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Donos têm acesso a carros atingidos por queda de viaduto no Eixão Sul

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Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupojbr.com

As intervenções no viaduto que desabou há 21 dias no Eixo Rodoviário Sul não param. No fim de semana, o serviço varou a madrugada para retirar os escombros de concreto. No domingo (25), quando essa parte foi concluída, os donos dos veículos atingidos tiveram acesso aos carros, e as galerias pluviais passaram por limpeza. A nota técnica que deve indicar a melhor solução para a via deve ser divulgada nesta semana pela Universidade de Brasília.

A retirada dos escombros começou com a utilização de um martelete hidráulico, uma máquina que fura e corta o bloco em pedaços menores. Depois esse material foi recolhido pelas máquinas e colocado em caminhões. Cerca de 250 toneladas de concreto foram retiradas pelas equipes da Companhia da Nova Capital (Novacap), e os caminhões fizeram mais de 30 viagens até o galpão do órgão.

Ali, o material será dividido em areia e brita grossa e fina. Em seguida, o entulho será reciclado para fazer meios-fios, tampas de boca de lobo e outros equipamentos. O aço, por sua vez, será armazenado para reutilização – exceto em construção civil. Ontem pela manhã, a placa da estrutura que desabou já havia sido retirada, restando apenas entulhos residuais.

Segurança

Segundo o diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF), Márcio Buzar, foi uma parte sensível do processo em virtude da quantidade de pedaços de aço. “O resultado foi bom. Conseguimos remover tudo em segurança e sem risco”, comemorou. De acordo com ele, foi preciso eleger prioridades de manutenção ao longo dos anos, o que não alcançou aquela estrutura que cedeu.

Equipes do DER desentupiram as galerias de águas pluviais sobre a Galeria dos Estados. “Isso permite parar toda a infiltração na estrutura, que poderia acarretar na deterioração do aço. As limpezas feitas no sábado já surtiram efeito. A água da chuva forte que caiu não vazou para a galeria”, afirmou Buzar, ao Jornal de Brasília.

Foto: Myke Sena/Jornal de Brasília

Bens materiais destruídos

Durante os procedimentos, os donos dos veículos danificados foram autorizados a resgatar pertences. Os proprietários de cinco automóveis registraram ocorrência policial. Quatro carros ainda estavam sob os escombros. No sábado, uma Honda CR-V, com poucas avarias, foi levada pelo dono.

Uma caminhonete ficou completamente destruída. Era a Toyota Hilux do bancário Lindembergue Igor, 50 anos. Morador de Taguatinga, ele almoçava quando a estrutura desabou e uma mudança de rotina salvou sua vida. “Eu estava ali quatro ou cinco minutos antes de cair”, contou ao JBr.. Só o carro é avaliado em R$ 110 mil.

“Foi um susto muito grande durante todo o processo, mas tive uma espécie de alívio ao ver a vida tomando curso. Embaixo daquele viaduto estudei para concurso, fiz curso de inglês, jogava dominó. São 12 anos de histórias”, diz o bancário. Ele foi chamado ainda no sábado para acompanhar a retirada do veículo. “As equipes trabalharam duro, porém me chamaram quando a retirada já estava acontecendo”, afirma.
Lindembergue resgatou a carteira, documentos importantes e a mala de viagens com a qual embarcaria na semana do acidente. O notebook, deixado sobre o banco, foi encontrado esmagado.

O GDF vai indenizar os proprietários dos cinco automóveis soterrados. Os valores serão definidos em audiências de conciliação, previstas para começar nesta sexta-feira. Os envolvidos também poderão pedir reembolso dos gastos referentes a transporte e outros transtornos causados durante o período em que seus carros estiveram sob os escombros.

“Pagar a tabela Fipe não é mais que a obrigação do GDF. A própria seguradora já tinha se prestado a pagar isso. Se o governo falar em precatório estou fora, quero crédito em conta”, afirma Lindembergue.

Alternativas

Uma comissão técnica formada por representantes do GDF, do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-DF) e da Universidade de Brasília (UnB) devem apresentar o projeto sobre o que será feito no viaduto nesta semana.

A comissão trabalha com três hipóteses: reconstruir a parte destruída e reforçar as demais; não demolir a área central que desmoronou, mas reforçar toda a região; e fazer a demolição completa com posterior reconstrução.

Após a recomendação, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) ainda precisa avaliar questões como custo-benefício, segurança e tempo necessário. Não há previsão para início ou término das obras.


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