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Crimes no Parque da Cidade levam governo a traçar plano para ampliar segurança

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Raphaella Sconetto, com Agência Brasília
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Segurança reforçada no Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek. Os 420 hectares serão monitorados com auxílio de tecnologia, além de mais rondas da Polícia Militar e apoio para analisar as imagens. O projeto Parque Seguro foi anunciado pela Secretaria de Segurança e será posto em prática em breve. Enquanto isso, crimes expõem a fragilidade do atual esquema de segurança e frequentadores cobram mais proteção.

Segundo o secretário de Segurança, Anderson Gustavo Torres, estudos estão sendo finalizados para identificar qual a real necessidade do parque. Mas já é possível afirmar que o monitoramento será feito por meio de drone, câmeras e um comando móvel da PM. Também haverá parcerias com os estabelecimentos do parque para que eles permitam que a Polícia Militar acesse imagens de câmeras.

“Estamos tomando conhecimento da situação do centro de Brasília e o Parque da Cidade faz parte. Estamos montando um novo planejamento de segurança. Precisamos rever a vigilância do centro da cidade como um todo, e nos próximos dias vamos lançar essa nova operação. São medidas que visam acalmar o centro e evitar que mais crimes aconteçam”, anuncia.

Além do parque, a Rodoviária do Plano Piloto e o Setor Comercial Sul também estarão no plano. “São áreas que temos que cuidar e evitar que a criminalidade se espalhe”, reforça Torres. Para ele, as ocorrências estão relacionadas, principalmente, com o tráfico de drogas.

Enquanto o projeto não sai do papel, o secretário garante que o policiamento e a segurança estão garantidos. “Muito em breve vamos anunciar o novo esquema. É um projeto que não envolve somente a Secretaria de Segurança, mas outras instituições do DF. Vamos discutir a iluminação com a CEB, parte de trânsito, da legalidade dos estacionamentos públicos que estão sendo cobrados, a questão da limpeza. Toda a desordem será revista, porque a segurança envolve tudo isso”, enfatiza Torres.

Mais efetivo

Entre os frequentadores do parque, os relatos são os mesmos: a segurança é precária e precisa ser revista. O atleta Yuri Villefort, 27 anos, frequenta o local pelo menos três vezes por semana. Para ele, é preciso mais efetivo nos pontos ermos. “A impressão que tenho é que quanto mais entramos no parque, menos se tem segurança. É díficil ver vigilante ou a polícia”, relata. Por conta disso, ele faz exercícios nos equipamentos próximos aos estacionamentos. “Prefiro ficar nos arredores”, aponta.

O professor de luta Davi Guimarães, 23, e o estudante Victor Gabriel Amarante, 22, treinam Kung Fu três dias por semana. Para se sentirem mais seguros, optam por um gramado próximo à Administração. “Vejo segurança pela manhã e no fim do dia. Depois, é difícil”, alega o estudante. Em seguida, o professor dá sua versão: “Eu mesmo nunca tive problema, mas vejo muitos moradores de rua aqui”.

Yuri prefere fazer exercícios perto da administração e evitar os locais mais ermos. Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília.

Violência expõe fragilidade

Nessa terça-feira (12), um homem foi encontrado morto com sinais de espancamento no Parque da Cidade. Horas depois, a Polícia Civil identificou a vítima. Givaldo Gomes da Silva, 52 anos, era pessoa em situação de rua e foi morto com mais de 20 facadas no tórax e pescoço. Silvânia Alves de Moura, 20 anos, confessou participação no crime e foi presa no mesmo dia. O outro suposto envolvido, de mesma idade, foi detido ontem. Eles alegam que o crime foi motivado por dívidas de drogas.

No dia 16 de dezembro do ano passado, Robson Milton Santos, 40 anos, foi encontrado morto próximo ao Pavilhão de Exposições. O homem estava nu e com ferimentos no rosto. Quatro dias depois, equipes da 1ª DP prenderam o suspeito de matar Robson no Gama.

Em 26 de maio, um adolescente foi espancado até a morte durante uma festa de música eletrônica ilegal no parque. Ele foi confundido com o autor de um roubo a celular e então foi linchado.

Saiba Mais

Segundo a Polícia Militar, o parque possui índices criminais “ baixos”. A reportagem tentou dados oficiais e quantas ocorrências foram registradas no local nos últimos anos, mas a Secretaria de Segurança Pública não possui esse recorte específico. O Jornal de Brasília procurou também a administração do espaço, mas não conseguiu contato com o novo gestor.

Por nota, a PM informou que, além do policiamento com viaturas e cavalos, a corporação realiza operações no parque. E reforçou o novo projeto. “Será instalado um ônibus da PMDF, equipado com sistema de monitoramento interligado aos sistemas da Secretaria de Segurança Pública, e também a câmeras de comerciantes que se propuseram a ceder imagens à Polícia Militar. Assim, os policiais monitorarão todo o parque, podendo abordar, de forma ainda mais precisa, atitudes que levantem suspeitas”.


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