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Comunidade nikkei de Brasília comemora Ano Novo japonês em festa tradicional

Publicado

em

Rafaella Panceri
rafaella.panceri@grupojbr.com

A comunidade Nikkei em Brasília comemora o Motitsuke, festa tradicional japonesa, no Clube Nipo Brasileiro, na noite desta quinta-feira (27). O festival acontece na virada do Ano Novo no Japão, principalmente em cidades pequenas da zona rural. Esta é a terceira edição celebrada na capital federal.

Em 2018, comemoram-se os 110 anos da imigração japonesa no Brasil. Por isso, o evento ganhou destaque na agenda anual do clube, com a presença do embaixador Akira Yamada, da embaixatriz Shoki Yamada e outros membros do corpo diplomático como explica o presidente do clube, Inácio Satoshi Takeuti.

A embaixatriz Shoko Yamada, o presidente do clube Nipo Brasileiro, Inácio Satoshi Takenuti, o coordenador do evento, Roberto Issamu Matsunaga, e o embaixador do Japão, Akira Yamada, participam do Motitsuke. Foto: Kléber Lima/Jornal de Brasília.

No Motitsuke, a estrela é o moti. O bolinho de arroz simboliza a união: agrega milhares de grãos em um só bolinho e promove a colaboração entre as famílias. Seja onde for, o moti inspira a prosperidade por meio do encontro. Pode ser consumido frito ou cozido, com shoyu, shoyu com açúcar, envolto em algas marinhas e recheado com um tipo de feijão japonês adocicado. Quando saboreado, traz à memória os sabores típicos da Terra do Sol Nascente.

Mulheres preparam o moti segundo a tradição japonesa. Foto: Kléber Lima/Jornal de Brasília

Ritual na cozinha
A preparação começa com o cozimento da matéria-prima. O arroz é colocado em panos e cozinha no vapor, dentro de panelas comuns. Quando o ponto correto é atingido, as cozinheiras despejam o alimento em pilões de madeira. É a vez de amassar. Vestidos com kimonos, homens, principalmente, iniciam o processo com martelos gigantes.

O ritual é feito como em uma ciranda. Martelada após martelada, a massa ganha um aspecto elástico, parecido com o da tapioca. Depois de bem amassado, o próximo passo é levar o arroz ao fogo mais uma vez.

Uma das versões do moti é frita, leva molho de soja e algas marinhas. Foto: Kléber Lima/Jornal de Brasília

Depois de alguns minutos, está pronta a massa. É só modelar. As bolinhas ganham forma nas mãos de senhoras habilidosas. Podem levar recheio de feijão doce e serem consumidas na hora ou ir direto para o óleo quente. Nesse caso, o sabor é salgado e acentuado pelo molho de soja.

Moti a gosto
O embaixador Akira Yamada explica que, no Japão, as comunidades da zona rural se reúnem para fazer a festa no fim do ano. “Cada comunidade tem sua maneira de preparar e consumir o moti. Cozinham o arroz, batem no pilão e transformam tudo em uma massa pegajosa. O moti sempre lembra o Ano Novo, mas não é tão comemorado nas grandes cidades”, contextualiza.

“No Brasil, temos muitos descendentes de imigrantes japoneses. Aqui, cada comunidade japonesa faz sua festa de Motitsuke antes do fim do ano ou no próprio Ano Novo”, complementa. “Em Brasília, é a quarta festa. Como embaixador do Japão, quero celebrar junto com a comunidade nikkei”, declara.

Homens se revezam no preparo da massa do moti. O arroz cozido ganha marteladas para ganhar consistência elástica. Foto: Kléber Lima/Jornal de Brasília

Saiba Mais
» O arroz utilizado no preparo do moti é diferente do usado na culinária japonesa, em geral. Nas lojas, vem especificado como “arroz moti”.

» Motitsuke, nome da festa, significa “bater moti”, literalmente.

» O ‘ussu’,  pilão japonês, é feito com um tronco de árvore de grande envergadura.

» Nas antigas colônias de imigrantes japoneses do Brasil, a madeira era derrubada e tomava chuva e sol para que seiva secasse. Dias depois, era modelada.


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