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Cidades

Economia do DF cai 4,2% no segundo trimestre de 2020, diz estudo da Codeplan

O painel de análises econômicas do Distrito Federal demonstrou diminuição no setores de comércio (20%), construção civil (15,1%) e indústria (10,9%) neste período do ano

Pedro Marra

Publicado

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No segundo trimestre de 2020 (abril, maio e junho), houve uma queda na economia da capital federal de 4,2% em relação ao mesmo período do ano passado. No Brasil, a redução foi de 11,4%. É o que foi dito na apresentação do painel de análises econômicas do Distrito Federal no 2º trimestre de 2020, divulgado na manhã de hoje em transmissão ao vivo no YouTube. O lançamento foi feito em conjunto com a Secretaria de Economia, Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Companhia de Planejamento do DF (Codeplan). O objetivo é divulgar os dados mais recentes do Índice de Desempenho Econômico (Idecon).

A diretora de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas da Codeplan, Clarissa Schlabitz, foi quem conduziu a explicação dos dados.  Ela explica que, com a pandemia, o DF voltou aos índices de retração da crise econômica nacional no segundo trimestre deste ano. Ou seja, passou a queda do PIB em 2,7% no mesmo período de 2015, e dos 4,3% negativos do Produto Interno Bruto do terceiro bimestre de cinco anos atrás. “Então houve um retrocesso no mercado de trabalho por conta da pandemia. Por isso, na economia do DF, o Índice de Desempenho Econômico do DF (Idecon) busca ao máximo se aproximar da economia do PIB”, opina a especialista.

Diretora de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas da Codeplan, Clarissa Schlabitz. Foto: Reprodução

Setores prejudicados

O DF teve uma queda de 20% no comércio, 10,9% na indústria, puxada muito pela diminuição na área de construção civil, que registrou baixa de 15,1%, que “é um setor que tem uma parte informal muito grande. Então é muita rápida a reação quando tem um tipo de choque, seja em parar uma obra e demitir funcionários informais. Esse início de pandemia, principalmente em abril, foi muito impactante no setor de construção”, comenta.

“A indústria vinha em um processo muito gradual de recuperação, mas era consistente a recuperação da atividade econômica. A cada trimestre, houve uma retração um pouco menor. Com esse choque da pandemia, voltamos a ter essa queda de 1,6% no acumulado em quatro trimestres”, destaca a diretora de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas da Codeplan.

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Clarissa conta que houve uma aceleração da queda entre março e junho nas taxas da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE, em que o Brasil registrou 3,3%, enquanto o DF negativou em 5,7%. “Essa variação negativa é maior do que a observada no Brasil. Nos segmentos, o pior resultado vem dos serviços prestados às famílias: alojamento, restaurantes e agências de viagens. São serviços prestados às famílias que passaram por bastante tempo suspensos. E mesmo suspensos, as pessoas têm demandado pouco a esses serviços.”

Segundo a diretora da Codeplan, o aumento de mercados e farmácias apresentou uma queda, mas se recuperou rapidamente porque houve aumento no volume de comércio. “Varejo e lazer (comércio, restaurante, hotéis), por exemplo, têm tido uma recuperação, porém bastante lenta em relação a frequência. A redução da demanda impacta a economia”, esclarece.

As atividades financeiras influenciaram no aumento de 1,5% no trimestre. “A gente tem um aumento muito grande no crédito da pessoa jurídica. Isso advém de um processo das instituições financeiras facilitarem crédito para essas pessoas. Esse aumento ainda não chega aos níveis de saldo de crédito em 2017. A gente tem tido um saldo relativamente estável”, diz Clarissa.

Em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no DF, houve uma redução de 0,4%, muito causado pelo isolamento social. “O que puxou essa queda foi o segmento de transportes, de aplicativo e passagens aéreas. Ao longo dos seis meses, ficou abaixo do limite inferior da meta. Mas a gente já sabe que tem tido uma certa alta do IPCA nos últimos dois meses (em alguns segmentos), puxada pela alimentação e bebidas (2,36%), e entregas em domicílio”, salienta a especialista.

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Mercado de trabalho

A Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) também foi citada na apresentação. A queda para taxa de participação (pessoas ativas no mercado de trabalho, ocupadas ou procurando emprego) ficou em 61,1% no segundo trimestre de 2020, o que foi de 67,2% com o mesmo período em 2019. “Houve um aumento de 2,2 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre do ano passado. Mesmo com o aumento da taxa de desemprego, essa taxa reflete pessoas saindo do mercado de trabalho, porque muitas delas preferem se proteger e não procurar emprego, e esperar a pandemia passar. A gente tem uma média de 65% da taxa de participação. Enquanto houve uma redução da população ocupada com aumento de 7,8 pontos percentuais”, conta a representante da Codeplan no painel.

Seguro desemprego

O segundo trimestre de 2019 tinha uma média de 10 mil pedidos em Brasília. No mesmo período de 2020, aumentou para 15 mil solicitações. Abril, maio e junho foram períodos de muitos pedidos de formalização do seguro desemprego. “Esse é um salto muito importante. É uma segurança social porque as pessoas recebem remuneração. A gente espera que, com a recuperação das atividades, exista um aumento gradual das contratações e um impacto positivo das condições de trabalho”, especula a diretora de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas da Codeplan, Clarissa Schlabitz.

“Isolamento social teve impacto na economia”, diz presidente da Codeplan

Para o presidente da Codeplan Jean Lima, presente no encontro, o objetivo do painel é subsidiar todo o setor econômico do DF, seja a indústria, serviço e comércio. “A gente tem o desafio da pandemia, e isso ficou muito explícito na apresentação, tanto que o isolamento social e as medidas de combate à pandemia tiveram muito impacto na economia. Principalmente os setores de serviço, que têm um peso muito importante na economia do Distrito Federal. Como foi pontuado, a gente tem uma queda menos acentuada em crises econômicas, e isso ficou bem claro na apresentação”, afirma.

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Segundo Jean, a economia do DF tem a característica de ser estável, mesmo com a desigualdade social. “Apesar da queda, há muita regularidade, mas temos muita desigualdade social no DF, de gênero ou de renda. Nas pesquisas que a gente faz, isso fica aparente. O impacto do serviço público chega a ser três vezes maior que outros setores”, acrescenta.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, José Eduardo Pereira Filho, foi outra autoridade que marcou presença. Para ele, o desenvolvimento econômico em Brasília segue como transversal no país. “É uma agenda de busca de eficiência e de atração. Atrair investimentos e investidores, mas também cuidar das questões que estão aqui. Para, em todos os segmentos, termos a leitura governamental correta e uma sinergia entre todos os órgãos. Nós estamos no caminho certo pelos dados que foram apresentados”, declara José.




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