Siga o Jornal de Brasília

Cidades

Educação e cultura dentro da biblioteca

Escolinha de Criatividade voltada para público infantil completou 50 anos em 2019

Publicado

em

Reprodução Intagram
PUBLICIDADE

Larissa Galli
larissa.galli@grupojbr.com

Junto com Brasília, nasceu também a Escolinha de Criatividade da Biblioteca Infantil 104/304 sul. Idealizada pela professora e bibliotecária Branca Rabelo e executada com a participação da artista plástica e arte educadora Maria José Costa Sousa — a Zezé —, a escolinha foi inaugurada em 1969 e completou 50 anos de atividades em março de 2019. Na última sexta-feira (9), o projeto celebrou o cinquentenário em um evento no auditório Lindberg Cury da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

A comemoração reuniu apresentações musicais e noite de autógrafos com os autores mirins. Além disso, uma exposição dos trabalhos feitos pelos alunos também foi montada e continua aberta à população na CLDF por mais duas semanas. Os trabalhos expostos foram inspirados pelas obras de Roger Mello — ex-aluno da Escolinha, autor, ilustrador e dramaturgo, vencedor do nobel da Literatura Infanto Juvenil em 2014.

Desde sua inauguração, a Escolinha de Criatividade é reconhecida como um espaço integrado à dinâmica das quadras residenciais, dedicado ao desenvolvimento integral das crianças – que era a principal proposta do Plano das Construções Escolares de Anísio Teixeira para a cidade. Este Plano tratava as bibliotecas como centros educacionais especializados para o atendimento da comunidade, integrado a outras unidades escolares.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Foto: Roger Mello/Divulgação

Para a pedagoga e diretora do projeto, Jacqueline Galvão, a Escolinha de Criatividade faz parte da história de Brasília. “É uma forma de integrar a comunidade por meio da educação. Na Biblioteca Infantil, a comunidade tem facilidade de acesso à educação e à cultura”, pontua. A Biblioteca Infantil atende escolas da rede pública e aceita usuários de todas as idades. As aulas, porém, são destinadas para os pequenos de seis a 14 anos. Aproximadamente 200 crianças são atendidas pela iniciativa.

Jacqueline contou que a Escola propõe a ampliação cultural para desenvolver a criatividade das crianças. ”A literatura é o nosso recurso principal, mas a partir da arte literária a crianças deselvolvem outros potenciais pelo exercício da criatividade”, explica. O grande diferencial da Escolinha é que ela é gerida pela Secretaria de Educação, e não pela Secretaria de Cultura. “É por isso que temos professores responsáveis pela mediação da leitura, que são capazes para formar leitores e desenvolver todo tipo de potencial artístico nas crianças, que se ampliam culturalmente”, completa.

Ou seja, além das ações consideradas normais dentro de uma biblioteca — como saraus literários e recepção de usuários —, a Escolinha é propositiva, pois possui um quadro de professores de áreas como letras, artes e pedagogia trabalhando para promover as ações pedagógicas

Atividades

Foto: Roger Mello/Divulgação

As crianças de seis a dez anos frequentam a Escolinha duas vezes por semana, ao passo que os mais velhos — de dez a 14 anos — têm aulas apenas um dia na semana. Jacqueline explicou que as aulas são divididas em três momentos. No início, as crianças passam por aproximadamente 1h e meia de atividade dirigida, como a contação de histórias, leitura de livros e discussão sobre o tema da obra, por exemplo. “O mais importante nisso é que a leitura se dá pela qualidade do texto e que as crianças tenham contato com os livros”, explica Jacqueline.

Depois, os pequenos ficam livres para fazerem atividades ligadas às artes, como trabalhos com tinta, argila e desenho. “Eventualmente fazemos algumas parcerias com profissionais das artes cênicas e da música para ampliar para outras vertentes das artes”, comenta a diretora. As crianças têm ainda um momento no salão de leitura e outro para fazer os empréstimos semanais dos livros.

Prata da casa

Foto: Roger Mello/Divulgação

Segundo Roger Mello, o projeto é fundamental para o desenvolvimento artístico infantil. “É uma ideia que acaba com as fronteiras entre a leitura e a criação artística em todas as vertentes. Como ex-aluno posso comprovar a maneira como a Escolinha eleva o trabalho das crianças, é realmente impressionante”, declara. “Eu credito grande parte da minha formação à minha passagem pela Escolinha. Lá, eles formam artistas e formam também o pensamento das crianças, que saem de lá com uma relação muito próxima com os livros”, completa.

Roger acredita que é importante que a Escolinha continue funcionando como uma biblioteca que estimule a produção artística. “Esse projeto é único nesse sentido – e uma referência e um modelo não só para o Brasil, mas para todo o mundo”, opina. “A Escolinha de Criatividade é umas das grandes pratas da casa do Distrito Federal e ela precisa continuar existindo e ter mais visibilidade”, finaliza.


Você pode gostar
Publicidade
Publicidade
Publicidade