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Cultivo: DF se consolida como capital do agronegócio

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Admirada internacionalmente por sua arquitetura arrojada, a capital federal começa a ser aclamada por seu potencial rural. Em alguns setores, com o de frutas e hortaliças, o DF já alcançou status de autossuficiência. No caso do pimentão, por exemplo, a capital produz cerca de 180 toneladas por hectare, o dobro do índice de alguns estados. Os números são da Empresa de Assistência e Extensão Rural do DF (Emater-DF). Na qualidade e produtividade do trigo, o cenário também é animador: o DF ostenta o trigo de melhor qualidade do País, título que garante à capital o pão francês e a farinha mais saborosos do Brasil.

O oásis da produção de hortaliças está situado na Taquara e no Pipiripau, áreas do setor rural de Planaltina, onde cerca de 600 produtores são responsáveis pelo abastecimento de grandes redes de supermercado do DF, além de exportarem para o Goiás, Amazonas e Tocantins. Dos dois locais saem práticas inovadoras, sementes e seleções genéticas seguidas por outros estados.

Produtividade

O agricultor Libério Rezende Filho, 48 anos, é um dos agricultores  da Cooperativa Agrícola da Região de Planaltina (Cootaquara). Membro de uma família composta por produtores rurais, ele conta que há dez anos resolveu investir no pimentão. “Tornei-me cooperado e comecei a utilizar a estufa. A produção deu salto, tanto pelo aprimoramento da técnica, como por não precisar mais perder tempo com a comercialização”, explica o agricultor, que conta com 55 estufas em uma propriedade de dois hectares.

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“Já plantei tomate, pepino, couve-flor, mas financeiramente o pimentão tem saído mais vantajoso”, diz Libério. Ele conta que a família tem contribuído para a geração de empregos na região. “Hoje, nove pessoas trabalham diretamente, com carteira assinada e todos os diretos assegurados”, pontua.

Preocupação

Apesar do quadro promissor, Libério Rezende conta que os agricultores têm dificuldades para conseguir crédito e expandir o próprio negócio. “A escritura das terras é um problema, pois elas são cedidas por base em contratos com o governo”, ressalta. Diante das dificuldades, ele revela que tem mantido o ritmo de plantações por meio de recursos próprios. “O jeito é a gente usar o quem.

Tranquilo com maracujá

Quem também tem visto os rendimentos aumentarem é o agricultor Leocácio Edson Dhein, 41 anos. No último ano ele optou por investir na plantação de maracujá. “Já plantei hortaliças, mas resolvi mudar de ramo porque não tenho pretensões de expandir minha atuação”, conta.
 
A opção é fruto do desejo de ter apenas tranquilidade e garantir o sustento da família sem grandes preocupações. “Trabalho com a minha esposa e isso tem sido o suficiente. Mas, em contrapartida, não posso aumentar a minha produção”, explica.
 
Segundo ele, a comercialização dos maracujás é feita por conta própria. “Colhemos cerca de 50 caixas e levamos à feira e aos principais supermercados da cidade”, disse. O agricultor revela que tem buscado aprimorar suas técnicas de cultivo e colheita. “Fiz alguns cursos e pretendo fazer mais alguns”, declarou.
 
Versão oficial

De acordo com a Emater-DF, o destaque da produção é fruto da alta tecnificação das propriedades. “O produtor rural do DF sempre soube que, por termos um território pequeno — somos a menor unidade da federação —, nossos produtos deveriam se destacar pela qualidade”, afirmou a pasta.
 
Para garantir a excelência das técnicas, a Emater-DF explica que sempre investiu em capacitação, qualificação e transferência de tecnologia para os agricultores. Segundo a pasta, uma das principais dificuldades é a falta da mão-de-obra qualificada. “Temos procurado mitigar por meio da oferta de cursos, oficinas, palestras e eventos semelhantes — e condições climáticas, que também têm sido facilmente contornadas pela aplicação de tecnologias adequadas às pequenas e médias propriedades”, salientou.
 
Além da assistência técnica de alta qualidade, o GDF tem diversas linhas de crédito e fomento para o agricultor.
 
Trigo: melhor qualidade do País

Para o agricultor Olivan Lima Peres, 46 anos, o ditado popular “o céu é o limite” faz todo o sentido. Ele conta que viu sua vida mudar nos últimos anos. Para o futuro, as aspirações estão à altura de tudo o que foi conquistado até o momento. “Tenho aumentado muito minha produção. Conto com três funcionários fixos e com outros dez que prestam serviço esporadicamente”, relata.
 
Além do pimentão, o produtor tem aprimorado a plantação de tomate. Sua plantação, que no começo era de oito mil pés, já chegou à casa dos 20 mil. “Tivemos um aumento muito grande. Hoje, comercializo alguns por conta própria e também pela Cootaquara”, diz. 
 
Ele conta que o pontapé de seu negócio veio com a aquisição de um trator por meio da linha de crédito do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). “Ainda existem muitas dificuldades, mas não penso em desistir”, conclui.
 
Produtividade

O Distrito Federal possui a menor área de cultivo do trigo entre os sete estados produtores, mas, em contrapartida, é a unidade da Federação que produz a melhor semente de trigo do País. A posição de destaque é resultado de um fator técnico: peso hectolitro (PH) da farinha. Enquanto a média nacional é de 78 PH, no DF o número é de 85 PH.
O DF também é campeão do quesito produtividade. Segundo o Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o DF ocupa a primeira posição entre as regiões com a maior produtividade do País, com sete toneladas de grãos por hectare. Enquanto a média do País para a safra 2013/2014 é de 2,2 toneladas.
 
“A mescla de variedades dá uma farinha de excelente qualidade. Além disso, o clima ajuda muito. Temos um período bem distinto de chuva, então, na época do plantio não temos chuva”, explica o presidente da Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF), Leomar Cenci.
Segundo o presidente, em 2014, a previsão é de que a área de cultivo de trigo triplique. “Este ano vamos alcançar a marca de 3,6 hectares plantados”, pontua. Ele conta que, de 120 associados, uma média de 20 plantam trigo.
problema fundiário.
 
Cenci reforça o ponto de vista de agricultores sobre as dificuldade de financiamento. “Temos um grande problema fundiário. Há crédito disponível, mas não depende só do banco”, relata. Ele destaca que os entraves têm prejudicado a expansão do setor rural. “Tudo por causa dessa complicação das escrituras.
 
Técnicas de aprimoramento para o campo

A Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF) incentiva técnicas de sustentabilidade no cultivo do grão e apoia sua comercialização. “A cooperativa processa o trigo e o transforma em farinha de trigo”, explica o presidente da cooperativa,  Leomar Cenci. O produto é comercializado para estabelecimentos do Distrito Federal e da Região Metropolitana.
 
De acordo com engenheiro agrônomo de cooperativa, Cláudio Malinski, para otimizar os resultados do plantio de trigo, a Embrapa-DF vem estudando uma nova técnica. “Eu faço parte de um grupo que está desenvolvendo um trigo tropical. Essa semente vai ser resistente à doença, resistente à seca, tolerante ao calor e com qualidade elevada”, ressalta o agrônomo.
 
Demora
 
Para que a técnica seja incorporada, o engenheiro explica que o processo é longo. “Vamos ter que trabalhar contra a natureza porque o trigo não é tropical, ele é seco. Isso demora. Os resultados levam 10 anos, mas os efeitos são para sempre. Se isso ocorrer, o Distrito Federal pode se tornar um grande exportador de trigo”, conclui Cláudio Malinski.
 
 
 
 

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