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Cidades

Condomínios saem em defesa de porteiro agredido por Laerte Bessa

Ex-deputado agrediu, xingou e ameaçou porteiro de morte na última terça (13) porque o funcionário não permitiu que motoboy subisse até o apartamento dele

Willian Matos

Publicado

em

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Da redação
redacao@grupojbr.com

Após circularem imagens que mostram o ex-deputado e delegado aposentado Laerte Bessa agredindo e ameaçando de morte o porteiro do prédio onde mora, em Águas Claras, algumas associações e sindicatos ligadas a condomínios repudiaram a atitude. Cinco entidades, ao todo, se pronunciaram.

A Associação Brasileira de Síndicos e Síndicos Profissionais (Abrassp), o Grupo de Síndicos de Águas Claras, o Sindicato dos Condomínios Residenciais e Comerciais do Distrito Federal (Sindicondomínio-DF), o Sindicato dos Trabalhadores em Condomínio e Imobiliárias do Distrito Federal (Seicon-DF) e a Associação dos Moradores de Condomínios do Grande Colorado, Boa Vista e Contagem (AMGC) se reuniram e, por meio de nota, criticaram Laerte Bessa.

“As entidades consideram inaceitável a conduta prepotente, arrogante e agressiva do delegado de polícia aposentado e ex-deputado federal Laerte Bessa. É intolerável que um delegado aposentado e ex-parlamentar proceda com truculência, desrespeito e falta de civilidade se colocando acima da lei, agredindo física e moralmente o porteiro e o síndico do condomínio”, disseram.

O grupo pede que Bessa seja punido pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT). “Não poderemos compactuar com esse tipo de prática, razão pela qual também exigimos procedimentos de denúncia ao agressor pelo Ministério Público, com punição exemplar ao agressor Laerte Bessa”, destacou a nota.

O caso

No fim da noite de terça-feira (12), às 23h43, o ex-deputado federal Laerte Bessa (PL-DF) agrediu o porteiro do prédio onde mora, no condomínio Wave, na Rua 18 da Avenida das Castanheiras, em Águas Claras. O próprio funcionário gravou o vídeo que mostra ele recebendo soco, chute e xingamentos. Tudo porque ele seguiu normas do residencial e não deixou um motoboy subir com uma entrega delivery para o policial civil aposentado.

Num vídeo que circula nas redes sociais, gravado pelo porteiro, Bessa ameaça de morte o porteiro por duas vezes. O ex-deputado desceu até a portaria e iniciou as agressões contra a vítima. No vídeo, ele chega ao local xingando o funcionário. Confira o diálogo abaixo:

“Vem filha da p**. Por que não vai subir aqui agora? ‘o síndico que não autorizou’, [diz o porteiro]. Ele é um bosta, e você também é. Tô falando para você deixar ele subir. Você quer morrer, eu te mato aqui agora, seu filha da p*. Cadê o síndico? Chama esse filha da p* lá. Quero ver o macho que não vai deixar. Seu cachorro, tô falando com você, rapaz. Bora subir lá, bora subir essa p* [Bessa fala com motoboy]. E vai chegar outro aqui. Se você falar isso de novo, vou te dar um tiro na cara, filho da p***. Liga para ele [síndico] que eu vou esperar ele aqui agora. Pode subir lá no 304. Você é um bosta, um pau mandado. Falar que onze horas não pode entrar aqui. Eu sou o cara mais amigo de todo mundo aqui. Você não pode fazer isso comigo não, seu cachorro”, diz.

Em outra parte do vídeo, Bessa propõe uma troca de tiros com o porteiro.

“Se você for homem, busca sua arma. Vai lá buscar que nós vamos trocar tiro aqui agora, filha da p***. Você que é culpado. Você é frouxo”.

No fim da gravação, o ex-deputado empurra e chuta o síndico do prédio ao dizer palavrões. “Você me respeita. Cachorro. Eu sou o primeiro morador dessa bu**. ‘Para quê esse nervosismo’, diz o síndico. Nervosismo o cara***. E vai chegar mais comida aí”, avisa.

Ao Jornal de Brasília, Bessa disse que se arrepende do que fez, mas logo em seguida, ironiza a situação. “Você viu a lição que eu dei nele?”.

Ainda assim, Bessa confessa o arrependimento, mas minimiza o caso. “Claro, exagerei. Só isso. Estou arrependido. Achei que a minha reação foi além do que poderia ser. Toda ação tem uma reação”, confirmou.

O porteiro registrou ocorrência na 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul), que deve investigar o caso.


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