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Cidades

Casas de Swing: ambiente liberal onde quase tudo é permitido

Imagine uma festa com pouca luz, máscaras, shows de strip-tease e bebida à vontade, onde os casais vão para se divertir e trocar de par. É assim que funcionam as casas de swing. Nesses ambientes, pessoas que procuram aventuras extraconjugais consentidas vivem experiências inéditas com outros casais. Em Brasília, já existem, pelo menos, três grandes casas especializadas no tema. E é de olho nesse público que a agência Casal First Tour acaba de lançar uma novidade para 2015: o primeiro cruzeiro internacional para casais adeptos do swing, a zarpar de águas brasileiras. 
 
O transatlântico, que recebeu o nome de Samba Swing Tango, partirá do Rio de Janeiro (RJ) no  dia 3 de janeiro e tem escalas programadas em Búzios (RJ), Punta del Este, no Uruguai, e encerramento em Buenos Aires,  Argentina, no dia 10. A procura superou as expectativas da agência de turismo e o cruzeiro, nada barato – entre R$ 3 mil e R$ 5 mil por pessoa – já está com a lotação quase esgotada.
 
O  proprietário da First Tour, Paulo Macedo, conta que já organiza passeios “para casais liberais” há mais de dez anos, mas sempre fora do País. “Os brasileiros estavam indo muito para o exterior, então resolvemos fazer um cruzeiro saindo daqui”, diz.
 
Programação
 
Durante os sete dias a bordo do Samba Swing Tango, os passageiros contarão com uma programação exclusiva. Entre as inovações está a possibilidade de uso de roupa opcional no acesso às dependências comuns da embarcação. À noite, os shows eróticos – com homens e mulheres que trabalham no navio – prometem esquentar o clima. Os hóspedes também serão convidados a participar de desfiles com roupas íntimas.
 
Apesar de ter como ponto de partida o Brasil, o navio, com capacidade para 694 passageiros, terá, em sua maioria, casais estrangeiros. E  os interessados em adquirir um pacote precisam correr, pois  restam menos de dez cabines disponíveis.
 
Viagens como essa fazem sucesso entre os adeptos do swing porque favorecem uma das questões essenciais para esses casais: a discrição.
 
Para a estudante Camila Cosmo, 24 anos, que já foi a casas de swing e gostou da experiência,  a preservação da identidade é determinante. “Acho que se fosse para mostrar a cara pouca gente se aventuraria”, diz.  “Os fetiches existem, mas poucos rompem a barreira do que é socialmente aceito e considerado normal”, conclui.
 
Frequentadores costumam agir com discrição
 
O empresário Carlos Tavares (nome fictício), 35 anos, aprova a ideia de um cruzeiro temático. Ele diz que já foi a uma casa de swing, em Sobradinho, com a namorada. “Dependeria da organização e dos critérios de seleção dos passageiros. Mas acho a iniciativa legal e é mais uma opção”, disse.
 
Segundo Tavares, no entanto, esses ambientes costumam ser mais tranquilos do que a maioria das pessoas imagina. “É tudo escuro e os frequentadores reservados. Eles se abordam com timidez, mas a conversa flui. Quando eu fui havia até uma hostess (anfritriã, na tradução para o português), com a função de aproximar os casais mais acanhados e mostrar os ambientes da casa”, conta.
 
Experiência
 
Para alguns, antes de embarcar num cruzeiro temático, o casal precisa ter frequentado casas de swing. “Definitivamente não é o melhor lugar para se ter um primeiro contato com o swing. É normal que as pessoas que nunca foram fiquem receosas e sem saber direito como se portar. Isso pode ser frustrante para um casal que investiu alto”, aconselha a estudante Gabriela Ferreira, de 21 anos,  que também já foi com o namorado “por pura curiosidade” a um espaço de swing.
 
Número de casas vem crescendo
 
Não é difícil encontrar estabelecimentos especializados e pessoas, solteiras ou casadas, interessadas em viver  novas experiências. Em Brasília, já existem, pelo menos, três grandes casas de swing, sendo uma no Lago Oeste, próxima a Sobradinho, e outras duas na Área de Desenvolvimento Econômico (ADE), em Águas Claras.
 
Há mais de 15 anos no mercado, a Paraíso Brasília Swing Clube, no Lago Oeste, tem clientes fixos e um público seleto. O proprietário, conhecido entre os swingueiros (pessoas que praticam swing) como He-man,  35 anos, conta que a ideia de montar um local específico para a troca de casais surgiu em um grupo de amigos.
 “A princípio nos reuníamos nas casas uns dos outros. Depois um amigo disponibilizou uma propriedade numa chácara, mais discreta e afastada, onde começou a Paraíso. Como o espaço era pequeno fizemos uma reforma e, aos poucos, o local foi se transformando no que é hoje”, lembra.
 
