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Cidades

Dia de Finados: cerca de 300 mil devem visitar cemitérios neste feriado

Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

Neste Dia de Finados (2), as homenagens aos entes queridos começaram cedo. Os portões dos seis cemitérios do Distrito Federal abriram às 7h. O acesso será permitido até as 18h, mas quem entrar nesse horário pode ficar até as 19h. Familiares destacam que a data é importante para lembrar dos que se foram. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 300 mil pessoas devem passar pelos cemitérios da capital.

Leia mais: Cenas de terror no Dia de Finados no Distrito Federal 

No Campo da Esperança da Asa Sul, nem mesmo a fila para entrar e o tempo fechado desanimaram a ida dos familiares. A dona de casa Sônia Maria Gomes, 61 anos, chegou cedo para acompanhar a primeira missa no cemitério, às 8h. Depois, foi ao túmulo da mãe, que morreu há 26 anos, e do pai, falecido há 14 anos. “Rezei, cantei e chorei por eles. Quanto mais tempo passa, mais aumenta a saudade. Antes, era uma dor forte, agora eu consigo me lembrar sem sentir muito”, afirma.

Para a dona de casa, a data tem sua importância. “Sou católica, então é importante para mim e para a igreja. Na verdade, a morte está sempre junta da vida. Minha mãe me ensinou que a gente tem que dar valor aos que morreram, que a vida não acaba e ainda tem uma outra vida. Levo isso comigo. Então, venho rezar por eles”, alega.

A dona de casa Sônia Maria Gomes, 61 anos, chegou cedo no cemitério. Myke Sena/Jornal de Brasília

Enquanto para Sônia o Dia de Finados tem sua representatividade por conta da religião, para a técnica em enfermagem Gleids Marques, 52 anos, as visitas ao cemitério são quase que obrigações. “Sou evangélica. Para gente, não tem representação nenhuma. É mais por tradição”, admite.

No entanto, ela faz questão de visitar. “Venho em Finados, Dia das Mães, Dia dos Pais, aniversário. Minha mãe era muito católica, criou a gente nessa tradição, então é um costume”, completa.

Gleids Marques admite que a data não tem muita representação, mas faz questão de visitar o túmulo dos pais. Myke Sena/Jornal de Brasília

Ala dos pioneiros

O túmulo do ex-governador Joaquim Roriz amanheceu com flores. Admiradores aproveitaram a ida até o cemitério para prestar homenagens, como foi o caso da aposentada Josélia Fernandes Rodrigues, 55 anos, que foi visitar os jazigos do marido e de uma filha e depois foi homenagear Roriz. “Ele já está fazendo falta”, enfatiza.

Ela lembra que no dia do sepultamento do ex-governador, 28 de setembro, ela estava doente. “Mas, enchi minha sala com fotos e papéis das campanhas eleitorais e acompanhei o enterro pelos jornais. Foi lindo. Como não deu para vir, não podia deixar de ver agora no dia de finados”, completa.

Roriz está enterrado na Ala dos Pioneiros, um dos setores especiais do cemitério da Asa Sul. Perto do seu jazigo, também está o ex-presidente Juscelino Kubitschek, mas em seu túmulo não havia qualquer flor.

Ana Lídia ainda é lembrada 

Um dos túmulos mais visitados no Dia de Finados é o da pequena Ana Lídia, de 7 anos, que foi estuprada e morta na década de 70, época que ainda acontecia a ditadura militar. Em seu jazigo, flores e bonecas eram deixados por desconhecidos que acreditam que a menina possa ser uma santa.

A aposentada Maria Nóbrega Machado, 64 anos, frequenta o espaço há quase 30 anos. Ela conta que a primeira visita foi por conta de uma cura que o filho, que hoje tem 29 anos, recebeu. “Não é bem uma promessa. Meu filho tinha um problema que nenhum médico sabia o que era. Chorava muito. Em primeiro lugar, pedi a Deus para que meu filho ficasse bom, mas também pedi para ela. Se ele ficasse bom, eu viria rezar o terço com ele no primeiro ano.

Desde então, ela continuou a rezar o terço. “Eu gosto de rezar. Se eu vir no cemitério e não vir aqui no túmulo da Ana Lídia é a mesma coisa que não vir. Faça chuva ou faça sol, venho com meu marido todos os anos no dia de finados”, acrescenta Maria Nóbrega.

 

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