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Cidades

Em Ceilândia, mulher é torturada pelo companheiro durante quase 20 dias

Homem deixava a companheira trancada e amordaçada em casa e a agredia com barras de ferro, facas, socos e chutes, dentre outros métodos bárbaros

Willian Matos

Publicado

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A Polícia Civil (PCDF) investiga um grave caso de violência contra mulher ocorrido em Ceilândia nas últimas três semanas. Desde o dia 24 de dezembro de 2019, um homem trancou a companheira na casa onde moravam e a agrediu com socos, chutes, facas, barras de ferro, entre outros métodos bárbaros por 18 dias seguidos. O agressor chegou a obrigar a vítima, a irmã e a ex-namorada dele a mentirem para a polícia para não ser descoberto. Entenda o caso:

A mulher agredida contou à Polícia Civil (PCDF) que conheceu o agressor em um estúdio de tatuagem em Ceilândia, onde ele trabalhava, no início de 2019. À época, ele namorava com outra pessoa (que mais tarde terá participação na história). Dias depois, o homem entrou em contato com a vítima demonstrando interesse em iniciar um relacionamento, afirmando que havia terminado com a ex-namorada. A mulher aceitou as investidas e passou a se relacionar com ele.

Em novembro de 2019, o homem passou 10 dias internado em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos. Quando saiu de lá, pediu para morar na casa da vítima. Ela, disposta a fazer uma boa ação e dar abrigo a uma pessoa que necessitava de ajuda, decidiu deixar que ele passasse a morar em sua casa, em Ceilândia.

Então, o casal, que se conhecia há quase um ano, passou a viver juntos. Até que, no dia 24 de dezembro de 2019, véspera de Natal, o homem começou a reclamar da demora da vítima no banho. Quando ela saiu do banheiro rumo ao quarto, foi surpreendida com agressões. O agressor utilizou de barras de ferro e outros objetos para agredi-la em todas as partes do corpo, das 18h do dia 24 até a manhã seguinte.

Vítima tem hematomas por todo o corpo. Foto: Divulgação/PCDF

Amarrada e amordaçada

Do dia 25 ao dia 30, a vítima seguiu trancafiada em casa, sendo torturada diariamente, sem chance de defesa. O agressor fazia ameaças e dizia que se algum vizinho escutasse qualquer barulho, ele arrancaria a cabeça da mulher e jogaria pela varanda. Nestes seis dias, o homem chegou a sair de casa por algumas vezes, mas sempre que saía, deixava a companheira amarrada e amordaçada, para que ela permanecesse incapaz de procurar ajuda.

No dia 31 de dezembro (ou no dia 30 — a vítima não soube afirmar com certeza por conta dos traumas vividos), a mulher teve de voltar ao trabalho. O homem, então, permitiu que ela voltasse para que ninguém sentisse a ausência, mas ameaçou: se alguém ficasse sabendo das agressões, ele a mataria. Neste dia, o agressor ainda rondou o local de trabalho da vítima para impedir que ela tentasse uma fuga ou algo semelhante.

A polícia foi recebendo denúncias e tomando conhecimento do caso com o passar dos dias. Por vezes, militares chegaram a ir a casa onde a mulher vinha sendo torturada, mas ela não conseguia falar por estar amarrada e amordaçada. Por conta da presença das autoridades, o homem decidiu levar a vítima para a casa da irmã, localizada na QNP 26, também em Ceilândia. Segundo a mulher agredida, a irmã do agressor disse a ela que enquanto eles estivessem ali, ela estaria livre das barbáries. Não estava.

Forçadas a mentir

Neste momento da história, a ex-namorada do agressor entra no caso. Ela foi à casa da irmã dele, onde a vítima estava. O homem, então, obrigou a ex e a atual companheira a irem até uma delegacia e inventar uma história para ludibriar as autoridades. Na última sexta-feira (10), os três voltaram de carro para a casa da mulher agredida decididos a irem a uma DP mais tarde e mentir sobre os fatos. Neste momento, uma viatura da Polícia Militar (PMDF) surpreendeu o homem.

Encurralado, ele decretou que as duas deveriam mentir aos militares ali mesmo sobre os ataques que já duravam 18 dias. A ordem era falar que a vítima havia apanhado em uma festa, e por isso os hematomas. A mulher agredida, amedrontada, começou a inventar os fatos. Neste momento, a ex-namorada do agressor, que estava com a vítima no momento da conversa com os policiais, demonstrou coragem e decidiu incentivar a vítima a contar tudo que estava acontecendo.

A vítima relatou toda a barbárie sofrida em plena época de festas de fim de ano, e os militares prenderam o agressor. 

Filmava e mandava para os amigos

Segundo a mulher, o agressor costumava filmar as agressões. Ele gravava e mandava para amigos, para que todos vissem a vítima tomada por hematomas. “Olha aí como é que eu trato uma mulher” “assim que se trata!”, “comigo não pode brincar” ele dizia nas imagens.

O delegado Gutemberg Santos Morais, da 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro), explica que o agressor encaminhou os vídeos para a ex-namorada. Ela teve atuação importante no caso, pois fez as denúncias para a polícia e estava ao lado da vítima quando ela relatou a tortura. “Foi quando ela falou ‘pera aí, isso tá errado”, comenta o delegado.

A ex-namorada repassou os vídeos para a polícia, que constatou as agressões e notou o modo que o agressor se vangloriava de torturar a vítima. “Ela (a ex) se compadeceu”, conta Gutemberg.

A vítima de toda a barbárie conta ainda que tem medo do que pode acontecer daqui para frente, já que o homem disse várias vezes que a mataria caso as autoridades descobrissem a tortura.

O caso é investigado pela 15ª DP. O homem está preso e deve ser indiciado pelos crimes de tortura, ameaça e cárcere privado. Ele já tem passagem pela polícia pelo crime de homicídio.


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