fbpx
Siga o Jornal de Brasília

Cidades

Cursinhos para concurso expõem crise no ramo

Avatar

Publicado

em

PUBLICIDADE

Os tempos mudaram para os cursos preparatórios para concursos públicos no DF. Os gigantes passam por   “readaptação” ante a recessão do mercado. O Gran Cursos teve queda de 40% nas matrículas neste semestre e precisou trocar as sedes do SIG e Taguatinga por locais com aluguel mais barato. Já o Vestcon  interrompeu as aulas sem aviso     e deixou muita gente indignada. 

“Cheguei hoje (terça-feira, 2) e descobri que não haveria aula”, revoltou- se a assistente administrativa Ana da Costa e Silva,   36 anos, em frente ao terreno da Vestcon da 906 Norte. “Há duas semanas vários professores foram embora dizendo que ‘se cansaram de ser éticos’, pois não recebiam salário há   meses”, relatou.

A sede da Asa Norte estava abandonada ontem.  Segundo um ex-funcionário da empresa, cerca de 70% do quadro foi demitido nas últimas semanas. 

“O próprio Ernani Pimentel (dono do cursinho) foi à sala de aula, algumas semanas atrás, dizer que a culpa era da crise financeira. Disse que haveria mudanças como mais videoaulas e apenas turmas com duração de quatro meses, mas agora não sabemos direito. Para mim, isso é má administração”, desabafou Ana. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O curso dela começou em 23 de outubro e deveria ir até fevereiro, mas ela não sabe se isso vai ser possível. Junto aos outros alunos de sua classe, a mulher pretende buscar consultoria jurídica para saber quais medidas tomar.

Caso mais grave é o do vigilante Gilvandro Gonçalves,   42 anos. Morador de Planaltina, ele paga mensalidades para a filha de 19 anos frequentar a chamada turma Prodigium, com duração de pelo menos um ano. “Fiz o maior esforço para pagar mensalidades de R$ 400 com meu salário de R$ 1,5 mil”, revela. Segundo ele, problemas acontecem desde a matrícula da jovem.

“Ela saiu de casa muitas vezes às 5h para chegar aqui às 7h e não ter aula. Sempre o professor faltava e ninguém sabia o porquê”, contou o vigilante, que foi à sede da 906 Norte  para rescindir o contrato, mas não encontrou ninguém. “Vou cancelar os pagamentos junto ao cartão de crédito e procurar um advogado. Vou pedir danos morais. Desde que ela entrou aqui, só tive perdas”, lamentou.  O JBr. não conseguiu contato com a direção.

Como proceder
 
De acordo com Geraldo Tardin, presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), o aluno que se sentir lesado pelo cursinho ou suspeitar quebra de contrato deve notificar a empresa e aguardar dez dias por uma resposta. Caso ela inexista ou seja insatisfatória, a orientação é registrar reclamação no Procon e, paralelamente, entrar com ação no Juizado Especial para buscar reaver o dinheiro já investido. “O bom é ir à Delegacia do Consumidor (Decon), pois lá há profissionais treinados para lidar com isso”, finaliza. A Decon fica no Setor de Áreas Isoladas do Sudoeste, no Bloco D, e os telefones para contato são  3362-5634 e  3362-5935.
 
Estruturas encolhem
 
José Wilson Granjeiro, diretor- presidente do Gran Cursos, precisou deixar a sede no  SIG, onde esteve por   14 anos, parar se reestabelecer em um local de aluguel mais acessível. O mesmo acontece  em Taguatinga, onde o cursinho era mantido no Centro. 
 
De acordo com Granjeiro, a falta de publicação de editais nos últimos seis meses, aliada à Copa do Mundo e às Eleições, esfriou a abertura de novas matrículas e obrigou as empresas a cortar  custos. “Não há mais lugar para estruturas caras nesse mercado. Queremos oferecer a mesma qualidade em um espaço menor”, revela. As unidades do SIG e Taguatinga devem ser movidas para locais ainda não anunciados. Um deles, no entanto, deve ser na Asa Sul.
 
O diretor do Gran Cursos também cita “cursinhos de R$ 1,99” e aulões gratuitos como fatores que prejudicaram o segmento. “Há muita concorrência com a informalidade. E falta   um cronograma para  editais”, opina. Apesar disso, ele projeta um reaquecimento: “Devem surgir   500 mil vagas, só no Governo Federal, devido a  aposentadorias”.
 
Sistema lucrou, mas também não suportou
 
Proprietário da marca de cursinhos Adição e mestre em Economia, Germânico Monteiro  atribui os problemas atuais à mentalidade das grande empresas. “As estruturas são gigantes e   pagam muito aos professores. Não há quem aguente esse sistema. Conseguiram financiar isso por um certo período  por meio de empréstimos, mas isso virou uma bola de neve e muitos tiveram de fechar”, avalia.
 
Segundo ele, a inflação e outros fatores econômicos apertaram o cinto das famílias e obrigaram muitas a cortarem gastos. “Se antes as pessoas faziam dois ou três cursinhos por ano, agora só podem fazer um. Quando há endividamento familiar alto, o primeiro corte é o de coisas não prioritárias”, afirma.
 
Para o próprio negócio, ele diz estar em  expansão devido à decisão de enxugar as unidades. Em espaços menores e pagando “valores de mercado”, ele conta que estratégias como alocar grandes auditórios apenas para aulões  de provas importantes e investir em conteúdo on-line são saídas. “Como todo negócio, não há garantia alguma”, ressalta.
 



Leia também


Publicidade