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Eleições: o segundo pleito em dois anos

Depois de ter Prefeitura cassada em 2018, Planaltina se prepara para eleger o novo mandatário

Olavo David Neto

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Às vésperas das Eleições, dadas no próximo domingo (15), Planaltina se prepara para ir às urnas e escolher uma nova administração para a cidade. São quatro candidatos — a atual prefeita, Maria Aparecida (Pros), teve a candidatura indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) goiano e desistiu do pleito — na segunda eleição municipal em dois anos. Em 2018, graças à cassação do chapa eleita em 2016, os eleitores planaltinenses tiveram de eleger um novo mandatário.

Isto porque a autoridade estadual entendeu que a dupla Davi Alves Teixeira Lima e Maria Aparecida — ou apenas “dona Cida” — compraram e cooptaram votos no pleito. Já neste ano, porém, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entidade máxima no país para assuntos do gênero, reconduziu a chapa ao cargo, mas manteve a multa por “distribuição de material de propaganda eleitoral em ônibus de transporte coletivo”.

Neste ínterim, a cidade teve seis mandatários diferentes. Por isso, o líder nas pesquisas divulgadas até o momento, Cristiomario de Sousa Medeiros (PSL), aposta no passado incólume para confirmar o favoritismo ao pleito. “Eu tenho ficha limpa, não tenho um escândalo nas costas. É hora de mudar esse cenário, tirar Planaltina das páginas policiais”, diz o delegado da Polícia Civil goiana.

Profissional da área, ele atribui a si mesmo uma visão diferenciada para combater a criminalidade em Planaltina. “Eu quero integrar as forças, criar um centro de monitoramento para fornecer informações às corporações estaduais”, aponta. Segundo ele, “houve uma melhora” no cenário criminal na cidade, com “redução de homicídios”, mas ainda há “casos de roubo e furto” a serem resolvidos. Uma das principais propostas do delegado é a militarização das escolas e a valorização “dos conceitos tradicionais e da família”.

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Apesar disso, Medeiros é atacado pelas funções que cumpre atualmente na cidade. “Nós concorremos com alguém da Segurança Pública, mas que não cuida de Planaltina”, diz Zenilton Neres da Costa (PL), professor da rede estadual. O ensino na cidade é alvo da campanha do liberal à Prefeitura. “Nós temos profissionais competentes, mas sem condições de prestar um serviço de qualidade”, ataca o candidato, tido como segundo colocado nas pesquisas.

Costa aposta na criação de um grupo de Segurança Pública no município, e defende a circulação de autoridades nas áreas mais afastadas do centro urbano. “É preciso criar um comitê para integrar as ações das forças. Pretendo investir no patrulhamento rural com a Guarda Civil, que é onde, hoje, tem mais violência”, enxerga. Questionado se a chapa “puro sangue”, com um vice também do Partido Liberal, afetou a intenção de votos, ele diz que “não lotearia cargos da Prefeitura em nome de eleição”.

Único candidato de esquerda na cidade, o empresa — como se apresentou À Justiça eleitoral — Bernardo Xavier (Psol) também aposta no aprendizado para reduzir os índices criminais e destravar o desenvolvimento de Planaltina. “Com Educação, a gente tira o jovem que já está no crime e poupa aquele que ainda não entrou”, crê Xavier. “Temos de revitalizar as estruturas de Esporte e Cultura, que estão sucateadas. Esse é o caminho para reduzir a violência.” Segundo ele, uma candidatura de esquerda numa região historicamente dominada pela centro-direita é a possibilidade de uma “revolução nos serviços, na saúde e na geração de empregos.”

Gestão da pandemia é criticada

O novo coronavírus marcou presença na corrida eleitoral em Planaltina. Para Cristiomario, a atual administração errou ao decretar o fechamento da cidade “antes mesmo do DF”. “Nunca neguei o problema, mas fechar eu sou contra. Não reduziu o número de casos, até porque não compraram testes para a população”, garante o delegado. Caso eleito, ele afirmou ao Jornal de Brasília que não tomaria a mesma atitude de decretar o lockdown numa eventual segunda onda de contaminação em 2021.

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O educador Zenilton também teceu críticas à atual prefeita na gestão da covid-19. “É simbólico que ela tenha contraído o coronavírus e foi para Brasília se tratar. E a população que não pode, fica como?”, questiona o docente. “Foram mais de R$ 20 milhões vindos do governo federal e ela queria sanar as contas da Prefeitura”, aponta. “A saúde de Planaltina já era um caos, com a pandemia isso impactou nosso olhar”, diz ele, que pretende “descentralizar a assistência de saúde”. Ainda assim, diz que “o povo dará a resposta nas urnas”.

O candidato psolista também não poupou comentários negativos à Prefeitura. “As UPAs [Unidades de Pronto Atendimento] e os hospitais daqui não têm estrutura. Falta até Dipirona. Não tem servidor, não tem salário”, ataca. “Tivemos quase 60 mortes e mais de mil casos, mas a maioria teve que buscar atendimento em Formosa, Águas Lindas ou Brasília”, atenta o empreendedor socialista. “Eu pretendo angariar recursos com os governos federal e estadual e sentar com a categoria e discutir reformulações nas carreiras”, garante.

A relação com o Distrito Federal foi abordada pelo JBr. na conversa com os candidatos. Segundo o delegado Cristiomario, uma boa relação com o GDF é fundamental. “O prefeito de uma cidade do Entorno precisa ter uma boa relação com o governo do DF, seja Ibaneis ou qualquer outro”, atenta. O delegado assinalou a intenção de conseguir parcerias para o transporte público dos planaltinenses que trabalham no DF.

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Para Zenilton, o relacionamento com a capital da República é indispensável. “É impossível pensar o Entorno sem o DF, e vice-versa. Tanto o governador quanto os prefeitos do Entorno precisam partir para o diálogo, sentar e resolver juntos problemas em comum”, afirma.

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Para ele, a explosão de casos na microrregião após a reabertura do comércio no Distrito Federal se deu por “falta de conversa” entre as autoridades locais.

Bernardo, por sua vez, apontou que a população do Entorno vive um “dilema”: “temos o governo estadual que não nos dá atenção, e nossa única opção é nos apoiarmos no GDF”, critica o psolista.

“Eu não sou salvador da pátria. Tudo depende de diálogo, independente de posicionamento político”, finaliza o candidato.




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