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Dom Quixote de Brasília

Estudantes de Santa Maria participam de projeto internacional que criará história do célebre Cavaleiro da Triste Figura de Cervantes

Lindauro Gomes

Publicado

em

Fotos Vitor Mendonça/ Jornal de Brasília
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Estudantes de Santa Maria criam Dom Quixote brasiliense

Projeto da Organização dos Estados Ibero-americanos propõe releitura do romance de Cervantes

Larissa Galli
larissa.galli@grupojbr.com

Em uma mistura de fantasia e realidade, o cavaleiro andante criado pelo espanhol Miguel de Cervantes, em 1605, foi capaz de influenciar várias gerações de leitores e autores. Considerado o primeiro romance moderno da literatura, Dom Quixote de La Mancha vai, agora, ganhar um cenário brasiliense.

É que 30 alunos do 6° ano do ensino fundamental do Centro Educacional 416 de Santa Maria (CEd 416) vão reescrever a história dos feitos do cavaleiro —só que adaptada à cidade de Brasília. Os estudantes estão representando o Brasil na 5ª edição do projeto literário O Quixote Ibero-americano, realizado pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) nos 23 países que fazem parte da Organização.

Essa é a primeira vez que o projeto acontece em países além da Espanha. A ideia é que alunos do ensino fundamental recriem a obra de Miguel de Cervantes em tempos atuais e escrevam as aventuras dos personagens retratando as cidades e as comunidades dos respectivos países.

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A releitura da história de Dom Quixote consiste na elaboração de um capítulo do romance protagonizado por Dom Quixote de La Mancha e Sancho Pança. No final de novembro, o capítulo escrito pelos alunos de Santa Maria vai se juntar a textos escritos por outros estudantes de 22 países da Ibero-américa e formar um livro com uma releitura multicultural da famosa obra espanhola.

Para Rosangela Ildefonso, vice-diretora do CEd 416, a responsabilidade é grande. “Não estamos representando só Santa Maria ou Brasília, estamos representando o Brasil, então é um peso grande. Os alunos estão bastante motivados e se sentindo valorizados. A escola está ‘a mil’ por causa do projeto”.

Durante o recesso da semana do professor e da criança, os alunos leram o livro do Dom Quixote e começaram a desenvolver a escrita junto com o professor responsável Weslei Garcia de Paulo. João Victor Ribeiro, de 11 anos, está na metade do romance, mas segundo ele “já entendeu os pontos principais do livro”. “Dom Quixote era um louco que tinha suas ilusões e vai atrás do grande amor dele, que é a Dulcinéia”, resumiu a história. Como lição, João Victor aprendeu com a leitura que é importante seguir os sonhos: “Meu sonho é continuar estudando e entrar na faculdade”, revelou.

Já Ana Laura Rodrigues, de 12 anos, está mais perto do fim do livro. “Dom Quixote era muito aventureiro, ele tinha seus devaneios, mas isso até ajudava. O mais interessante é que ele foi atrás do sonho dele — e isso na versão que estamos escrevendo vai ficar muito legal”, contou.

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O final do livro eles mantiveram em segredo: “É surpresa. Tem que esperar o livro ser publicado para saber”, disse João Victor. “É um projeto muito legal. Somos privilegiados por poder fazer parte”, completou Ana Laura.

Para o diretor da OEI Raphael Callou, o projeto é uma oportunidade para os estudantes megulharem no universo da literatura. “Além de terem uma publicação autoral e internacional registrada, os alunos também têm a oportunidade de conhecer e se aprofundar no universo da literatura; e ter contato com a leitura por meio de um personagem tão simbólico e representativo que é Dom Quixote e um escritor clássico como Miguel de Cervantes”, afirmou.

A proposta literária que os estudantes devem fazer segue uma linha de roteiro sugerida pela OEI. O contexto deve estar relacionado às aventuras descritas no livro original, mas as narrativas devem pertencer ao local onde os alunos vivem. A ideia é que os textos elaborados por alunos dos 23 países da Ibero-américa sejam independentes e autoconclusivos.

Visitas cheias de inspiração

Para inspirar a escrita das aventuras de Dom Quixote, ontem, a turma de estudantes visitou o atelier do artista plástico Gil Marcelino, que trabalha com a temática quixotesca. O objetivo era fazer uma imersão artística na obra espanhola e despertar ideias nos pequenos escritores.

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Gil, agora com 75 anos, nasceu na Espanha e veio para o Brasil com 12 — idade média dos alunos escritores. Além da influência da nacionalidade, ele contou que o interesse pelo universo de Dom Quixote veio junto com sua paixão pela leitura.

Antes da visita ao atelier, para sensibilizar os estudantes, a turma se encontrou com o professor Erivelto Carvalho, da Faculdade de Literatura da Universidade de Brasília, especialista na obra de Dom Quixote.

Na próxima sexta-feira, os estudantes vão fazer um passeio pelos pontos turísticos de Brasília, para conhecerem mais profundamente o cenário onde a história deve se passar. “Muitos nunca tiveram a oportunidade de visitar pontos como o Catetinho, Museu do Candango, Memorial JK e a Esplanada. Como é um projeto internacional, nós precisamos relacionar com o Plano Piloto”, pontua a vice-diretora.

Os alunos estão escrevendo há 20 dias e ainda têm um mês pela frente para continuar o processo de escrita e, em seguida, enviar o capítulo para a sede da OEI, em Madri. A previsão é de que os textos avulsos sejam reunidos em uma única obra a ser concluída no primeiro semestre de 2020. Todas as publicações terão os textos em português e espanhol.

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