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“Matei por ciúmes”, confessa homem que esfaqueou ex em Santa Maria

Publicado

em

Jéssica Antunes
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O homem que assassinou a ex-mulher a facadas em Santa Maria estava escondido na casa de uma sobrinha em Salvador (BA). Josias Nascimento dos Santos, 40 anos, estava trabalhando em um bar quando foi detido por três policiais. No dia 3 de setembro, ele tirou a vida de Simone de Sousa Lima, 26, em um apartamento na QR 517 com um golpe fatal no coração. A vítima, que estava grávida de dois meses, tinha medida protetiva contra o homem, mas, segundo a Polícia Civil, continuava se encontrando com o suspeito. Naquele dia, após usarem drogas, ele se enfureceu por ciúmes.

Josias foi detido por policiais civis da Bahia em 17 de outubro. Na quarta-feira (24), ele foi transferido ao Distrito Federal, onde responderá pelo crime de feminicídio. “Eu matei por ciúme. Na ânsia da raiva, golpeei ela com um facão depois que peguei trocas de mensagens no celular dela com vários homens. Na hora da raiva a gente não pensa em nada. Quando saí ela ficou sentada na cama”, conta o suspeito. De acordo com o homem, o relacionamento não havia acabado e eles se encontravam para usar drogas.

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No local do crime, a perícia encontrou vestígios de cocaína na mesa e marcas de sangue na parede, com indicativos de que a vítima lutou com o autor. Simone foi encontrada morta com marcas de várias facadas pelo corpo. O maior golpe foi dado na perna e a hipótese inicial era de que a morte poderia ter sido provocada por atingir a artéria femoral. No entanto, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) indica que um golpe no peito, na altura do coração, foi fatal.

Reprodução

O preso diz que não sabia da gestação da mulher, com quem tem um filho de três anos. No entanto, a Polícia encontrou no local do crime um exame de gravidez dentro de um casaco. Ainda não se sabe a quem pertencia o vestuário. Delegado-adjunto da 33ª Delegacia de Policia, Paulo Roberto Galindo diz que desconfia da versão de Josias.

Fuga para a Bahia

Após o crime, ele fugiu. Passou a noite no Jardim Ingá, na casa de um conhecido e depois pegou carona até chegar em Salvador. Josias diz que os familiares sabiam do crime, mas “o sangue fala mais forte”. “Me arrependo. Minha vida mudou dos pés a cabeça”, lamenta o homem, que deve aguardar o julgamento atrás das grades.

O delegado-adjunto diz que os familiares podem ser responsabilizados por favorecimento pessoal se ficar comprovado que abrigavam um foragido da Justiça.

Violência

O relacionamento do casal era marcado pela violência. Eles viviam em casas separadas, mas se encontravam com frequência na quitinete onde o homicídio ocorreu. Segundo a PCDF, Josias foi mencionado duas vezes por Simone como agressor em denúncias por descumprimento da Lei Maria da Penha e conseguiu uma medida protetiva para protegê-la que estava em vigor no dia da morte.

No entanto, os dois se encontravam semanalmente no local. “As denúncias foram feitas por ela em setembro e dezembro de 2017. Havia uma audiência de conciliação marcada para amanhã”, contou ao JBr. o delegado na época do crime.

O autor do feminicídio havia sido preso por porte ilegal de arma de fogo e por receptação de veículo roubado em 2017. Na Bahia, teve passagem por roubo em coletivo na década passada. Agora, se condenado, poderá ficar recluso por até 30 anos. O fato de a mulher estar grávida pode ser considerado um agravante para aumento da pena.

No local do crime, a vizinhança prefere o silêncio. Ninguém quis comentar o assassinato ou a prisão do suspeito. “Ninguém vai se comprometer por aqui”, justificou uma mulher.


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