fbpx
Siga o Jornal de Brasília

Cidades

Com mais gente em casa, alta procura por gás de cozinha gera desabastecimento no DF

Está tramitando, na Câmara dos Deputados, um PL que fixa o preço do botijão em R$ 49 enquanto o Brasil estiver em estado de calamidade pública

Aline Rocha

Publicado

em

PUBLICIDADE

Com a chegada da pandemia de coronavírus no Distrito Federal e o início do isolamento social preventivo, o aumento no número de pedidos por gás de cozinha foi notável. Enquanto algumas pessoas fazem a compra do item apenas para consumo e repõe conforme acaba, outros optaram por fazer estoque por medo de desabastecimento. 

Segundo o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), o Sérgio Bandeira de Mello, o aumento foi surpreendente e inesperado, na ordem de 25% nos últimos 10 dias de março se comparado ao mesmo período de 2019. 

De acordo com a entidade, a Petrobras não conseguiu responder com a velocidade adequada, gerando um atraso entre dois e três dias para as entregas de produto. “Não sabemos como será o comportamento do consumidor nos próximos dias, mas os efeitos dessa corrida são momentâneos em função de pressões bruscas da demanda”, avaliou o presidente do Sindigás.

Mello disse que o atraso no abastecimento foi mais sentido em São Paulo. “Um dos motivos foi a interrupção do funcionamento em um duto da Petrobras entre Santos e Mauá. Porém, a previsão de reinício da operação desse duto, que estava paralisado para manutenção, é hoje (6) ainda. A expectativa das distribuidoras é começar a receber carga de gás por meio dessa tubulação entre o fim do dia de hoje e amanhã (7).”

As dificuldades para abastecimento foram confirmadas pelo presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras e Revendedoras de Gás (Sindvargas), Sérgio Costa. Segundo ele, “os caminhões de revendedores ficam na fila em frente às distribuidoras engarrafadoras até cinco dias esperando o produto para carregar”, informou o presidente do sindicato.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Sindigás informou que as equipes das empresas distribuidoras e revendas estão trabalhando com plena capacidade. “Portanto, não há razão para estocar GLP (gás de cozinha)”, informou o Sindigás, e fez uma apelo para que o consumidor “compre de forma consciente, de modo que não falte gás para as famílias que precisam do produto para consumo imediato”.

Preço fixo

Está tramitando, na Câmara dos Deputados, um Projeto de Lei (PL 1250/20) que fixa o preço do botijão de gás de cozinha em R$ 49 enquanto o Brasil estiver em estado de calamidade pública. Segundo o projeto, o valor será válido para o botijão de 13 kg. 

A proposta, da deputada Aline Gurgel, busca coibir abusos na cobrança do botijão, garantindo à população brasileira o direito à alimentação durante a pandemia. “Neste momento, há a necessidade de nos adequarmos às novas situações. Para tanto, estipulamos um valor único, de forma a favorecer os excluídos, de baixa renda ou em situação de extrema pobreza”, afirma Gurgel.

Nas últimas semanas era possível encontrar o mesmo botijão a R$ 115. O preço do GLP vendido em botijões de 13 kg, atualmente, está subindo mais do que aconteceu com o óleo diesel nos meses que antecederam a greve dos caminhoneiros. Além disso, a alta do botijão acontece justamente num momento de desvalorização do petróleo. Na prática, significa que a população, principalmente a de baixa renda, está sendo mais atingida hoje do que no período da crise do diesel.

De janeiro a março deste ano, o gás de cozinha ficou, em média, 0,28% mais caro, enquanto o petróleo WTI despencou quase à metade. No mesmo período de 2018, a variação do diesel foi de 0,24%, em um período em que o petróleo caia 1,52%. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Estamos observando uma resistência à queda dos preços do botijão, apesar do preço do barril do petróleo ter despencado. Nesse cenário, o governo deveria considerar a execução de um novo programa de subvenção do GLP, a exemplo do que foi feito com o diesel durante a greve dos caminhoneiros”, afirma o coordenador Técnico do Ineep, Rodrigo Leão, responsável pelo estudo comparativo entre o petróleo e seus derivados.

 

Com informações de Agências 


Leia também
Publicidade
Publicidade
Publicidade