa declara ter consciência da falta desses medicamentos no mercado. Quanto ao carbonato de lítio, a agência notificou os laboratórios solicitando esclarecimentos sobre a falta da produção, e afirma que a previsão é de reabastecimento do produto até o final do mês de março. Até que o mercado seja reabastecido, a agência recomenda aos médicos que indiquem o carbolitium 300mg no lugar do de 450mg, que é a versão em falta do produto.

Já sobre o cloridrato de imipramina, a Anvisa afirma que as dificuldades de abastecimento não são de agora. O principal produto feito desse princípio ativo era o Tofranil Pamoato. O laboratório que produzia o remédio era o Aspen Pharma, mas que em 2017 notificou a Anvisa sobre uma descontinuação temporária do produto e, em julho de 2019, encerrou definitivamente a produção em função de dificuldades com os fornecedores.

Atualmente, a Anvisa recomenda a substituição do Tofranil Pamoato pelo Imira 25g, produto com o mesmo princípio ativo ainda disponível no mercado mas com diferente forma farmacêutica. A comercialização do Imira só pode ser realizada mediante receita.


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