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Cidades

Cursos com nota máxima no Enade são da Universidade de Brasília

João Paulo Mariano
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Apesar do déficit financeiro apresentado pela Universidade de Brasília (UnB) no início deste ano – de R$ 92 milhões, a instituição ainda se mantem com um bom desempenho no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Tanto que os 12 cursos do Distrito Federal com nota máxima na avaliação foram da universidade pública. Apesar disso, falta de manutenção na estrutura e no curriculum de algumas faculdades causam reclamação em meio aos alunos.

Nacionalmente, as instituições que mais apresentaram conceito 5 foram as universidades e institutos federais. O ministro de Educação, Rossieli Soares, durante a coletiva de imprensa nesta terça (09), onde ocorreu a divulgação dos dados, comentou que a constância na oferta de vagas e corpo de professores de alta qualidade fazem que a nota seja alta.

Aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), o Enade avalia o desempenho dos estudantes que estão próximo ao fim do curso e observar as habilidades desenvolvidas durante o seu tempo de universidade.

Na UnB, dos cursos analisados, os que apresentaram a nota máxima, 5, foram Arquitetura e Urbanismo, Ciências Biológicas (Bacharelado), História (Licenciatura/ Diurno), História (Licenciatura / Noturno), Artes Visuais (Licenciatura), Geografia (Licenciatura), Filosofia (Bacharelado), Engenharia da Computação, Ciência da Computação (Licenciatura), Engenharia Civil, Engenharia mecânica e Engenharia Ambiental.

Apesar da nota máxima nesses cursos e de outras avaliações muito boas – entre 3 e 4, a UnB também apresentou cursos com notas insatisfatórias – 1 ou 2. Três deles da educação a distância – Letras Português (licenciatura), Artes Visuais (licenciatura) e Música (licenciatura) – e um presencial que foi Ciências Sociais (bacharelado).

Mudanças necessárias

Os alunos de um dos cursos que obtiveram nota 5, Arquitetura e Urbanismo, elogiam a universidade, mas alegam que há situações tanto estruturais, quanto curriculares, que precisam de mudança para que a qualidade do que é aprendido e ensinado seja cada dia melhor.

A Luísa Kanno, 22, está no 8º semestre da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/UnB) e, desde o início do curso, não consegue ver reformas importantes na estrutura de um espaço que deveria ser símbolo de organização espacial devido ao que se é estudado. “A gente tem disciplinas que estudam o conforto e não temos nenhum na faculdade. É uma dicotomia muita grande. As instalações da FAU são precárias, assim como parte o ICC que já está antigo”, analisa.

Luísa Kanno, 22, está no 8º semestre de Arquitetura e Urbanismo da UnB. Foto: Myke Sena / Jornal de Brasília

A jovem também reclama que não se sente preparada para o mercado de trabalho, até porque faltaria espaço para um estudo mais prático. Para amenizar este problema, ela entrou em a empresa júnior Concreta já que nela é possível ter contato com clientes, marketing e tudo que fará que ela esteja preparada para ser dona de uma empresa em sua área.

O estudante do 6º semestre, Felipe Fonseca, 23, também reclama da falta de estrutura, mas alega que a faculdade tem muitos professores preparados e que gostam muito do que fazem, dando ao curso a possibilidade de atingir avaliações como a que foi feita. Ele acredita que, apesar das dificuldades, a universidade deve avançar nesses quesitos até o final de seu curso.

Felipe Fonseca, 22, está no 6º semestre da FAU/UnB. Foto: Myke Sena / Jornal de Brasília

Importância da Universidade Pública

“O ENADE é uma forma de medir o desempenho da Graduação. É muito importante a participação dos alunos. O resultado do exame revela a importância das universidades públicas na formação de novos cidadãos. É na universidade pública, federal e gratuita, que fazemos a melhor formação para a vida” , afirmou, por meio de nota, a reitora da UnB, Márcia Abrahão.

Sobre a estrutura da FAU/UnB, a universidade informou que elaborou um plano de obras em 2017, depois de 06 anos da realização do último. Nesse plano, havia recursos de investimentos para a FAU. Mas, desde 2016, os recursos disponíveis caíram, aproximadamente, 80%.

“Infelizmente, diante dessa drástica redução, torna-se difícil prever quando a Universidade terá novos recursos disponíveis para as obras. A liberação dos mesmos depende do Ministério da Educação”, complementa.

 

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