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Cidades

Capoeira serve como tratamento de pessoas com transtorno mental no DF

A mistura entre esporte e manifestação cultural está transformando a vida de pessoas com transtorno mental grave no Distrito Federal. Os participantes se encontram todas as segundas-feiras, no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do Paranoá (DF). O compromisso firmado com a capoeira tem proporcionado o tratamento dos pacientes, além de favorecer a reinserção social.

Segundo o idealizador do projeto, o psicólogo Antônio Carvalho, 31, o público vai até o CAPS para que haja o resgate da socialização e da cidadania. “Ao mesmo tempo, é importante que a pessoa não fique apenas internada. É preciso que ela esteja no regime aberto e que tenha esse trabalho de autonomia, além do trabalho psiquiátrico.”

As atividades têm realizado mudanças significativas na vida de Denis Oliveira. Com 28 anos de desde 2013 no projeto, ele conta que a capoeira é importante para tirar o remédio de seu organismo e permitir a comunicação do corpo. “O remédio me deixava duro demais, já a capoeira amolece, ajuda a minha mente”, explica. “O corpo fala através da capoeira.”

Denis Oliveira, 28, participa do projeto desde 2013. Foto: Larissa Calixto/ Agência UNICEUB

Antes de participar das atividades, Denis estudava para concursos públicos e vestibulares com o corpo “atrofiado e dormente”. Desde que as aulas de capoeira começaram a ser ministradas no centro administrativo do Paranoá, as segundas-feiras ganharam um novo valor para ele. “Acordo, troco de roupa e escovo os dentes já pensando que hoje tem capoeira. Eu espero o dia inteiro para vir para cá”.

O Projeto

De acordo com Antônio Carvalho, é importante que o trabalho com a população do Paranoá não seja apenas para cumprir um protocolo, mas também algo que proporcione o envolvimento com os pacientes em uma relação horizontal. ”É fundamental que não tenha tanta essa hierarquia de terapeuta, psicólogo, médico e paciente, mas que tenha uma relação de convivência”, explica o idealizador do projeto.

Segundo ele, o grupo trabalha, por meio do aprendizado, a “capoeira da cultura, da música, do jogo do corpo”, além de ser uma forma de resgatar a cidadania. Antônio explica que muitos pacientes não estão no projeto como um doente mental, mas também como uma pessoa que já viveu muitos preconceitos. “Aqui eles estão como capoeirista”, diz. (Da Redação, com Agência UniCeub. Larissa Calixto e Mariana Fraga)

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