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Diretores da peça O Auto da Camisinha depõem na CPI da Pedofilia

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Rafaella Panceri
rafaella.panceri@grupojbr.com

A polêmica da peça teatral O Auto da Camisinha chegou à Câmara Legislativa do Distrito Federal na última quinta-feira (14). Parlamentares integrantes da CPI da Pedofilia convocaram a direção do espetáculo a prestar esclarecimentos em uma reunião privada. Para a CPI, há indícios de que a peça foi vista por crianças com menos de 12 anos em uma escola de Planaltina, o que fere o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Em depoimento, o grupo explicou o porquê de utilizar elementos como um pênis inflável gigante e músicas que fazem referência a genitálias de homens e mulheres durante a peça, apresentada mais de 600 vezes a mais de 300 mil pessoas, no Brasil e em outros países — inclusive em escolas do DF.

De acordo com o deputado distrital Rodrigo Delmasso (PRB-DF), a CPI analisará as informações colhidas até a próxima quinta-feira (22), quando o subsecretário de fomento e incentivo, Thiago Rocha Leandro, e o secretário de cultura, Guilherme Reis, prestam depoimento. Eles assinaram um convênio de R$ 80 mil com a Hierofante Companhia de Teatro, responsável pela peça.

Hierofante Companhia de Teatro apresenta O Auto da Camisinha em uma escola pública de Sobradinho em maio de 2018. Foto: Kleber Lima/Jornal de Brasília.

Pornografia para crianças
Rodrigo Delmasso esclarece que o principal motivo para colher depoimentos de integrantes da companhia foi uma denúncia. “Há indícios de que a peça foi apresentada em um centro de ensino fundamental de Planaltina a menores de 12 anos. Isso infringe o ECA. Foi em um espaço reservado para não expor ninguém, mas precisávamos saber o porquê de eles apresentarem conteúdo pornográfico a crianças”, afirma o parlamentar.

O deputado é contra a utilização do pênis inflável gigante, no momento em que os atores demonstram ao público como utilizar a camisinha. “O ideal seria mudar essa ação e focar no combate à pedofilia. Por isso, propus que eles fizessem uma peça com esse tema. Com conteúdo adequado, pode haver financiamento por meio de emenda parlamentar”, conta. “A CPI ainda não superou suas dúvidas”, declara.

Hierofante Companhia de Teatro apresenta O Auto da Camisinha em uma escola pública de Sobradinho em maio de 2018. Foto: Kleber Lima/Jornal de Brasília.

Distorções
O diretor de O Auto da Camisinha, Anderson Floriano, diz que a reunião foi “tranquila”, mas que houve “divergências e exasperação por parte de alguns parlamentares”. Para ele, houve distorção na denúncia. “Na ocasião, em Planaltina, nos apresentamos para adolescentes com idade entre 14 e 16 anos. Foi um problema de informação”, explica.

O grupo respondeu a questionamentos sobre a linguagem utilizada na peça, técnicas empenhadas pelos atores e montagem do espetáculo. “Explicamos o porquê o objeto lúdico gigante”, conta Anderson Floriano, ao se referir ao pênis inflável.

“É para atingir o objetivo do cômico. Isso conecta o público. Não é algo sem propósito”, esclarece. As músicas, com referência a genitálias e ao ato sexual, são justificadas no contexto do espetáculo como parte da cultura popular, o que também cativaria os espectadores.

“Tentamos tirar o receio do conservadorismo e mostrar que a arte pode ser usada como método de prevenção”, afirma Anderson Floriano. “Acredito que o próximo passo da CPI seja recomendar alguns cuidados e ajustar a aprovação de projetos desse tipo para evitar distorções e prejuízos para a sociedade e para a cultura como um todo”, comenta.


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