O espaço
 
A Paraíso funciona de quarta a sábado, das 22h às 5h, e domingo, das 14h às 22h, e é dividida em vários ambientes. Ao entrar, o cliente se depara com um salão, onde é possível se sentar, conversar com outras pessoas e tomar drinques. “Ao contrário do que muita gente pensa, as coisas acontecem devagar, como em uma festa convencional. Às vezes, eu preciso intervir, propondo brincadeiras e apresentando os casais”, esclarece He-man. 
 
É depois da meia-noite que os frequentadores costumam se soltar. “A partir daí cada um faz o que quer. Temos uma sauna coletiva, um labirinto escuro onde os frequentadores se encontram, uma sala exclusiva para práticas sadomasoquistas (prazer sexual por meio da imposição ou sofrimento de agressões físicas e morais) já que nem todo mundo curte ver e participar e um quarto vip onde é possível ter relações sexuais sem ser incomodado com telas e buracos espalhados para os que desejam apenas observar outras pessoas sem serem tocados“, diz.
 
Segundo He-man, os amigos foram divulgando a casa e assim o negócio cresceu. “Hoje temos uma clientela fidelizada. Cada casal tem seu nome de guerra e os mais assíduos já são conhecidos no meio. A idade dos frequentadores varia entre 18 e 40 anos. É preciso ter confiança no parceiro para procurar esse tipo de experiência”, afirma.
 
Cenário tranquilo
 
O empresário Carlos Tavares (nome fictício), 35 anos, afirma que as casas de swing costumam ser mais tranquilas do que a maioria das pessoas imagina.  “É tudo escuro e os frequentadores reservados. Eles se abordam com timidez, mas a conversa flui naturalmente. Quando eu fui havia até uma hostess (anfritriã, na tradução para o português), com a função de aproximar os casais mais acanhados e mostrar os diversos ambientes que compõem o estabelecimento.
 
Ciúme deve passar longe
 
De acordo com o swingueiro, não há espaço para ciúmes. “Para que a experiência seja agradável, tanto o homem quanto a mulher precisam ter segurança de que o parceiro não o trocará por outra pessoa. Eu mesmo fui casado três vezes e não deu certo porque elas não entendiam o meu trabalho”, relata.  
 
Segundo o empresário, que hoje vive do negócio, a ideia inicial das casas de swing era permitir que casais estáveis tivessem mais uma opção de lazer para sair da rotina. “Há todo tipo de gente. Desde solteiros curiosos, em busca de aventuras, até casais que vão apenas para conhecer o local”, explica. Os preços variam entre R$ 60 e R$ 200, dependendo do dia.
 
Internet
 
Em uma busca rápida pela internet, também é possível encontrar páginas que tratam do tema nas redes sociais e até salas de bate papo que visam promover encontros entre casais. 
No Facebook há o grupo Encontros de sexo casual em Brasília, com 1,7 mil curtidas. Lá, as pessoas deixam  contatos para que outros casais possam encontrá-los. Há também sites especializados no assunto, como o sexdelirio.com. O domínio garante privacidade aos usuários.
 
Curiosidade  pelo novo atrai adeptos
 
Para o psicólogo Luiz Flávio Mendes, algumas pessoas tendem a buscar novas experiências sexuais por curiosidade, para viver algo novo, diferente e “proibido”. “O cruzeiro e as casas de swing fazem com que esses casais se sintam mais seguros por estarem distantes da realidade, sem o risco de serem julgados, já que os frequentadores desses locais estão na mesma situação, querendo discrição e sigilo. Além disso, as chances de encontrar conhecidos são mínimas. Muita gente tem vontade, mas deixa de ir com receio de ser visto”, explica.
 
Para Mendes, também é provável que nem todos os casais do cruzeiro pratiquem swing. “Alguns vão apenas para conhecer, ver com os próprios olhos. Outros vão pela diversão, pela  aventura. Neste contexto, cada um se porta de uma forma”, analisa. 
 
Já  o psicanalista Paulo Roberto Ceccarelli discorda. Segundo ele, não é possível definir um motivo para que  os casais procurem o swing, já que a sexualidade é algo muito particular. “A questão da sexualidade é como ela é. Não dá para generalizar. O swing sempre existiu, o que se tem agora é uma liberdade maior”, disse.
 
Regras
 
Samba Swing Tango
 
É proibido manter relações sexuais na piscina. O uso de roupas, por outro lado, é opcional tanto na piscina, quanto na sala de jogos, sauna e no solarium – área com cadeiras, para quem quer tomar sol. Para incentivar o sexo seguro, camisinhas serão espalhadas por todo o navio.   
 
Paraíso Brasília
 
Não é permitida a entrada de menores de 18 anos; portar filmadoras, celulares com câmera, máquinas fotográficas ou qualquer aparelho que possa captar imagens;  fumar ou usar drogas; portar armas;  usar copos de vidro e garrafas; causar mal estar e constrangimento a outros casais; gritar ou falar palavrões.
 

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