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Empresários do DF podem ter capacitação gratuita para exportar

Diante do desafio inesperado provocado pela pandemia de covid-19, os empresários do Distrito Federal podem ter um aliado ainda pouco tradicional na cultura econômica local

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Luiz Claudio Ferreira
Jornal de Brasília/Agência UniCeub

Estudar a contabilidade, pagar fornecedores e funcionários, somar a carga de impostos, planejar os próximos passos e manter-se competitivo no mercado. Diante do desafio inesperado provocado pela pandemia de covid-19, os empresários do Distrito Federal podem ter um aliado ainda pouco tradicional na cultura econômica local: a exportação,  um “idioma” não tão complexo como se imagina.  A crise pode ser oportunidade, em vista da valorização das moedas estrangeiras, para expandir definitivamente as fronteiras, agregar novo valor à marca e criar nova dinâmica de vendas.

Um curso gratuito, chamado de Programa de Qualificação para Exportação (Peiex), oferecido pela Apex-Brasil, pode abrir horizontes para os empreendedores. No Distrito Federal, a instituição credenciada é o Centro Universitário de Brasil (Uniceub), que está com inscrições abertas para “aulas” personalizadas para quem quer exportar produtos ou serviços. Ao final do curso, as empresas recebem um documento chamado de “Plano de Exportação” e um certificado da Apex.

Desde agosto do ano passado, 60 empresas já recebem a qualificação, de um total de mais 100 inscritas. O objetivo é qualificar pelo menos 100 empresas até agosto do ano que vem. Além da experiência que vender em outros países gera, essa “novidade”, conforme explica quem já teve essa oportunidade, impulsiona contas para o azul, o que, para os empreendedores, é intraduzível.

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“Ao longo do tempo, a capital foi desenvolvendo um polo econômico bastante interessante, que precisa ser ainda mais desenvolvido para criar uma cultura exportadora dos empresários locais. Nós temos aqui no Distrito Federal empresas iniciantes com alto grau de qualidade”, afirma a professora de relações internacionais Renata Rosa, que é monitora do programa de capacitação em Brasília. A especialista e pesquisadora explica que ainda há muito receio por parte dos empresários locais. “A ideia é que sejam descobertos mercados fora. Nós aproximamos os potenciais compradores desses vendedores. São 24 módulos em que recomendamos alternativas e melhorias, se for o caso”.

Esses módulos são adaptados à disponibilidade do empresários ou dos funcionários delegados para fazer o curso. Para a professora, o Mercosul, por ter um acordo de livre comércio desde 1991, é um mercado bastante aberto e facilitador para quem vai começar a exportar. “Há muitas vantagens para operar no bloco. Isso não impede que a gente assessore para ingressar em mercados da Europa e Estados Unidos. Tudo é possível no mercado internacional para os empresários do DF”.

Sabor de vitória

Foi doce como chocolate quando o empresário Alexandre Ferreira Gontijo, de 30 anos, recebeu, durante a qualificação da Peiex, uma encomenda de R$ 1 milhão em alfajores. “A qualificação do programa me explicou sobre os canais de contato com o importador e algumas ferramentas que facilitam. Eu me cadastrei e na mesma semana recebi uma cotação de alfajores de uma empresa do México. Ficamos muito felizes e otimistas”, afirmou o proprietário da Aguimar Ferreira Chocolateria, que tem 10 anos de mercado com chocolates personalizados e funcionais e doces finos. Ele faz parte de uma geração de empresários de olho no futuro.

Alexandre Gontijo era jogador profissional de futebol  e deixou o sonho do  esporte para empreender no mundo do chocolate e disputar espaço entre os empresários locais. “Aos 19 anos vendia bombons na rua, em bares, padarias, ônibus e para amigos que estavam na faculdade. Em 2013, conheci um renomado chef chocolatier, Ricardo Arriel, reconhecido como um dos melhores sul-americanos, que é meu mentor e nos ajudou a elevar o padrão de qualidade dos nossos produtos e nos diferenciar do mercado. De lá pra cá, já recebemos várias certificações internacionais pelo nosso padrão de qualidade e atualmente somos considerada uma empresa referência na Capital Federal”.

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A empresa atende eventos, grifes e multinacionais. “Nosso mais novo projeto é a linha funcional, onde trouxemos várias receitas que unem chocolates saudáveis com castanhas nobres e frutas especiais, desde ingredientes regionais como a castanha do Pará até frutas importadas como a blueberry e a goji berry”.  Ele testemunha que o programa de qualificação tem sido fundamental para o negócio. “Tem me transformado internamente em um exportador nato, pois aprendi a base sobre exportação, os primeiros passos, tributação, logística, certificações, embalagens, canais de distribuição. É um programa completo para os empresários. Temos expectativa de quadruplicar o faturamento do negócio. Tanto pela questão de novas vendas no exterior, como também por conta dos reflexos na venda local”, afirma.

As receitas incluem até frutas importadas como a blueberry e a goji berry. Foto: Divulgação

Romeu e Julieta

O sabor de exportação tem também o doce da reviravolta, e do encontro entre o lusitano-brasileiro. Pastel de Belém é o produto principal da Confeitaria da Torre. “O Peiex é um divisor de águas tanta para a vida da empresa, como em nossa vida pessoal. Um grande diferencial foi a ponte que essa qualificação promoveu”, explica Yanna Coelho. A empresa familiar funcionava como restaurante. Desde 2015, após uma consultoria do Sebrae, deixou a ideia de restaurante, e passou a centralizar as atividades no produto de origem portuguesa. Em 2017, ganhou o nome que tem hoje.. Agora, como fábrica, vendendo a iguaria congelada principalmente no formato de atacado, mas há também modalidade de varejo em entregas de produto pela internet.

