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Cidades

Em meio a pandemia, irmãos criam perfil para ajudar pequenos e microempresários no DF

A medida que determinou o isolamento social no Distrito Federal deixou pequenos e microempresários em uma situação atípica e inusitada

Aline Rocha

Publicado

em

Andressa, Luca e Monique. Foto: Arquivo pessoal
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Diante da pandemia de coronavírus que atingiu o Brasil e o mundo nos últimos meses, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, determinou fechar os estabelecimentos locais para evitar a proliferação do vírus. A medida deixou pequenos e microempresários em uma situação atípica e inusitada. 

Vendo alguns de seus assessorados em desespero, Andressa Furtado, 31 anos, jornalista e dona da agência de Marketing Maçarico Digital, resolveu tomar uma atitude. Ela conversou com os irmãos, Monique Furtado, advogada, e Luca Furtado, estudante de publicidade, e, juntos, decidiram ajudar os pequenos negócios a se posicionarem de forma digital. 

“No mundo atual, independente de pandemia, o online já mostrou a que veio. Então é necessário todos entenderem que precisam existir no mundo virtual. Quando tudo isso passar, essa demanda ainda vai continuar”, explica Andressa. 

Eles criaram, então, o perfil @pequenoapoio no Instagram, para manter o perfil como um catálogo para as empresas. “Não há segmento, nosso lema é ‘Todo negócio merece visibilidade’. Em 4 dias de página ativa, recebemos cerca de 250 empresários precisando de ajuda. E aí decidimos catalogá-los na página”, explica. Para facilitar o contato, os irmãos criaram o e-mail pequenoapoiador@gmail.com para que os empreendedores enviem seus materiais para serem publicados no feed e nos stories.

Aqueles que empregam pessoas não sabem o que fazer e com a medida do isolamento social isso piorou. “Eles dizem que precisam ter fé, mas o problema é que a conta chega no início do mês para ser paga, né? Milagres não acontecem. Por outro lado, também achei interessante pelo fato das pessoas que nunca imaginariam entrar no mundo on-line, entenderem que se não estão ali, eles simplesmente não existem. Elas estão saindo das suas zonas de conforto”, relata.

“Nós recebemos muitas mensagens e inúmeras vezes ficamos emocionados, porque realmente gostaríamos de fazer muito mais. Porém, a demanda dos meus clientes triplicou e o perfil é completamente voluntário. Estamos virando a noite mesmo para produzir e atender essa galera. Além de darmos muito apoio emocional”

Andressa explica que a ideia é continuar com o perfil quando acabar a pandemia e continuar dado o suporte necessário, na medida do possível, para aqueles não ainda não tem condições de contratar uma agência para cuidar de seus negócios. 

Insegurança

Geovanna Mara. Foto: Arquivo pessoal

A empresária Geovanna Mara abriu uma lojinha de roupas online, no Instagram e, em 10 de março, inaugurou sua primeira loja física. Por causa do decreto do governador, que definiu que apenas serviços essenciais continuassem funcionando, a lojinha ficou aberta apenas uma semana. 

Para tentar driblar a crise, Geovanna conta que continuou fazendo o serviço por meio de delivery “Isso foi uma medida que adotei para me ajudar e ajudar os clientes também, porque eu acho que, dessa maneira, consigo arcar com os custos que eu vou ter agora”, explica. 

Nesta terça-feira (25), ela foi até a loja buscar a encomenda de uma cliente e pegar a maquininha de cartão de crédito e acabou sendo assaltada dentro do próprio estabelecimento. “A loja fica em uma sala no segundo andar do prédio e entrou um cara. Ele levou meu celular, levou o som e me ameaçou. O momento foi terror, pânico, achei que fosse morrer naquele momento IH”, relata.

“Diante de tudo isso que tá acontecendo, nós comerciantes ainda tamo tendo que lidar com essa parte da segurança. Hoje eu fui com a polícia lá retirar as coisas da loja pra levar pra trazer aqui pra cá. E a maioria das outras lojas estavam tirando tudo também guardando tudo sabe”, explica. Ela entrou em contato, então, com a Andressa, para buscar um auxílio neste momento. 

“Eu acho que pelo Instagram da Andressa a gente vai ter uma visibilidade maior nas redes, uma vez que as pessoas tão em casa praticamente o tempo todo, com celular em mãos, e o Instagram agora é o maior meio de divulgação que a gente tem”, conta, “Foi uma das coisas mais maravilhosas para nós, microempreendedores. Com certeza o perfil só vai nos ajudar”. 

Conheça o perfil:

https://www.instagram.com/p/B9p61eajzJV/

 

Novos serviços

Wagner Flores. Foto: Arquivo pessoal

Pai e filho, Wagner e Gustavo Flores são donos do Wagner Flores Ateliê e Império, que faz restauração de móveis antigos, e procuraram o Instagram da Andressa após se virem em uma situação extremamente delicada com a chegada do novo coronavírus. Wagner, já com 75 anos, é enquadrado como grupo de risco e não pode ir até o ateliê para trabalhar e os planos que tinham para o mês de abril foram todos por água abaixo. 

Com planejamento de aumentar o número de clientes, começar a vender peças próprias e não ficar somente na restauração de móveis, os sonhos foram temporariamente interrompidos e, segundo Gustavo, o Instagram da Andressa pode ser um meio de manter o ateliê na mídia. 

“Vai ajudar a gente demais na nossa visibilidade. É um trabalho muito raro, muito difícil de ser encontrado, é uma arte, um serviço totalmente artesanal e 100% sustentável”, explica. Sem poder sair de casa, Wagner já teria cerca de cinco meses de serviço já vendidos. “Se a gente não parasse, com os nossos funcionários, a gente conseguiria trabalhar entregar pro nosso cliente. Mas por se tratar de um serviço totalmente artesanal, totalmente manual, essas restaurações demoram muito para ser entregue da maneira que a gente vende”, explica o filho.

Para tentar driblar a crise, algumas peças que já estão prontas serão anunciadas no Instagram. “A gente tem que tomar essas medidas, já de antemão pra trabalhar mais nessas peças de venda, porque como o cliente não tá vindo né. Então a gente vai ter que se adaptar a nossa produção”, conta Gustavo.

Conheça o perfil:

https://www.instagram.com/p/B-KR-2ijHvt/

 

Saúde

Priscila Oliveira. Foto: Arquivo pessoal

Priscila Oliveira, em parceria com a mãe, Isan Mirtes Santos, e o irmão, Otniel Oliveira, é dona de uma Escola de Modelagem, Corte e Costura e também, ateliê de Costura e, com a pandemia do Covid-19, tiveram que cancelar as aulas para proteger a família, alunos e clientes. 

Priscila é grupo de risco pois, em 2019, teve tuberculose pulmonar. “Nesse momento a minha saúde ainda está em situação delicada, pois perdi um pouco mais da metade de um pulmão, com isso, faço parte do grupo de risco da pandemia”, explica. Por isso, a jovem começou a fazer sua própria máscara personalizada.

Como uma saída para driblar a crise, ela começou a postar no Instagram e várias encomendas acabaram surgindo. “A máscara pode e deve ser usada por pessoas que estão em grupo de risco ou pessoas que apresentam algum sintoma de gripe”, explica.

A família não está atendendo clientes e, segundo Priscila, o apoio de Andressa foi fundamental. “Com certeza foi uma excelente forma de nos ajudar com essa divulgação, não somente do produto em si, mas também do vídeo onde é ensinado a pessoa a fazer a máscara em casa”, finaliza.

Conheça o perfil:

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