Empresa inovou no sabor e misturou queijo com goiabada à receita lusa. Foto: Reprodução

A vontade de exportar ganhou gosto no ano passado a partir das portas abertas no curso feito no Uniceub.  “Surgiram oportunidades e novos pensamentos, foram abertas portas, que não tínhamos noção que existiam”. A empresária, durante a capacitação, sentiu-se empoderada para expandir os negócios para fora. Yanna foi até selecionada pela ONU Mulher, durante a capacitação do Peiex, para apresentar as experiências e iniciativas entre empresários. Entre as novidades, criou a ideia de um pastel de Belém feito de queijo e goiabada. “Meu marido (João), que é português, no início, até torceu o nariz. Mas hoje se convenceu”.

Mas o produto com gostinho brasileiro já é um sucesso, inclusive recebendo a atenção de grupos europeus e grandes empresários. “Estou me preparando para a exportação. Lancei dois produtos durante a pandemia, o pudim de leite condensado e o bolo no pote. No mercado interno, eu já estava preparada para as exigências”. Ela entende que hoje tem capacidade para expandir em 70% a produção. Metade dos produtos para o Distrito Federal, e a outra metade para outros estados. O caminho para outros países já está trilhado.

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Para beber

Produtores de bebidas também estão no caminho além das fronteiras. Profissional de tecnologia da informação, Julio Jorge Moura criou uma cervejaria artesanal, a Lobo Guará, a partir de uma paixão pessoal. “Quando eu estava pronto para começar, veio a pandemia”. Mas ele já tem uma fábrica pronta no Altiplano Leste, no Lago Sul, e vai começar as atividades com seis estilos, e uma tecnologia moderna em mãos: a fermentação acelerada de cerveja, que possibilitará que ele fabrique a cerveja em seis dias. “É um diferencial competitivo muito grande”. Atualmente, ele tem diversificado a produção terceirizando a fabricação para outros cervejeiros e estabelecimentos. Julio está otimista para o mercado externo para o pós-pandemia. Por isso, o preparo começa já.

Outro destaque brasiliense no ramo das bebidas de olho na exportação, que fez a capacitação Peiex, é o Café Minelis, produzido nas fazendas Canaã e Novo Horizonte, no Distrito Federal. A região privilegiada para o produto, feito inteiramente na capital: plantio, colheita, seleção de grãos, processo de torra, até a embalagem final. “O resultado é um café encorpado, de aroma intenso e sabor adocicado, com notas de caramelo e chocolate, além de uma delicada acidez cítrica”, divulga a marca.

Serviço feminino

Não são somente empresários da alimentação que encontram caminhos além das fronteiras brasileiras, ainda mais quando se fala em serviços para um público específico. A Sisterwave é uma empresa que encoraja mulheres a viajarem sozinhas trazendo apoio e suporte para isso. Uma plataforma de hospedagem interativa apenas para esse público. “Nossa expectativa é ampliar o leque de oportunidades internacionais e fazer conexões com possíveis parceiros no exterior de maneira mais embasada tecnicamente”, afirma Jussara Pellicano Botelho, CEO da empresa, que está no processo de capacitação.

“Nosso trabalho é, através de uma plataforma em que as integrantes da comunidade oferecem entre si seus serviços a preços justos, se conectam diretamente umas com as outras através dos grupos”. Outro serviço que surgiu durante a pandemia foi o oferecimento de tours virtuais, que é uma forma de se viajar sem sair de casa, se conectar com muitas mulheres e ainda gerar renda para as mulheres que trabalham com turismo e perderam sua principal fonte de renda por conta da pandemia. O valor dos tours virtuais varia de R$ 25 a R$ 50

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Os serviços oferecidos ainda incluem um programa de aceleração para negócios que visam empoderar mulheres.

Chance de ouro

A designer de joias Larissa Moraes resolveu aproveitar o período de isolamento para descobrir mais oportunidades para projetar sua arte em outros países. No início da quarentena, decidiu transformar a “pausa” em dias produtivos. Inclusive, pesquisou os principais concursos de joalheria do mundo (Design Award and Competition e MJSA Vision Awards)  e ganhou os dois. Como resultado, o trabalho está sendo publicado em revistas importantes na joalheria. “O mundo se abriu para mim. Essa nova demanda exige conhecimentos muito específicos e eu busquei o apoio da Apex para me ensinar e me guiar nesse processo”.

Mais do que expandir as fronteira, a designer experimenta uma mudança completa de vida desde que resolveu deixar emprego e a vida  na área do direito para atuar no campo que sempre desejou. “Produzir joias é como viver um sonho! Nunca fui tão feliz e inteira. É essa energia, adormecida durante tantos anos que eu coloco no meu trabalho”. Larissa é filha de artista plástica e conheceu o ramo da  joalheria após uma conversa com uma amiga.

“No final de 2018, pressionada e entristecida pela dureza do meu trabalho diário, busquei conforto na arte e comecei a desenhar a coleção de joias dos meus sonhos”. No ano seguinte, fabricou peças e publicou imagens no Instagram. “Fui convidada para participar de cinco feiras de design e joalheria e da publicação do livro de joalheria contemporânea brasileira de 2019. Participei da 1ª feira de joalheria da América do Sul, em São Paulo”.

Desde então, o mundo se abriu para a artista. Agora, com a capacitação Peiex, aprendeu que há novas oportunidades. Com um currículo que se transformou nos últimos dois anos, as fronteiras se abriram. Sabe bem que realizar os sonhos tornaram-se possíveis. O presente e o futuro formam mais uma joia que tem nas mãos.
Empresas que desejarem receber a qualificação do PEIEX, pode enviar um email para: [email protected]apexbrasil.com.br



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